2009-08-04

Subject: Bactérias devoradoras de penas tornam aves mortiças

 

Bactérias devoradoras de penas tornam aves mortiças

 

 

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Sialia sialis

As aves de coloração brilhante podem ficar infectadas com bactérias que lhes devoram as penas, o que, por sua vez, afecta a saúde as aves e torna as penas mortiças.

A descoberta surge a partir de um estudo que descobriu que 99% dos bluebirds analisados no estado americano da Virginia estavam infectados com bactérias que degradam as penas. Essas bactérias foram descobertas pela primeira vez há uma década mas esta pesquisa é a melhor prova até à data de que afectam realmente a cor e a saúde das aves.

"As bactérias que degradam as penas são relativamente novas para os ornitólogos", diz Alex Gunderson, da Universidade de Duke em Durham, Carolina do Norte. "O primeiro relato da sua ocorrência em aves selvagens foi publicada apenas há dez anos."

Desde então, os cientistas descobriram que a maioria das espécies de aves selvagens provavelmente albergam algum tipo de bactéria destruidora das penas na sua plumagem, por vezes até mais que uma espécie.

As bactérias atacam as penas hidrolisando a proteína beta-queratina, que constitui mais de 90% da massa das penas mas geralmente apenas são encontradas numa minoria das aves amostradas, e, até agora, não era claro qual o real impacto que tinham sobre os seus hospedeiros.

Assim, Gunderson e os seus colegas Mark Forsyth e John Swaddle, do College of William and Mary em Williamsburg, Virginia, analisaram uma população de Eastern bluebirds Sialia sialis que vive na Virginia.

Descobriram que 99% de todas a aves estudadas transportavam bactérias devoradoras das penas, relatam eles na última edição da revista Journal of Avian Biology. Mais ainda, descobriram uma correlação entre a presença das bactérias e o brilho das penas das fêmeas, com mais bactérias a causarem penas mais mortiças.

"Estas são algumas das melhores evidências de que as bactérias são activas nas penas de aves vivas", diz Gunderson. "As evidências são correlacionais logo há muito mais trabalho a ser feito para as comprovar mas realmente sugerem que as bactérias que degradam as penas podem ser uma força importante a influenciar a ecologia e a evolução das aves."

 

No entanto, as bactérias não parecem ter um impacto significativo na cor das penas dos machos, um exemplo raro de um parasita que é mais danoso para um sexo que para outro.

"Fiquei muito surpreso com o facto de a relação com as bactérias destruidoras das penas ser diferente para machos e fêmeas", explica Gunderson. "É possível que, porque os machos e as fêmeas diferem nos locais onde passam o tempo, cada um adquira diferentes espécies de bactérias, com diferentes efeitos. Também é possível que as diferenças fisiológicas entre machos e fêmeas resultem em efeitos diferentes. Tudo isto é apenas especulação e neste momento não temos resposta para essa questão."

Outro resultado importante foi o facto de a quantidade de bactérias também se relacionar com a condição corporal das aves, que se relaciona directamente com a saúde da ave e com o seu sucesso reprodutor.

De forma geral, os resultados sugerem que as bactérias que degradam as penas podem ter um impacto significativo na ecologia das aves.

As aves usam a cor da plumagem para publicitar a sua saúde, atrair parceiros e para a camuflagem, o que significa que as bactérias podem também afectar a evolução da cor das aves. "Se as bactérias influenciam negativamente a cor das penas, podem colocar uma pressão selectiva sobre as aves para que desenvolvam defesas contra elas", diz Gunderson.

"Há evidências de que certas características das aves são uma defesa contra as bactérias que degradam as penas. Por exemplo, sabemos que as penas coloridas através de pigmentos melanina são resistentes à degradação bacteriana e que o óleo que as aves aplicam na plumagem inibe o crescimento de algumas dessas bactérias."

"De modo geral, a compreensão da influência das bactérias que degradam as penas sobre as aves pode, até certo ponto, ajudar a explicar a evolução destas e de outras características das aves." 

 

 

Saber mais:

Alex Gunderson

Mark Forsyth

John Swaddle

 

 

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