2009-07-24

Subject: Chimpanzés selvagens contraem doença tipo SIDA

 

Chimpanzés selvagens contraem doença tipo SIDA

 

 

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Os investigadores viraram de cabeça para baixo um consenso com mais de uma década que considerava que os chimpanzés não podem adoecer em resultado da infecção com um vírus semelhante ao HIV.

Anteriormente, os cientistas pensavam que os chimpanzés eram como outros primatas não humanos que podem ficar infectados o vírus da imunodeficiência símia (SIV), aparentado de perto com o HIV, mas não ficam seriamente doentes pela sua presença.

Os resultados sugerem que não será possível encontrar a chave para a imunidade ao HIV no genoma do chimpanzé, como os cientistas esperavam. No entanto, o estudo, publicado na última edição da revista Nature, deixa tudo em aberto para os investigadores conhecerem melhor a forma como o HIV e o SIV causam a doença nos seus hospedeiros ao estudar a respostas dos diferentes primatas aos vírus.

Os macacos selvagens têm coexistido com o SIV há muito tempo e parecem ter desenvolvido a capacidade de o controlar e não adoecer na sua presença. O novo estudo, no entanto, mostra que os chimpanzés, que, como os humanos, só foram expostos ao SIV mais recentemente, ficam doentes em presença do vírus.

Daniel Douek, do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos em Bethesda, Maryland, apelida este estudo de "um verdadeiro tour de force em tenacidade, considerando os extraordinários desafios que se apresentaram para a obtenção destes dados". "De um ponto de vista evolutivo e epidemiológico, estes dados podem ser vistos como o 'elo perdido' da história da pandemia do HIV."

Beatrice Hahn, da Universidade do Alabama em Birmingham e líder do estudo, diz que havia muito poucas evidências que apoiassem a ideia de que os chimpanzés não adoeciam em resultado da infecção por SIV. "Na realidade, estávamos a uma assunção com muito poucos dados. Acho que é a velha arrogância dos humanos que considera todos os macacos o mesmo."

Essa assunção começou a desfazer-se quando a equipa de Hahn começou a estudar chimpanzés no Parque Nacional de Gombe na Tanzânia, onde a investigadora pioneira Jane Goodall, co-autora do artigo agora publicado, começou a estudar o comportamento dos chimpanzés na década de 60 do século passado. A equipa de Hahn desenvolveu testes à urina e às fezes para identificar cada chimpanzé e verificar se tinham sido infectados pelo SIV. Os investigadores descobriram que 9 a 18% dos animais de Gombe estavam infectados com o vírus.

Durante os nove anos do estudo, os cientistas descobriram que os animais adultos infectados com SIV tinham entre 10 e 16 vezes mais probabilidade de morrer que os animais não infectados e todos os juvenis infectados morreram.

Então a equipa notou que uma fêmea morreu no espaço de três anos após ter contraído SIV e revelar sintomas, como fraqueza e falta de entusiasmo, que pareciam imitar os da SIDA humana. Quando a fêmea foi autopsiada, o seu corpo revelava sinais de degradação e estava minada por infecções parasíticas pois as suas células imunitárias estavam fortemente reduzidas, sinais que também se assemelham aos da SIDA humana.

 

A equipa comparou amostras de tecidos de outros animais que tinham morrido com e sem SIV, descobrindo que os animais infectados com SIV tinham níveis anormalmente baixos de células imunitárias CD4 T, as mesmas que são o alvo do HIV. Juntando tudo, as descobertas sugerem que o SIV tem efeitos severos e semelhantes aos da SIDA nos chimpanzés.

O imunologista viral Don Sodora, do Instituto de Investigação Biomédica de Seattle na Universidade de Washington, salienta que a nova descoberta significa que os cientistas podem estudar como o SIV afecta muitos primatas, incluindo macacos que nunca ficam doentes na sua presença, chimpanzés que contraem o que parece SIDA e macacos Rhesus que não são hospedeiros naturais do SIV e contraem uma doença tipo SIDA com ele.

"Ter este gradiente de progressão da doença aumenta a probabilidade de a investigação das infecções com SIV em primatas não humanos fornecer pistas importantes para a forma como o SIV e o HIV causam doenças em diferentes hospedeiros", diz Sodora. Isso pode ajuda no desenvolvimento de tratamentos e vacinas, acrescenta ele.

Mas Hahn não pensa que as descobertas devem reverter o movimento para acabar com a investigação invasiva em chimpanzés. Estes animais foram infectados com HIV para investigação desde o final da década de 80 e início da década de 90 mas em 1995 o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos deixou de pagar para os investigadores criarem novos chimpanzés para utilização em investigação, uma decisão que alguns criticaram.

Hahn diz que pode-se aprender mais com o estudo de chimpanzés que vivem em santuários e ficaram naturalmente infectados com SIV do que estudando animais infectados artificialmente.

"A malta de Gombe deu-me realmente uma lição", diz ela. "Estes animais diferem de nós em 2% do genoma, pensam e têm sociedades logo em vez de os injectar com SIV podemos ser mais criativos e encontrar formas de responder à questão sem lhes fazer mal." 

 

 

Saber mais:

HIV já infecta o Homem há um século

O antigo legado do HIV

Vírus tipo HIV encontrado em chimpanzés selvagens

Genoma mostra as diferenças entre Homem e chimpanzé

 

 

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