2009-08-09

Subject: Esquemas de geoengenharia sob escrutínio

 

Esquemas de geoengenharia sob escrutínio

 

 

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Pinatubo A geoengenharia, a manipulação deliberada do clima para contrapor o aquecimento global, pode não estar pronta para avançar já mas a pressão para se financiar mais investigação sobre ela está a aumentar.

Esta semana, a Novim, um grupo de trabalho sediado em Santa Barbara, Califórnia, publicou um relatório que investiga a exequibilidade de um dos esquemas de geoengenharia mais doidos de que já se ouviu falar: bombear partículas minúsculas para a atmosfera superior para bloquear a luz do Sol e desencadear um arrefecimento global.

"É o relatório técnico mais sério até à data", diz David Keith, da Universidade de Calgary em Alberta, Canadá, que estuda a geoengenharia há duas décadas. Keith foi um dos autores do relatório, que foi liderado por Steve Koonin, agora cientista chefe do Departamento de Energia dos Estados Unidos, e Jason Blackstock, do Instituto Internacional de Análise Aplicada de Sistemas de Laxenburg, Áustria.

Entre outras coisas, conclui que pulverizar aerossóis contendo sulfato, para imitar os efeitos de arrefecimento de uma erupção vulcânica importante, é tecnicamente possível mas os desafios políticos e éticos enfrentados por uma intervenção a nível global desse tipo permanecem desconhecidos, tal como os seus efeitos secundários indesejados.

Esses potenciais efeitos secundários podem incluir alteração irrevogável dos padrões de precipitação, defendem Gabriele Hegerl, do Instituto Grant de Edimburgo, e Susan Solomon, da National Oceanic and Atmospheric Administration em Boulder, Colorado, num artigo publicado online na Science a 6 de Agosto.

Elas citam a erupção de 1991 do Monte Pinatubo na ilha Luzon das Filipinas, que injectou partículas de enxofre para a alta atmosfera causando a queda dramática da precipitação e fluxo dos rios a nível global. "Os esquemas de geoengenharia optimizados para cancelar o aquecimento global devido aos gases de efeito de estufa levarão a um ciclo hidrológico global menos intenso e a importantes alterações a nível regional", concorda Philip Duffy, investigador da Climate Central de Palo Alto, Califórnia.

 

Duffy e Keith estiveram presentes em Albuquerque, New México, na conferência anual da Ecological Society of America. Participaram num simpósio a 6 de Agosto com o objectivo de divulgar o campo perante os ecologistas, campo até agora dominado por peritos climáticos.

Os esquemas de geoengenharia são famosos por soarem algo doidos. O esquema do sulfato estudado no relatório Novim exigiria mangueiras ou canhões gigantes para lançar as partículas para o ar. Outros planos exigem a instalação de dezenas de espelhos em órbita para bloquear a luz solar ou a fertilização de vastas zonas do oceano com ferro para desencadear o crescimento de algas que absorvem o dióxido de carbono do ar.

Keith salientou que o público e os investigadores confundem frequentemente as duas abordagens principais à geoengenharia: a gestão da radiação solar, que tem como objectivo bloquear a luz através de técnicas como espelhos ou aerossóis, e a engenharia do ciclo do carbono, que usa técnicas como a fertilização do oceano. A gestão solar é relativamente barata e rápida mas tem efeitos desconhecidos sobre o sistema climático, a engenharia do ciclo do carbono é lenta e dispendiosa "mas retira o carbono", diz ele.

Keith e os restantes autores do relatório Novim defendem que a investigação deve começar pelos efeitos em pequena escala das experiências de geoengenharia. O relatório recomenda, por exemplo, trabalhos preliminares na determinação da melhor forma de colocar e dispersar o aerossol sulfuroso e sobre a forma como o vento as espalharia na atmosfera. 

O relatório não apresenta números sobre os custos deste tipo de pesquisa, nem identifica que país deve liderar as acções, apela a "processos internacionais" para o desenvolvimento de directrizes para a coordenação de respostas potenciais. 

 

 

Saber mais:

Relatório Novim sobre engenharia do clima

Experiência de fertilização do oceano debaixo de fogo

 

 

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