2009-08-02

Subject: Aves nascem a temer o vermelho

 

Aves nascem a temer o vermelho

 

 

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Os tentilhões evitam instintivamente os competidores de cor vermelha, em vez de aprenderem a temer a cor durante a sua experiência de vida, conclui-se numa investigação australiana agora conhecida.

Os resultados estão a tentar os investigadores a suspeitar que noutros animais, incluindo nós próprios, o carácter agressivo e intimidatório do vermelho pode estar gravado no cérebro de nascença.

Dúzias de experiências mostraram que o vermelho intimida os competidores. Em humanos, estar vestido de vermelho melhora as hipóteses de vitória no desporto. Estudos também revelaram que o vermelho está associado a agressividade e dominância em peixes, répteis e aves, mas se o medo do vermelho é inato ou aprendido é um "mistério por resolver", diz Robert Barton, antropólogo da Universidade de Durham.

Sarah Pryke, da Universidade Macquarie em Sidney, testou esta questão com tentilhões australianos Erythrura gouldiae. Em adultos, os tentilhões desenvolveu cabeças pretas ou vermelhas, uma característica determinada geneticamente. As aves de cabeça vermelha são agressivas, dominantes e evitadas pelas restantes.

Para descobrir se estas características são aprendidas ou inatas, Pryke examinou a competição entre tentilhões australianos jovens, cujas cabeças eram ainda todas acinzentadas.

Primeiro ela criou tentilhões geneticamente destinados a ter a cabeça vermelha com progenitores de cabeça preta, criou outros destinados a ter cabeça preta com progenitores de cabeça vermelha e deixou outros ainda a ser criados por progenitores do mesmo grupo de cor. Em competição encenada pelos investigadores por alimento nestas aves jovens, foi o tamanho do corpo e não o destino genético ou ambiente de criação que decidiu o vencedor.

Foi, então, permitido aos juvenis de cor mortiça que se misturassem com os adultos de cabeça preta e vermelha ou colocados em isolamento. Finalmente, as cabeças foram pintadas de forma aleatória de vermelho, preto ou um azul controlo.

Mais uma vez Pryke colocou frente a frente pares de aves esfomeadas perante comida e, depois do conflito, inferiu o grau de stress em cada ave medindo os níveis sanguíneos da hormona corticosterona.

Os juvenis de cabeça pintada de vermelho ganharam as competições com juvenis não vermelhos 81,5% das vezes, independentemente da cor de cabeça que iriam eventualmente desenvolver. Juvenis que enfrentaram oponentes de cabeça vermelha revelaram níveis de corticosterona 57,6% mais elevados que as aves que enfrentaram oponentes de cabeça azul ou preta.

 

"Como os tentilhões experimentalmente vermelhos ganharam as competições é interessante: os seus oponentes simplesmente afastaram-se, não é como se as aves de cabeça vermelha falsa se tornassem de repente mais agressivas", recorda Pryke.

Os resultados sugerem que as aves não evitam o vermelho apenas por terem aprendido por experiência a teme-lo. As condições de criação e a experiência prolongada com adultos vermelhos agressivos não fez diferença para a resposta agressiva individual ou para os níveis de stress. "Isto sugere que os tentilhões australianos já chocam do ovo a 'saber', digamos, que o vermelho deve ser evitado", diz Pryke.

"Existem muitos exemplos na literatura que sugerem uma tendência evolutiva para o vermelho como sinal inato de agressão mas Pryke foi a primeira a mostrar experimentalmente de forma explícita que é realmente verdade ... independentemente do pano de fundo genético e ambiental", diz Mats Olsson, que trabalha em ecologia evolutiva na Universidade de Wollongong na Nova Gales do Sul, Austrália.

O que permanece pouco claro é o motivo porque o vermelho é a cor da intimidação. O branco e o azul são usados regularmente como cores de aviso em plantas e animais, tanto como o vermelho, diz Pryke, logo é surpreendente que o medo inato do vermelho tenha emergido através da selecção natural.

"Pode haver algo acerca do vermelho que é particularmente dispendioso de produzir ou manter, o que o tornaria um sinal muito 'honesto' que outros animais teriam que respeitar", pensa Barton. Muitos primatas, incluindo humanos, revelam ira ou dominância trazendo sangue oxigenado para a superfície da pele. Esta situação origina uma coloração vermelha mas à custa do desvio de sangue de tecidos vitais.

Barton também sugere que a alta visibilidade de se tornar vermelho, que aumenta o risco de ser detectado por predadores ou rivais, pode sugerir aos outros da mesma espécie que o animal é suficientemente duro para lidar com o facto de ser mais conspícuo. 

"Considerando este estudo e todos os associados aos uniformes vermelhos no desporto, é tentador suspeitar que no Homem, como nas aves, também é inato o vermelho assinalar agressão e intimidação", acrescenta o neurocientista Mihai Moldovan, da Universidade de Copenhaga. 

 

 

Saber mais:

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