2009-08-19

Subject: Urgente reforma na irrigação asiática

 

Urgente reforma na irrigação asiática

 

 

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Peritos internacionais apelaram a alterações urgentes na forma como a água é utilizada na agricultura na Ásia.

O relatório, produzido em conjunto pelo International Water Management Institute (IWMI) com sede em Battaramulla, Sri Lanka, a Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas e pelo Fórum da Água Ásia-Pacífico, alerta que os países asiáticos têm que modernizar os seus sistemas antiquados de irrigação se pretendem produzir comida suficiente para a população em crescimento.

A Ásia tem 70% dos 277 milhões de hectares de terra irrigada do mundo. A maioria das infrastruturas de irrigação foi construída nas décadas de 60 e 70 do século passado, durante a revolução verde que permitiu o florescimento da agricultura asiática. De 1970 a 2007, por exemplo, a produção de cereais no sul da Ásia aumentou 137% mas utilizou apenas mais 3% da terra. Actualmente, 73% da água consumida globalmente na agricultura é gasta na Ásia.

O relatório salienta que os sistemas de irrigação em larga escala financiados pelo estado que conduziram a revolução verde ajudaram os países asiáticos a tornar-se auto-suficientes na produção alimentar e a reduzir a pobreza, ao criar empregos nas zonas rurais, mas esses sistemas tinham muitas consequências negativas para o ambiente, como poluição da água e redução da biodiversidade. Ao baixar o preço dos alimentos, também desencorajavam o investimento nos sistemas de irrigação.

O relatório foi motivado pelo pico dos preços dos alimentos de 2007–08, diz Aditi Mukherji, um dos autores principais. Essa crise alimentar recordou as pessoas da "ameaça eminente das décadas de 60 e 70 quando a Ásia achava que não seria capaz de alimentar a sua população", diz Mukherji. "Mas a face da Ásia mudou muito desde então." Mais pessoas vivem em cidades e procuram uma dieta mais variada, logo a procura de carne e fruta subiu mas os sistemas de irrigação estão concebidos para a produção de cereais.

"Muita da irrigação da década de 70 era feita por canais, irrigação de superfície", diz Colin Chartres, director-geral do IWMI. Esses sistemas de irrigação não são reparados desde a década de 90 por muitas razões, incluindo má manutenção por parte dos governos.

Muitos não estavam adequados às necessidades dos agricultores logo a principal alternativa a estes sistemas antiquados é permitir aos agricultores recolher água subterrânea por si próprios, a chamada irrigação atomística. O relatório apoia esta alternativa, desde que regulamentada com rigor.

 

A utilização desregulada da água subterrânea significa que apesar da irrigação superficial estar a diminuir na Ásia, a área total de terras irrigadas tem aumentado e os recursos limitados estão a escassear, diz o relatório. "O relatório pretende aumentar a produtividade da irrigação, não usando mais água mas tornando os sistemas de irrigação mais eficientes", diz Chartres.

Dois artigos recentes mostram que as reservas de água subterrânea asiáticas estão a diminuir muito mais depressa do que se pensava. James Famiglietti, da Universidade da Califórnia, Irvine, co-autor de um desses estudos, diz: "A região está num caminho claramente perigoso. A severidade do problema é igual à das alterações climáticas, talvez ainda maior, e pode ser exacerbado por elas. Não podemos ficar parados."

Mas, acrescenta ele, "os recursos de água subterrânea estão sob stress na maioria dos continentes". Nos Estados Unidos, por exemplo, a procura da irrigação está a colocar imensa pressão nas água subterrâneas tanto no Vale Central californiano, como no aquífero Ogallala nas planícies altas do centro do país.

O relatório apela à educação dos agricultores e de todos os que estão associados à irrigação, bem como ao investimento em programas que cortem a necessidade geral de água, como a construção de melhores estradas para que mais alimentos cheguem ao mercado. Também se sugere o envolvimento do sector privado na gestão da irrigação, aliviando os governos.

"Estamos optimistas", acrescenta Chartres. "A crise alimentar de 2007–08 apanhou-nos desprevenidos e foi um alerta. Se os países implementarem políticas para ajudar os agricultores com estas sugestões, deve ser possível fornecer alimento na Ásia nos próximos 30 a 40 anos."

 

 

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