2009-08-05

Subject: Origem do cão doméstico desafiada

 

Origem do cão doméstico desafiada

 

 

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Dog in Ugandan village (SPL)

A sugestão de que o cão doméstico terá surgido no leste asiático foi desafiada por um estudo agora conhecido.

A enorme variedade genética dos cães encontrados no leste asiático tinha levado muitos cientistas a concluir que a domesticação teria começado nessa zona mas a nova pesquisa publicada na última edição da revista PNAS mostra que o DNA dos cães das aldeias africanas é igualmente variado.

Um grupo internacional de investigadores analisou amostras de sangue de cães do Egipto, Uganda e Namíbia.

Os cães actuais são descendentes dos lobos cinzentos euro-asiáticos, domesticados algures entre 15 e 40 mil anos, mas os autores do estudo dizem que o processo pelo qual a domesticação foi feita é muito pouco conhecido.

O cientista principal, Adam Boyko, do Departamento de Estatística Biológica e Biologia Computacional da Universidade de Cornell, diz que decidiu analisar os cães das aldeias porque são muito mais diversos geneticamente que os cães de raça, podendo, por isso, deter a chave para as origens da domesticação do cão.

A equipa analisou DNA de 318 cães de aldeias no Egipto, Uganda e Namíbia e mediu a sua diversidade genética.

Também analisaram a composição genética das raças de cães que s epensa terem origem africana, como por exemplo o Saluki, o Ridgeback da Rodésia e o galgos do Faraó, e comparou todos os dados com os resultados de cães de origem não africana, como os rafeiros de Porto Rico e outros cães sem pedigree dos Estados Unidos.

A ênfase nos cães das aldeias africanas surgiu porque os co-autores de Adam Boyko, o seu irmão e cunhada, estavam de viagem de lua-de-mel por África. Eles recolheram todas as amostras de sangue dos cães africanos.

A equipa descobriu que a diversidade genética entre os cães das aldeias africanas é tão grande como a dos cães do leste asiático, levando-os a questionar a hipótese de uma origem asiática para a domesticação do cão.

Boyko comenta: "Penso que isso significa que a conclusão que foi tirada antes pode ter sido prematura. É uma consequência de existirem muitos cães de rua amostrados na Ásia, quando comparado com outros locais."

 

"A razão porque o leste asiático parecia mais diverso que outros locais não era por a zona como continente ter cães mais diversificados mas porque os cães rafeiros e os cães das aldeias são mais diversificados que os cães de raça."

Ele não elimina a possibilidade de o leste asiático ter sido uma possível localização da origem do cão doméstico mas poderia ter sido noutro qualquer local da Eurásia onde existissem tanto lobos cinzentos como humanos.

O co-autor do estudo Paul Jones, do Centro Waltham para Nutrição de Animais de Estimação, refere: "É interessante a resposta à questão de onde os cães foram pela primeira vez domesticados e este estudo avança alguns passos em direcção a essa resposta."

A equipa está agora a recolher amostras de cães de rua e das aldeias através de toda a Europa e Ásia, de Portugal à Papua Nova Guiné, para determinar quais serão as áreas de maior diversidade genética.

Boyko diz que todos os cães amostrados no estudo apresentavam DNA de lobo cinzento logo ele não questiona a hipótese de os cães serem descendentes de lobos euro-asiáticos. 

Os resultados levaram a equipa a concluir que os cães das aldeias africanas actuais são um mosaico de cães indígenas descendentes dos primeiros migrantes para África.

Também avançaram alguma coisa na demonstração da origem de alguns cães com pedigree apresentados como de origem africana. Por exemplo, o Saluki partilha DNA com os cães das aldeias actuais do Egipto, tal como o galgo afegão, apesar do seu nome. Da mesma forma, o Basenji é geneticamente muito semelhante a alguns cães das aldeias da Namíbia e do Uganda actuais.

No entanto, o galgo do faraó e o Ridgeback da Rodésia têm muito pouco em comum com qualquer cão africano indígena, o que sugere que estas duas raças têm uma origem não africana. 

 

 

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