2009-08-18

Subject: Protecção natural contra formas graves de malária

 

Protecção natural contra formas graves de malária

 

 

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Num estudo a ser publicado na mais recente edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), cientistas do Instituto Gulbenkian de Ciência demonstram que um fármaco antioxidante oferece protecção contra formas mortais de malária.

Esta descoberta tem implicações directas no tratamento desta doença devastadora, uma das principais causas de mortalidade a nível mundial, causada pelo parasita Plasmodium. Miguel Soares, investigador do estudo, e sua equipa já tinham provado que ao multiplicar Plasmodium dentro dos glóbulos vermelhos (as células que transportam o oxigénio dos pulmões para os tecidos) leva à ruptura destas células e à libertação de hemoglobina para a corrente sanguínea.
Aqui, a hemoglobina liberta os seus grupos heme (quatro centros de ferro através dos quais o oxigénio se liga á hemoglobina) e são estes grupos que causam os sintomas graves de malária.

Agora, neste novo estudo, os cientistas mostram que ratinhos infectados com Plasmodium produzem níveis elevados da enzima hem – oxigenase – 1 (HO-1), que degrada os grupos heme livres e, deste modo, protege ratinhos infectados das formas mais graves de malária. Além disso, o efeito da enzima HO-1 pode ser mimetizado por administração, a ratinhos infectados, do fármaco antioxidante N-acetilcisteína (NAC).

Segundo Miguel Soares, “o efeito antioxidativo da enzima HO-1 faz parte do sistema de defesa natural do hospedeiro, contra o parasita da malária. Confere uma forte protecção contra a doença, sem, surpreendentemente, interferir directamente com o parasita. Em alguns casos, é a própria reacção do hospedeiro contra o parasita que leva à morte do primeiro".

 

O efeito protector da enzima HO-1 permite que a resposta do hospedeiro leve à morte do parasita. Esta observação abre caminho a terapias alternativas que, ao contrário dos tratamentos existentes, não interfiram directamente com o parasita e reforçam o estado de saúde do hospedeiro. “Esta terapia será eficaz para proteger contra formas graves de malária, salvando vidas, tudo sem favorecer o aparecimento de estirpes de parasitas resistentes”.

E continua: “Por outro lado, as nossas descobertas poderão ter implicações para os tratamentos de outras doenças inflamatórias – esta é uma linha de investigação que estamos activamente a prosseguir no Instituto Gulbenkian de Ciência”.

(Fonte: CiênciaHoje)

 

 

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