2009-07-22

Subject: A história das duas cores do Outono

 

A história das duas cores do Outono

 

 

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Autmn leaves in Iowa

As manchas de folhas maravilhosamente coloridas produzidas pelas árvores em cada Outono são um dos espectáculos mais bonitos que a natureza nos oferece mas o motivo porque as árvores europeias produzem folhas amarelas e as americanas folhas vermelhas tem permanecido um enigma.

Agora, os cientistas publicaram uma teoria que pode explicar essa diferença: eles acreditam que as árvores de folhas vermelhas da América e da Ásia só existem porque elas e as pragas de insectos que as atacam conseguiram sobreviver a uma série de idades do gelo há muito.

Quem o diz são os botânicos Simcha Lev-Yadun, da Universidade de Haifa-Oranim, Israel, e Jarmo Holopainen, da Universidade de Kuopio, Finlândia, que publicaram uma análise da cor das folhas e a sua origem na última edição da revista New Phytologist.

Até há uma década, os cientistas compreendiam muito pouco do motivo porque as árvores produzem folhas de diferentes cores em diferentes épocas do ano mas depois surgiu uma vaga de interesse no motivo porque as árvores das florestas temperadas produziam essa imensa paleta de tonalidades em cada Outono. 

Por exemplo, nas florestas mistas de Nova Jérsia o tom é predominantemente vermelho, tal como os bordos no Japão, enquanto as faias da Patagónia ficam vermelhas e laranja. No entanto, as florestas europeias ficam predominantemente amarelas.

As folhas têm geralmente o aspecto verde pois contêm níveis elevados de clorofila, relativamente aos outros pigmentos fotossintéticos mas as folhas não ficam vermelhas ou amarelas por estarem a morrer.

Em vez disso, as árvores produzem menos clorofila no Outono, logo os pigmentos carotenóides amarelos e vermelhos já presentes nas folhas tornam-se evidentes. Nessa época do ano, as árvores também produzem mais antocianinas, um pigmento vermelho-púrpura.

Quando as folhas começam a morrer, em vez de todas estas tonalidades, ficam castanhas e secas.

Pensa-se que existam várias razões para estas alterações de cor.

Uma ideia é que as antocianinas protegem as folhas dos efeitos nocivos da luz solar, que se tornam mais intensos no Outono devido ao rarear da folhagem e as plantas fixam menos carbono, devido à queda das temperaturas do ar.

Isso permitiria às árvores manter as suas folhas saudáveis e retirar delas mais nutrientes antes da sua queda mas as provas que apoiem esta ideia continuam inconclusivas.

Outra ideia é que folhas de cor diferente cor afastam os insectos que as devorariam. Folhas vermelho escuro assinalariam a insectos como os afídeos que continham altas concentrações de químicos tóxicos, poucos nutrientes e que em breve morreriam. As provas a favor desta hipótese são mais fortes.

 

Uma análise de 262 espécies de árvore mostrou que as que produziam cor vermelha têm uma história evolutiva mais longa com os afídeos. Os insectos tentam por os ovos nas árvores no Outono e as árvores respondem numa corrida às armas evolutiva, assinalando de forma mais acentuada que as suas folhas não têm interesse.

Mas estas ideias não explicam completamente o motivo porque a Europa tem mais árvores com folhas amarelas que a América ou a Ásia.

Lev-Yadun e Holopainen propuseram que o que desencadeou a diferença ocorreu há milhões de anos, no período Terciário.

Eles sugerem que as florestas temperadas evoluíram de plantas tropicais nesse período. Muitas árvores tropicais jovens produzem folhas vermelhas e as folhas velhas também são frequentemente vermelhas nos trópicos. Assim, as florestas temperadas terão herdado esta capacidade de produzir folhas vermelhas.

Mas há 35 milhões de anos o mundo começou a aquecer e arrefecer drasticamente, com uma série de idades do gelo a cobrir vastas zonas de Europa e da América do Norte. As plantas apenas conseguiram sobreviver em alguns refúgios mais a sul.

A América do Norte e o este asiático têm cordilheiras montanhosas que correm de norte para sul logo, com o avanço do gelo, as árvores de folha vermelha migravam para sul ao longo das cordilheiras para refúgios onde sobreviveram, antes de migrar novamente para norte com o aquecimento.

Na Europa as cordilheiras correm de este para oeste, logo as árvores de folha vermelha a norte ficaram encurraladas e extinguiram-se, tal como os insectos envolvidos na corrida às armas evolutiva com elas.

"Os agentes selectivos da herbivoria que originam as folhas vermelhas extinguiram-se, resultando numa menor selecção para as folhas vermelhas", explica Lev-Yadun.

Isso interrompeu a corrida às armas evolutiva entre os insectos e as árvores, permitindo às árvores que recolonizaram a Europa investir menos no afastamento dos afídeos das suas folhas. Em resultado, as florestas europeias são douradas no Outono.

"De certa forma, o vermelho é uma adaptação velha que reflecte o stress devido à fauna herbívora do Terciário", diz Ley-Yadun.

O facto de os arbustos anões com folhas vermelhas, e não árvores, dominarem o norte da Escandinávia também apoia a teoria de Lev-Yadun e Holopainen, pois sugere que as árvores da zona foram dizimadas pelo gelo mas os arbustos rasteiros conseguiram sobreviver. Com o desaparecimento das árvores, as suas pragas tiveram o mesmo destino, um luxo que as gerações de plantas americanas e asiáticas não tiveram. 

 

 

Saber mais:

Porque as folhas ficam vermelhas no Outono

 

 

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