2009-08-06

Subject: Pescadores atacam golfinhos do Amazonas

 

Pescadores atacam golfinhos do Amazonas

 

 

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Tucuxi (Sotalia fluviatilis)

Os golfinhos de água doce da bacia do Amazonas estão a ser atacados e mortos por pescadores locais. Os conservacionistas descobriram vários golfinhos do Amazonas e tucuxis que tinham sido atacados com machetes, arpoados e deixados para morrer.

Os pescadores atacamos golfinhos por medo que eles lhes estejam a roubar o peixe e a destruir as artes de pesca. Algumas das mortes também podem ter tido origem em fortes tabus culturais que consideram que estes animais trazem má sorte.

A descoberta dos golfinhos moribundos ocorreu durante a realização de um censo conduzido para analisar a taxa de mortalidade dos golfinhos e manatins amazónicos organizado pelos investigadores do Instituto para o Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá em Tefe, Brasil.

Durante o censo, a equipa de investigação liderada por Miriam Marmontel e Carolina Loch recuperou 18 golfinhos mortos, seis dos quais eram golfinhos do Amazonas Inia geoffrensis, também conhecidos por golfinhos rosados, e 12 eram tucuxis Sotalia fluviatilis, outra espécie que vive na bacia do Amazonas e que é mais aparentada com os golfinhos oceânicos.

Três dos golfinhos apresentavam ferimentos pouco vulgares. "Estas lesões eram reconhecidamente marcas feitas com machetes e arpões", diz Loch.

Os golfinhos foram encontrados em duas zonas adjacentes. As carcaças de tucuxis foram encontradas a flutuar no lago Amana, no interior da área protegida conhecida por Reserva para o Desenvolvimento Sustentado de Amana, e o golfinho do Amazonas morto foi encontrado a flutuar no lago Tefe, uma zona não protegida. Os dois locais fazem parte do estado brasileiro do Amazonas, no noroeste do país.

Ainda mais importante, nenhuma parte do corpo dos golfinhos tinha sido recolhida, relatam os investigadores na última edição da revista Biodiversity and Conservation. Em algumas zonas da bacia amazónica, particularmente na Colômbia e Brasil, os golfinhos são mortos para a venda de partes do seu corpo.

"Os órgãos genitais e os olhos dos tucuxis e dos golfinhos do Amazonas são vendidos como amuletos nos mercados populares de algumas cidades da Amazónia", explica Loch. 

Segundo ela, há uma tendência crescente para usar carne e gordura de golfinho do Amazonas como isco para a captura do peixe necrófago piracatinga Calophysus macropterus. "Esta prática é provavelmente generalizada no Amazonas brasileiro e pode ameaçar severamente a conservação do golfinho do Amazonas."

 

Mas as carcaças encontradas não foram molestadas, para além dos golpes fatais, o que significa que os pescadores estão a matar os golfinhos simplesmente para os eliminar e não para os explorar.

"Os mamíferos aquáticos, como as baleias, golfinhos e leões marinhos, são frequentemente apontados com competidores indesejados pelos recursos pesqueiros", diz Loch. "Este sentimento também é generalizado na região amazónica, especialmente entre os pescadores."

A equipa de Loch pensa que os pescadores suspeitam que os golfinhos estão a capturar demasiado peixe, tanto no rio como nas suas redes, bem como a danificar-lhes o equipamento no processo.

As crenças populares, mitos e superstições também podem ser a causa de algumas das mortes. Por exemplo, em algumas partes da Amazónia, o golfinho do Amazonas é tradicionalmente visto como uma criatura tempestuosa e enganadora, tanto respeitada como temida. Em casos extremos, pensa-se que os golfinhos se transformam em homens atraentes que vêm a terra seduzir as mulheres jovens, o que explica porque os seus órgãos reprodutores são vendidos como talismãs.

Mas essas crenças tanto podem proteger os golfinhos, como podem levar as pessoas a matá-los por medo ou para impedir as gravidezes adolescentes inesperadas.

Os investigadores consideram que a descoberta das três carcaças sugere que mais golfinhos amazónicos estão a ser mortos intencionalmente e a prática coloca uma ameaça significativa à sua conservação.

Um programa abrangente de educação tem que ser lançado para mitigar o problema, diz Loch. "As actividades de educação ambiental com crianças de escola são fundamentais para evitar este tipo de conflito no futuro."

"Os golfinhos amazónicos desempenham um papel importante na cultura local da Amazónia e os aspectos positivos desta influência devem ser reforçados e encorajados. Os mitos e lendas negativos associados a gravidezes indesejadas e ao encantamento de pessoas devem ser respeitados como parte da sua cultura mas devem ser clarificados e as atitudes negativas para com os animais devem ser desencorajadas." 

 

 

Saber mais:

Instituto para o Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá

Golfinhos estrangulados por redes de pesca

Golfinho corteja parceiros com ramos e algas

ONU apela ao aumento da protecção aos golfinhos

 

 

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