2009-08-01

Subject: Cientistas chegam a acordo sobre saúde dos stocks pesqueiros globais

 

Cientistas chegam a acordo sobre saúde dos stocks pesqueiros globais

 

 

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Cientistas da área da pesca e conservacionistas puseram de lado as suas divergências para colaborar num estudo sobre a pesca comercial sobreexplorada.

Concluíram que esses ecossistemas podem ser reanimados e geridos de forma sustentável com técnicas já existentes mas que essas medidas estão a ser aplicadas de forma muito desgarrada por todo o mundo.

O estudo assinala um raro consenso entre os dois campos. Ambos reconhecem que a pesca excessiva é um problema sério mas discordam fortemente sobre até que ponto a situação é má e quais as medidas mais eficazes para a remediar.

Agora, investigadores de ambos os lados do debate uniram-se numa colaboração liderada pelo ecologista Boris Worm, da Universidade Dalhousie em Halifax, Nova Escócia, Canadá, e pelo investigador das pescas Ray Hilborn, da Universidade de Washington, Seattle. Eles concluíram que os esforços para controlar a pesca excessiva estão a começar a mostrar sucesso em vários ecossistemas mas ainda não reverteram a tendência global de destruição dos stocks individuais de peixe.

"Foi muito surpreendente que a taxa de exploração tenha diminuído em vários ecossistemas", diz Worm. "Isso mostra que não precisamos de esperar que alguém descubra uma cura mágica para a sobreexploração, já temos as ferramentas à nossa disposição."

Daniel Pauly, da Universidade da Colúmbia Britânica em Vancouver, Canadá, considera que foi "muito audaciosa a união de Hilborn e Worm. Muitos pensavam, incluindo eu, que daqui não ia sair nada devido à animosidade entre os dois. Claro que nunca devia ter existido um conflito em primeiro lugar, quando um stock é esgotado é tão mau para a ecologia como para as pescas."

O conflito tinha atingido o seu clímax em 2006, quando Worm sugeriu que todas as pescas entrariam em colapso em 2048. Hilborn e outros contrariaram a profecia apocalíptica salientando histórias de sucesso das pescas.

"A controvérsia salientou que havia duas visões muito diferentes", diz Worm. "Estamos ambos motivados para melhorar o estado das pescas, logo quisemos encontrar algum consenso sobre onde estamos e para onde estamos a ir."

Os vinte e um autores do novo estudo, publicado na revista Science, juntaram-se num grupo de trabalho apoiado pelo Centro Nacional de Análise e Síntese Ecológica, sediado na Universidade da Califórnia, Santa Barbara. Construíram bases de dados abrangentes recolhendo três tipos de informação sobre o peixe: capturas da pesca, censos de investigação e avaliações de stocks individuais.

 

Seguidamente fizeram correr os dados através de modelos de ecossistemas para calcular a proporção de peixe que poderia ser capturado mantendo as capturas máximas para cada espécie no ecossistema, algo conhecido por capturas multi-espécie máximas sustentáveis (CMMS).

Os autores focaram-se em dez ecossistemas bem caracterizados. Em cinco ecossistemas sobreexplorados descobriram que as taxas de pesca se tinham reduzido desde a década de 90 para níveis iguais ou abaixo do CMMS, o que tinha permitido a alguns stocks esgotados recuperar. 

Os cinco ecossistemas em recuperação (Islândia, Newfoundland e Labrador, plataforma americana nordeste, plataforma australiana sudeste e corrente californiana) tinham todos usado diferentes combinações de práticas de gestão tradicional, incluindo restrição de artes, áreas proibidas e redução de quotas.

"A maior surpresa foi quanto progresso tinha sido feito nas regiões vistas como 'as mal comportadas' das pescas", diz Hilborn. "Isso mostra que temos as ferramentas para gerir as pescas e que elas funcionam muito bem."

Mas a fotografia não é toda cor-de-rosa: cerca de dois terços dos stocks mundiais continuam a ser pescados acima da sua capacidade máxima sustentável. Hilborn acredita que este declínio contínuo "não se deve a falta de conhecimento científico", mas é antes o resultado de pressões económicas competitivas e fraca aplicação das normas de gestão.

"As descobertas demonstram que a diferença entre o que podíamos fazer e o que realmente fazemos é enorme na maior parte do mundo", diz Pauly. "Temos aqui algumas pescas que funcionam, por que não são todas assim? Particularmente na Europa e no Japão, onde há todas as condições para uma pesca sustentada."

Worm diz que tem agora mais esperança do que tinha em 2006, mas "ainda há problemas enormes na maior parte do mundo, onde há menos gestão e menos fiscalização, não podemos ser complacentes".

 

 

Saber mais:

National Center for Ecological Analysis and Synthesis

Comissão Europeia apela a cortes nas pescas

Especialistas defendem novo paradigma de protecção dos oceanos e de gestão das pescas

Pesca excessiva muito pior do que se pensava

Profundos problemas

 

 

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