2009-08-14

Subject: Por quê que os flamingos se apoiam numa só pata?/Por quê que as girafas têm o pescoço comprido?

 

Por quê que os flamingos se apoiam numa só pata?

 

 

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Phoenicopterus ruber ruberÉ é um dos mais simples mas ainda assim enigmáticos mistérios da natureza: por quê que os flamingos se apoiam numa só pata?

A questão foi colocada tanto por biólogos como por visitantes de jardins zoológicos por todo o mundo mas apesar das numerosas teorias que têm surgido, ninguém forneceu uma explicação definitiva.

Agora, depois de um estudo exaustivo de flamingos das Caraíbas em cativeiro, dois cientistas acreditam ter finalmente encontrado a resposta: os flamingos ficam de pé só sobre uma pata para regular a temperatura.

Matthew Anderson e Sarah Williams são psicólogos comparativos sediados na Universidade Saint Joseph de Filadélfia, interessados no estudo da evolução dos comportamentos. 

"Os flamingos captaram a minha atenção por variadas razões", diz Anderson. "Cientificamente falando, a sua natureza altamente gregária torna-os a espécie ideal para investigar influências sociais no comportamento, e esteticamente falando, são grandes, lindos e verdadeiros ícones. Mas talvez o mais importante tenha sido o facto de ter ficado muito surpreso ao descobrir a pouca investigação empírica sistemática e conduzida por hipóteses feita com estas aves."

A investigação de Anderson e Williams começou com o estudo da lateralidade em flamingos: se revelam alguma preferência sobre o lado do corpo que utilizam para diversas tarefas, tal como os humanos podem ser dextros ou canhotos.

Descobriram que os flamingos preferem descansar a com a cabeça de um dos lados do corpo e que o lado que o flamingo escolhe para pousar a cabeça determina o grau de agressividade para com os restantes membros do bando.

Isso levou-os a investigar se os flamingos também preferem ficar sobre alguma das patas preferencialmente, e daí, qual o motivo porque se apoiam apenas numa pata, testando empiricamente a questão pela primeira vez.

Para a investigação, Anderson e Williams passaram vários meses a observar os hábitos de flamingos das Caraíbas Phoenicopterus ruber em cativeiro no Jardim Zoológico de Filadélfia, onde os animais têm anilhas que os identificam individualmente.

Primeiro examinaram se apoiar-se apenas numa pata reduz a fadiga das patas das aves ou se ajuda os flamingos a escapar mais rapidamente de predadores encurtando o tempo que demoram a levantar voo, ambas as situações razões vulgarmente apresentadas para a postura unipedal de repouso dos flamingos.

Os cientistas eliminaram cada uma delas pois a sua pesquisa mostrou que os flamingos levavam mais tempo, e logo mais energia, para se deslocarem depois de descansarem sobre uma pata por oposição a descansar sobre as duas. As aves também não revelavam preferências sobre a pata que escolhiam.

Ficar sobre uma pata também não ajuda no equilíbrio das aves quando está vento, outra ideia que tinha sido proposta.

No entanto, os investigadores descobriram que os flamingos preferem ficar só sobre uma pata muito mais frequentemente quando estão na água que em terra, relatam eles na última edição da revista Zoo Biology. "Como a água inevitavelmente retira mais calor corporal, este resultado apoia a hipótese de termorregulação", diz Anderson.

Resumindo, as aves ficam sobre uma só pata para conservar o calor do corpo. Se colocassem as duas patas na água perderiam mais calor do que seria saudável, particularmente importante por passarem tanto tempo em busca de alimento na água.

"Os resultados fornecem evidências definitivas de que a termorregulação é a principal função do descanso unipedal em flamingos", confirma Anderson.

Provavelmente, o motivo porque as aves alternam entre uma pata e outra é para evitar que aquela que está mergulhada na água arrefeça demasiado. "Se ficassem numa só pata consistentemente arriscavam-se a uma maior perda de calor e possíveis danos aos tecidos devido ao frio."

Os investigadores também descartaram outras teorias mais estranhas, como a que sugere fica sobre uma só pata ajuda a melhorar a circulação sanguínea ao limitar os efeitos da gravidade, mas não eliminam a ideia de que possam existir outros efeitos benéficos, para além da conservação do calor.

"Dado o estilo de vida aquático dos flamingos, também o descanso unipedal ajude a reduzir a carga de parasitas ou de fungos", diz Anderson. Outras aves, como as garças, cegonhas, patos e muitas outras também ficam muitas vezes só sobre uma pata na água, quem sabe se pelas mesmas razões que os flamingos, mas estes ficam mais tempo na água para se alimentarem, logo ainda tudo é especulação. 

 

Outras Notícias:

Por quê que as girafas têm o pescoço comprido?

Durante séculos os peritos têm debatido a forma como o pescoço da girafa ficou tão longo. Alguns dizem que ajuda a girafa a alimentar-se de folhas que outros animais não alcançam, outros sugerem que evoluiu em consequência de as girafas terem patas longas, mas poucas evidências existem que apoiem qualquer uma delas.

E agora, uma das hipóteses mais recentes também foi deitada por terra: as girafas não têm pescoço longo como um sinal sexual, demonstraram os cientistas, o que deixa mais uma vez a sua origem envolta em mistério.

Na revista Zoology, Graham Mitchell, da Universidade do Wyoming em Laramie, e os seus colegas John Skinner e S J van Sittert, ambos da Universidade de Pretoria, África do Sul, relatam que não há consenso sobre a origem do pescoço da girafa.

A teoria com mais apoio, dizem eles, é que o pescoço confere uma vantagem na alimentação, permitindo à girafa alcançar folhas acima do alcance de gazelas e antílopes.

Investigação mostrou que ter pescoço comprido realmente confere vantagem quando as folhas mais abaixo já foram comidas e também ajuda as girafas a alcançar as folhas mais ao centro de árvores baixas, mas as girafas tendem a preferir certos tipos de folha e não folhas a certa altura, o que sugere que a competição por diferentes tipos de folha não levaria naturalmente a pescoços longos.

Outra hipótese é que as girafas ficaram com patas mais longas para fugir de predadores e precisavam de pescoço igualmente longo para alcançar o solo para beber.

Mais recentemente, outra ideia popular emergiu: a que selecção natural, e não a selecção natural, terá conduzido a evolução do pescoço da girafa.

A ideia é que, ao longo de gerações, os machos desenvolveram pescoços mais longos para dominar os rivais nas lutas pela afeição das fêmeas. O facto de os machos lutarem pela dominância de forma única, batendo-se e empurrando-se com o pescoço, o que leva os machos com os pescoços mais compridos e pesados a ganharem, foi avançada como evidência dessa hipótese.

Assim, Mitchell decidiu colocar a hipótese da selecção sexual em jogo examinando 17 machos e 21 fêmeas. Se os pescoços longos fossem uma característica seleccionada sexualmente, seria de esperar encontrar várias coisas:

  • pescoços longos deviam ser mais exagerados nos machos que nas fêmeas; 

  • o pescoço devia evoluir para se tornar maior que outras partes do corpo da girafa; 

  • o pescoço não deveria conferir nenhuma vantagem imediata para a sobrevivência e podia mesmo apresentar custos elevados. 

Os seus resultados não apoiam nenhuma destas proposições.

Não encontraram diferenças significativas entre o tamanho relativo do pescoço dos machos e das fêmeas, e ainda que as girafas invistam mais no crescimento do seu pescoço que noutras partes do corpo durante o desenvolvimento, ambos os sexos têm investimento igual. Há poucas provas que indiquem que o pescoço longo tenha custos elevados para os machos, pois eles não são mais vulneráveis a predadores que as fêmeas.

Nunc aserá possível provar de forma conclusiva que vantagens seleccionaram evolutivamente o pescoço das girafas, dizem os investigadores mas pode-se dizer que as vantagens obtidas não são sexuais. "Explicações melhores para o alongamento do pescoço têm que ser encontradas noutro lado", escrevem eles. 

 

 

Saber mais:

Matthew Anderson

Journal of Zoology

Bico do tucano - um segredo quente

 

 

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