2009-07-23

Subject: Revelada origem da armadilha de Vénus

 

Revelada origem da armadilha de Vénus

 

 

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Dionaea muscipulis

A origem da voraz armadilha de Vénus foi revelada: esta e outra planta carnívora que vive debaixo de água evoluíram a partir de uma planta mais convencional com folhas peganhentas.

Ao longo do tempo, as plantas acrescentaram estruturas elaboradas, como pêlos 'gatilho' e 'dentes' para aprisionar e imobilizar as suas presas, dizem os botânicos. Em última análise, a necessidade de caçar e devorar animais ainda maiores conduziu a evolução destas plantas.

As plantas carnívoras apresentam muitas formas e são conhecidas por terem evoluído separadamente pelo menos seis vezes. Por exemplo, as sarracenas, também conhecidas por plantas-jarro, criam estruturas em forma de jarro em que os insectos caem e ficam aprisionados, enquanto outras têm superfícies pegajosas que funcionam como papel pega-moscas.

mas entre todas estas plantas, há duas espécies que se destacam: a armadilha de Vénus Dionaea muscipula e a aldrovanda Aldrovanda vesiculosa. Ambas são conhecidas por apresentarem armadilhas tipo ratoeira com as quais caçam activamente animais, fechando folhas especialmente adaptadas para aprisionar os incautos que lá pousam. 

Aldrovanda vesiculosa

A armadilha de Vénus fecha-se em volta de um insecto em apenas 0,3s ou menos, enquanto a aldrovanda usa armadilhas finas e translúcidas para capturar copépodes e outros invertebrados aquáticos.

Charles Darwin ficou tão enamorado com esta espantosa adaptação e com a velocidade com que funciona que descreveu a armadilha de Vénus como "uma das plantas mais maravilhosas do mundo".

"Darwin ficou fascinado com as plantas carnívoras em geral, e com a armadilha de Vénus em particular, provavelmente porque elas vão contra o estereótipo", diz Don Waller, botânico da Universidade de Wisconsin em Madison. "No seu tempo, e mesmo agora, quase toda a gente considerava as plantas passivas, inofensivas e sem capacidade de movimento mas a armadilha de Vénus age mais como um animal, move-se depressa e come carne fresca."

Mas, até agora, não era claro que planta estava na origem evolutiva da armadilha de Vénus e da aldrovanda. Waller e o seu colega Thomas Gibson pensam que têm a resposta, que publicaram na última edição da revista New Phytologist.

Mais ainda, eles pensam que é possível seguir uma série de etapas que a armadilha de Vénus e a aldrovanda devem ter seguido para se tornarem caçadoras tão capazes. 

Eles começaram por comparar as armadilhas tipo ratoeira com outras plantas carnívoras com armadilhas pegajosas. Os dois tipos parecem muito diferentes pois enquanto as ratoeiras têm folhas grandes e abertas, as pegajosas têm folhas pequenas cobertas com pedúnculos simples, por vezes cobertos por sua vez com líquidos pegajosos.

 

Muitas plantas com armadilhas pegajosas pertencem ao género Drosera, como a orvalhinha circumboreal Drosera rotundifolia, e têm formas bastante variadas.

A análise do DNA feita por Ken Cameron, da Universidade do Wisconsin, confirmou que a armadilha de Vénus e a aldrovanda são aparentadas e que o seu parente comum mais próximo é a espécie Drosera regia.

Waller e Gibson imaginaram, de seguida, os passos que seriam necessários para evoluir de um ancestral com armadilha pegajosa para uma armadilha ratoeira.

Primeiro, a planta ancestral deve ter-se adaptado de forma a conseguir mover os seus pedúnculos e folhas numa dada direcção, aumentando a probabilidade de se colar e envolver um insecto que passasse. 

O passo seguinte seria acelerar a detecção e a resposta à presença da presa e arranjar forma de ser mais selectiva, de modo a apenas tentar capturar presas vivas e não apenas qualquer tipo de detrito que pousasse sobre si.

Finalmente, deverá ter desenvolvido pêlos sensoriais nas folhas e 'dentes' que detectassem e envolvessem a presa, respectivamente, perdendo simultaneamente as glândulas do líquido pegajoso e desenvolvendo em seu lugar glândulas produtoras de líquidos digestivos.

Mas isso coloca a questão de qual teria sido a pressão selectiva suficientemente forte que pudesse conduzir a evolução de uma série tão extraordinária de adaptações? A resposta curta, dizem Waller e Gibson, são os benefícios de comer uma presa maior.

Droseria regia"Capturar presas grandes dá recompensas maiores a qualquer planta carnívora e as armadilhas ratoeira podem imobilizar e digerir estas presas maiores muito mais eficientemente que as armadilhas pegajosas tipo papel pega-moscas que vemos na orvalhinha", diz Waller.

"Um insecto com o dobro do comprimento de outro tem oito vezes mais biomassa e nutrientes, logo estas recompensas aceleram com as presas maiores. É esse o motivo porque a armadilha de Vénus constrói armadilhas maiores logo que pode, ao contrário da maioria das outras plantas, em que o tamanho das folhas ou das armadilhas permanece o mesmo com o crescimento da planta."

Waller também suspeita que envolver e selar a presa também pode fornecer outras vantagens à armadilha de Vénus e à aldrovanda: impede outros predadores mais seguros de roubarem a presa capturada e o arrastar de nutrientes por água antes que a planta os ingira.

Responder a estas questões é particularmente importante pois a armadilha de Vénus está cada vez mais rara na natureza e deve ser classificada como ameaçada nos Estados Unidos, onde apenas vive nas Carolinas do Norte e do Sul, diz Waller. Conhecer a sua história evolutiva irá ajudar os botânicos a verificar, por exemplo, se está a ficar perigosamente consanguínea. 

 

 

Saber mais:

Evolving Darwin's 'most wonderful' plant - ecological steps to a snap-trap - New Phytologist

O pequeno laboratório dos horrores

 

 

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