2009-08-07

Subject: Gralha inteligente recria fábula ancestral

 

Gralha inteligente recria fábula ancestral

 

 

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Christopher BirdUma das fábulas de Esopo pode muito bem ter sido baseada em factos, relatam os cientistas.

Na conhecida fábula, escrita há mais de 2 mil anos e posteriormente adaptada por La Fontaine, um corvo usa pedras para subir o nível da água num jarro de forma a alcançar o líquido para saciar a sede.

Agora um estudo publicado na última edição da revista Current Biology revela que as gralhas-calvas, um parente próximo dos corvos, fazem o mesmo quando se lhes apresenta uma situação semelhante.

A equipa de investigadores diz que o estudo mostra que as gralhas-calvas são utilizadores de ferramentas inventivos e inovadores, mesmo que não as utilizem na natureza.

Outro artigo, publicado na última edição da revista Plos One, mostra que os corvos da Nova Caledónia, que, tal como as gralhas, são membros da família dos corvídeos, usam três ferramentas em sucessão para alcançar uma guloseima.

A fábula do corvo e do jarro foi usada por Esopo para ilustrar que a necessidade é a mãe da invenção mas até agora a moral da história não parecia ter factos na sua base.

Para investigar esta situação com mais detalhe, uma equipa da Universidade de Cambridge e da Universidade de Londres Queen Mary (QMUL), colocou a gralhas-calvas em cativeiro um conjunto de análogos da fábula.

Foi mostrado às aves um tubo transparente contendo uma pequena quantidade de água, onde flutuava um insecto fora do alcance do bico, bem como uma pilha de pedras.

Nathan Emery, co-autor do artigo e da QMUL, recorda: "As gralhas teriam que colocar várias pedras no tubo até que o insecto flutuasse até ficar ao alcance." E as quatro aves fizeram isso mesmo.

Duas delas, baptizadas Cook e Fry, subiram o nível de água o suficiente para recolher o alimento flutuante logo da primeira vez que o teste lhes foi apresentado, enquanto outras duas, Connelly e Monroe, foram bem sucedidas na sua segunda tentativa.

Vídeos das experiências mostram as gralhas a avaliar o nível da água espreitando o tubo de cima e de lado, antes de escolherem e deixarem cair as pedras na água. As aves foram extremamente rigorosas, usando o número exacto de pedras necessário a subir o insecto a uma altura e que o podiam alcançar.

Noutra experiência, as gralhas foram colocadas perante um cenário semelhante mas desta vez com uma combinação de pedras grandes e pequenas.

De modo geral, diz Emery, as gralhas optaram pelas pedras maiores, subindo o insecto para perto do topo mais rapidamente. "Elas foram o mais eficientes possível." E quando lhes era dada a possibilidade de escolher entre um tubo com água e outro com serradura, as aves optavam preferencialmente pelo cheio de líquido.

Os investigadores dizem que as suas descobertas sugerem que a ancestral fábula de Esopo pode ter sido baseada em factos reais. "No folclore raramente se consegue perceber a que tipo de corvídeo se refere, logo o corvo de Esopo pode muito bem ter sido a gralha de Esopo."

A mesma equipa de investigadores já tinha demonstrado que as gralhas eram capazes de usar diferentes ferramentas para resolver uma variedade de problemas complexos. Emery recorda: "Eu costumava dizer, há dois ou três anos, que tudo o que elas faziam me surpreendia mas agora, com tantas descobertas espantosas, quase que já estou sempre à espera que elas façam a coisa mais inteligente."

 

Os únicos outros animais que se sabe terem sido capazes de resolver a fábula de Esopo foram orangutangos. Christopher Bird, co-autor do artigo, acrescenta: "Os corvídeos são espantosamente inteligentes e em muitas formas rivalizam com os grandes símios na inteligência física e capacidade para resolver problemas."

Isso mesmo comprova outro estudo também agora conhecido.

Betty (Behavioural Ecology Group)Uma equipa da Universidade de Oxford descobriu que corvos da Nova Caledónia eram capazes de utilizar três ferramentas em sucessão para alcançar uma recompensa.

Estas aves, nativas da ilha do Pacífico da Nova Caledónia, utilizam ferramentas na natureza, construindo-as a partir de ramos para com elas recolher larvas de fendas e buracos, mas o estudo vai mais além.

Corvos em cativeiro foram colocados perante vários tubos horizontais. Um dos tubos continha alimentos fora do alcance e os outros continham ganchos de comprimento longo e médio, igualmente fora do alcance do bico. Um gancho mais pequeno foi colocado por perto, à disposição das aves.

Os investigadores descobriram que as aves apanhavam a ferramenta mais curta e usavam-na para puxar a ferramenta média, que, por sua vez, era usada para puxar a ferramenta longa e, finalmente, esta era usada para obter o alimento.

Quatro das sete aves testadas foram capazes de usar as três ferramentas na ordem correcta, referem os investigadores. Alex Kacelnik, um dos autores do artigo do Grupo de Ecologia Comportamental de Oxford, diz: "A essência do nosso artigo é tentar compreender o processo mental usado pelo animal para alcançarem os seus objectivos."

Segundo ele, a complexidade da tarefa tornava improvável que os corvos a resolvessem através de tentativa e erro. "Sabemos que os animais provavelmente o fazem juntando, de forma criativa, coisas que aprenderam individualmente." 

 

 

Saber mais:

Gralha-calva usa pedras para subir nível da água - vídeo

Gralha-calva selecciona pedras - vídeo

Corvo da Nova Caledónia utiliza três ferramentas em sucessão - vídeo

Gralhas-calvas revelam espantosa perícia com ferramentas

Os corvos mais inteligentes optam por duas ferramentas

Corvos no topo da escala de QI das aves

Corvos mudam de lado para usar ferramentas

 

 

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