2009-07-27

Subject: Pessoas roubam carne a leões selvagens

 

Pessoas roubam carne a leões selvagens

 

 

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Male lion

Os leões dos Camarões estão a ser roubados das suas presas bem debaixo dos seus narizes pelos habitantes locais esfomeados. 

Este tipo de incidente de cleptoparasitismo, roubar comida uns dos outros, geralmente ocorre entre predadores de topo, como leões, hienas e chitas, mas os humanos estão cada vez a aparecer na imagem, revelam os conservacionistas.

Eles suspeitam que a prática pode ser bem mais comum do que se pensava e estão preocupados com a forma como pode ameaçar os já reduzidos efectivos dos leões dos Camarões.

Um relato de um incidente em particular, em que os aldeões locais foram apanhados a roubar carne de uma presa morta por leões foi publicado na última edição da revista African Journal of Ecology.

Na manhã de 28 de Março de 2006 a bióloga Marjolein Schoe, da Unibersidade de Leiden, Holanda, estava a seguir um leão macho equipado com uma coleira-rádio com a sua equipa, no Parque Nacional Benoue, na província norte dos Camarões.

Descobriram o animal e uma fêmea também equipada com coleira-rádio a alimentarem-se de um antílope acabado de matar. Com a aproximação do veículo de Schoe, ambos os leões fugiram para o mato e permaneceram escondidos até os investigadores se afastarem.

Por volta das cinco da tarde desse mesmo dia, os investigadores voltaram ao local da matança. Ao chegarem, encontraram habitantes locais, que também fugiram e se esconderam no mato.

Tudo o que restava de carne na carcaça de antílope tinha sido removida com facas, deixando apenas a cabeça, patas e pouco mais. Folhas também cobriam a carcaça, sugerindo que quem quer que fosse que tivesse cortado a carne também tinha usado as folhas para a embalar.

Perto do antílope morto estavam caídas varas e paus, mais provas de que pessoas tinham estado em busca da carcaça.

"Marjolein Schoe estava envolvida em trabalho de campo e pessoalmente fez estas observações. Ela ficou surpresa e zangada por as pessoas terem afugentado os leões", recorda o seu colega Hans de Iongh, da Universidade de Leiden, que também faz parte do Grupo de Especialistas em Felinos da World Conservation Union e do African Lion Working Group. "Apesar desta observação não encaixar no objectivo principal do estudo original, decidimos publicá-la pois estes eventos raramente são observados."

 

Grandes predadores, como os leões, as hienas malhadas, mabecos e chitas, roubam rotineiramente as presas uns dos outros, um comportamento conhecido por cleptoparasitismo, mas de Iongh diz que já assistiu a outro incidente no Parque Nacional Waza nos Camarões em que pessoas afastavam leões de uma gazela acabada de matar, para ficar com a carne.

Outros estudos realizados por de Iongh, Schoe e pela sua colega Barbara Croes também sugerem que a prática de roubar as presas aos leões pode ser mais prevalecente do que se pode pensar.

"A partir de entrevistas feitas a pastores Bororo, ficámos a saber que é um hábito vulgar nesta tribo perseguir os leões e afastá-los das presas acabadas de matar, seja com paus ou com fogo", diz de Iongh.

Outros investigadores de leões por toda a África também têm fornecido relatos anedóticos de pessoas que roubam as presas aos leões. "Isto sugere que pode ser uma prática muito generalizada", diz de Iongh.

Os humanos estão a roubar a carne para obter uma fonte fácil de proteínas, dizem os investigadores, pois os leões podem ser suficientemente receosos dos humanos para se afastarem facilmente das suas presas mas os investigadores temem que a situação possa ter um impacto negativo sobre estes grandes felinos.

"Acreditamos que o impacto deste tipo de comportamento pode ser significativo na população de leões, pois eles têm que gastar uma enorme quantidade de energia para capturar a mesma quantidade de presas, se estas estão sempre a ser roubadas", diz de Iongh. "Isso pode ter um sério impacto sobre uma população de leões que já está sob vários tipos de stress devido à colonização humana, podendo eventualmente contribuir para uma extinção ainda mais rápida."

No Parque Nacional Waza, por exemplo, pensa-se que a população de leões passou de 50 a 60 animais na década de 90 para apenas 12 a 20 em 2008, quando o último censo populacional foi realizado.

Considerando que cerca de seis leões são mortos por ano pelos criadores de gado e caçadores furtivos, de Iongh e os seus colegas temem que os leões do parque estejam à beira da extinção. 

 

 

Saber mais:

African Lion Working Group

Morte de leões associada a alterações climáticas

Agricultores quenianos matam leões com insecticida

Ataques de leões aumentam na Tanzânia

 

 

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