2009-08-03

Subject: Abelhas avisam parceiras sobre flores perigosas/Defesa em grilos é feita de sangue e tripas

 

Abelhas avisam parceiras sobre flores perigosas

 

 

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Misumena vatia com vespaAs abelhas avisam-se umas às outras para evitarem flores perigosas, onde podem ser atacadas por predadores à espreita.

Os cientistas fizeram a descoberta colocando abelhas mortas em flores e observando a reacção das recém-chegadas ao perigo.

Descobriram que não apenas as abelhas passavam a evitar as flores, mas também comunicavam a ameaça quando regressavam à colmeia através da sua conhecida dança. A descoberta foi publicada na última edição da revista Animal Behaviour.

A dança das abelhas melíferas é um modo de comunicação surpreendentemente sofisticado. Quando as abelhas que tinham partido em busca de alimento regressam à colmeia, sacodem o corpo numa dança complexa, cuja linguagem foi decifrada pela primeira vez pelos biólogos há mais de 40 anos.

O ângulo e a direcção da dança da abelha transmite a distância e a direcção que as outras abelhas devem voar para alcançar flores que lhes forneçam alimento abundante. As abelhas também dançam quando regressam de fonte de alimento muito ricas em sacarose.

Mas agora os cientistas Kevin Abbott e Reuven Dukas, da Universidade McMaster em Hamilton, Ontário, Canadá, descobriam que as abelhas usam a dança para comunicar outras informações, para além da localização de flores.

Eles treinaram abelhas para visitarem duas flores artificiais contendo a mesma concentração de alimento. Deixaram uma delas intocada, tornando-a uma fonte 'segura' de alimento e na outra colocaram os corpos de duas abelhas mortas, visíveis para os insectos que chegavam mas que não interferiam com a alimentação.

Seguidamente registaram se e como as abelhas dançavam ao regressar para a colmeia. Em média, as abelhas que regressam de uma flor segura dançam 20 a 30 vezes mais que as que regressam de flores perigosas.

Isso demonstra que as abelhas reconhecem que certas flores representam um risco maior de serem mortas ou devoradas por predadores, como aranhas-caranguejo, que as emboscam nas flores. Mais ainda, têm esse risco em conta nas danças, conduzindo a colónia para longe das flores que podem ser perigosas. 

 

Outras Notícias:

Defesa em grilos é feita de sangue e tripas

Acanthoplus discoidalis

Os grilos de armadura têm uma forma bizarra de evitar ser devorados por predadores: esguicham sangue tóxico a partir de aberturas no corpo e vomitam o que acabaram de comer.

Alguns insectos, como escaravelhos, sangram activamente quando atacados mas os benefícios dessas medidas extremas não eram claros. Agora, os cientistas mostraram que a táctica realmente funciona para deter predadores como lagartos.

Os grilos de armadura Acanthoplus discoidalis são insectos ápteros e gorduchos que vivem no mato africano, na Namíbia, Botswana África do Sul. São relativamente grandes, atingindo os 5 cm de comprimento, com espinhos aguçados no tórax e patas e um par de fortes mandíbulas. Os machos produzem o som alto e característico esfregando partes do corpo umas nas outras num comportamento conhecido por estridulação.

Cada característica vem somar a um arsenal de mecanismos de defesa que os insectos usam para evitar serem devorados pelos predadores mas eles vão mais longe nos mecanismos invulgares de defesa.

Primeiro, regurgitam o que comeram e depois esguicham hemolinfa a partir de aberturas no dorso e debaixo das patas, situação que é conhecida mas cuja eficácia nunca tinha sido testada.

 

"Quando lhes mexia agarravam-se aos ramos e quando os puxava sentia logo o jacto de sangue vindo das patas", recorda o entomologista Bill Bateman, da Universidade de Pretoria, África do Sul. Por isso, Bateman e a colega Trish Fleming, da Universidade de Murdoch, Austrália, testaram as capacidades defensivas dos grilos de armadura.

Primeiro ele imitou os ataques dos predadores agarrando os insectos com pinças. Se agarrados a partir dos lados, os grilos estridulavam e tentavam morder o atacante. Cerca de dois terços das vezes também esguichavam hemolinfa de cheiro acre das articulações das patas e de trás do pescoço.

Quando atacados de cima, a direcção em que não conseguiam morder, os grilos deitavam sangue tóxico quase nove vezes em cada dez, relata Bateman na última edição da revista Journal of Zoology, editada pela Zoological Society of London. Por vezes o sangue atingia 6 cm de distância.

"O sangue é verde pálido e com um cheiro muito acre. Não tive coragem de o provar fresco mas deixa um sabor ácido como o do tabaco nos nossos dedos se não os lavarmos imediatamente", diz ele.

Seguidamente ele testou a reacção dos grilos à presença de duas espécies de lagartos: o dragão-barbudo Pogona vitticeps e o lagarto listrado Trachylepis punctatissima

Quando colocou um grilo macho numa gaiola com quatro dragões-barbudos, imediatamente um lagarto tentou devorar o insecto. O grilo esguichou sangue imediatamente, forçando o lagarto a largá-lo e retirar-se para limpar a boca. Depois disso, um segundo lagarto agarrou-o e teve o mesmo tratamento, pelo que o terceiro lagarto aproximou-se mas não atacou.

Bateman também testou o poder da hemolinfa e dos alimentos regurgitados pintando outra espécie de grilo mais pequeno com eles e observando se os lagartos os devoravam. Os lagartos devoraram todos os 24 grilos limpos mas frequentemente recusavam-se a comer os cobertos de hemolinfa e até mesmo os cobertos por regurgitado.

"O que me impressionou foi o facto de eles controlarem a libertação dependendo da forma como são agarrados", diz Bateman, descrevendo as acções dos grilos de armadura. "Se é a partir de cima, o sangue jorra e cobre-te as mãos, se agarrados a partir do lado, inclinam-se para esse lado, fazem um ruído e lançam sangue mesmo em direcção ao atacante. Qualquer predador fica coberto daquilo e as nossas experiências mostram que os lagartos não gostam mesmo nada."

Bateman diz que ficou surpreso com o grau de sofisticação das defesas do grilo. Por exemplo, eles direccionam o sangue de acordo com o ângulo de ataque e as fêmeas, que não estridulam, dependem dos jactos de sangue, dentadas e vómitos ainda mais que os machos.

No entanto, há um lado menos bom nesta defesa de sangue e tripas. Os grilos formam frequentemente enxames em busca de novas fontes de alimento, nomeadamente proteínas e sal, mas uma das melhores fontes de ambos são outros grilos e, se tiverem hipótese, devoram-se uns aos outros.

"Quando os enxames no mato africano encontram uma estrada, muitos ficam esmagados e os restantes juntam-se para os devorar, logo ainda mais são esmagados e sucessivamente, até que se forma uma panqueca ácida de grilos mortos e moribundos à beira da estrada, sangrando e atraindo mais canibais", diz Bateman.

Isso significa que qualquer grilo com hemolinfa no exterior do corpo atrai a atenção de outros grilos canibais que assumem que está ferido. "Os grilos que eu induzi a esguichar sangue limpavam-se rapidamente de qualquer gota que lhes ficasse nas patas quando voltavam para a colónia, provavelmente para evitar canibalismo", explica Bateman. "Vi outros grilos aproximarem-se de um ensanguentado e começarem a morder-lhe. Se estiver intacto, geralmente o grilo ensanguentado foge." 

 

 

Saber mais:

Reuven Dukas

Zoological Society of London

 

 

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