2009-07-30

Subject: Alforrecas ajudam a misturar os oceanos?

 

Alforrecas ajudam a misturar os oceanos?

 

 

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Pequenos organismos marinhos como as alforrecas podem contribuir para a mistura dos oceanos ao arrastar a água consigo ao nadar, revela um novo estudo.

O movimento colectivo dos animais pode gerar um agitar da mesma ordem de grandeza que os ventos e as marés, sugerem os autores.

Alguns cientistas estão cépticos em relação a este processo desempenhar um papel substancial na mistura dos oceanos terrestres mas se apoiada por mais evidências, a descoberta pode afectar modelos que incorporam a mistura dos oceanos nas simulações do clima passado e futuro.

"É um mecanismo muito intrigante", diz o físico oceânico Eric Kunze, da Universidade de Victoria, Canadá, que não esteve envolvido no trabalho. Até que sejam recolhidos mais dados, no entanto, "nem sequer sabemos se o processo é importante para o oceano".

Estudos anteriores sugerem que pequenos mas abundantes animais como o krill podem ajudar a empurrar água rica em nutrientes em direcção à superfície ao criar turbulência no seu rasto mas os críticos defendem que este tipo de eddies rapidamente desapareceriam.

Agora, o investigador da mecânica de fluidos John Dabiri e o seu aluno Kakani Katija, do Instituto de Tecnologia da Universidade da Califórnia em Pasadena, investigaram um mecanismo diferente, relatado pela primeira vez pelo biólogo evolutivo homónimo e neto de Charles Darwin em 1953. Quando um objecto se desloca através de um fluido, sugeriu ele, arrasta parte desse líquido consigo.

Os dois modelaram o mecanismo de Darwin para um leque de viscosidades, semelhantes às encontradas pelos animais na água do mar, e descobriram que um objecto arrasta consigo mais fluido à medida que a viscosidade aumenta. Objectos do tamanho de plâncton marinho arrastavam quatro vezes o seu volume em fluido deslocando-se apenas alguns comprimentos corporais.

Os investigadores também estudaram alforrecas enquanto nadavam através de nuvens de corante num lago na ilha do Pacífico de Palau. Um rasto de corante seguia cada animal, tal como o mecanismo de Darwin previa. Usando uma câmara equipada com laser, a equipa mediu o movimento do corante e o agitar das partículas em suspensão no rasto do animal. Noventa por cento da mistura da água proveio do mecanismo de Darwin e não da turbulência do rasto, relatam eles na revista Nature.

 

O mecanismo de Darwin pode produzir cerca de 1 trilião de watts de potência nos oceanos mundiais, a mesma ordem de magnitude que o vento ou as marés, estimam eles. "Precisamos de ver que os animais não estão apenas a responder ao oceano, eles estão activamente a conduzi-lo em certos locais", diz Dabiri.

Mas outros ainda não estão convencidos. Dado que a água que está a ser puxada para cima é mais densa, eventualmente irá voltar a cair e não viajará com o animal, defende André Visser, oceanógrafo da Universidade Técnica da Dinamarca em Charlottenlund. "Esta longe de ser convincente, pelo menos para mim."

Dabiri concorda que a água pode voltar a pousar rapidamente em alguns locais mas considera que este processo de queda ainda gera mistura. Se os animais se deslocarem em grupos densos, o fluido a descer de um animal pode ser captado por outro.

Se os animais a nadar afectam de forma significativa na realidade, então os modeladores do clima vão enfrentar um "desafio proibitivo", diz o oceanógrafo físico Carl Wunsch, do Instituto de tecnologia do Massachusetts em Cambridge.

Por exemplo, os cenários climáticos futuros teriam que ter em conta as alterações nas populações animais, o que coloca "questões bizarras", como o efeito da pesca do bacalhau na circulação oceânica, diz Wunsch. O mecanismo de Darwin também pode afectar a sequestração de carbono, sugere Dabiri, pois a queda de matéria fecal e outros detritos orgânicos pode arrastar água contendo carbono dissolvido para o fundo.

Por enquanto as opiniões estão divididas, diz Wunsch. "Mas se surgir um consenso, a comunidade de modelação do clima vai ter que dar atenção." 

 

 

Saber mais:

John Dabiri

Kakani Katija

Afundamento de água fria no Atlântico norte está de volta

Desertos oceânicos estão em expansão

Misturar os oceanos para reduzir o aquecimento global

 

 

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