2009-07-21

Subject: Mistério do falhanço da vacina contra HIV aprofunda-se

 

Mistério do falhanço da vacina contra HIV aprofunda-se

 

 

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HIVDois grupos de cientistas vieram lançar dúvidas sobre a explicação aceite pela maioria para o falhanço da vacina contra o HIV.

Em Setembro de 2007, os investigadores interromperam testes da vacina feita pela Merck & Co. de Whitehouse Station, New Jersey, pois ela parecia aumentar o risco de infecção pelo HIV. O falhanço dos testes, conhecidos por STEP, foi um sério revés para os investigadores da SIDA, que não conseguiram explicar os seus desapontantes resultados.

Uma teoria proposta referia que algumas pessoas reagiam mais fortemente que outras a um componente da vacina testada no STEP, o que as tornava mais vulneráveis ao HIV pois este ataca as células imunitárias que estão a responder activamente à ameaça patogénica. 

Equipas de investigação lideradas pelos imunologistas Dan Barouch, do Centro Médico Beth Israel em Boston, Massachusetts, e Michael Betts, da Escola de Medicina da Universidade da Pennsylvania em Filadélfia, decidiram testar esta ideia em estudos independentes, ambos publicados na última edição da revista Nature Medicine.

As duas equipas examinaram as células imunitárias de voluntários que receberam a vacina usada nos testes STEP. A vacina foi construída sobre um esqueleto formado a partir de um vírus de constipação modificado, o adenovírus 5. 

Nos testes STEP, as pessoas que tinham sido infectadas com adenovírus 5 antes de receber a vacina experimental tinham maior probabilidade de ficar infectadas com o HIV que as outras. Assim, os investigadores questionaram-se sobre se aqueles cujos sistemas imunitários tinham 'visto' o adenovírus 5 antes dos testes respondiam mais fortemente à vacina que os outros voluntários.

Os investigadores examinaram as células imunitárias T do sangue daqueles que tinham recebido a vacina. Descobriram que as pessoas com exposição anterior ao adenovírus 5 não tinham mais células T específicas para o adenovírus 5. Não produziram mais células T depois da vacinação e activaram mais células T, as que são alvo específico do HIV, do que aqueles que não tinham sido previamente expostos ao vírus.

"O essencial é que, imunologicamente, não parecem existir diferenças substanciais" entre os expostos e não expostos ao adenovírus 5, "logo isso não explicaria as diferenças em susceptibilidade ao HIV observadas nos testes STEP", diz Betts.

 

Larry Corey, investigador principal da HIV Vaccine Trials Network, que conduziu os testes STEP, refere que os investigadores da rede obtiveram resultados semelhantes mas alerta para o facto destes últimos estudos não examinam as células T de tecidos específicos onde o HIV penetra no corpo, como o recto ou o prepúcio do pénis e, por isso, não eliminam a hipótese de uma imunidade prévia ao adenovírus torne esses tecidos mais vulneráveis.

No entanto, Corey também salienta que análises continuadas sugerem que exposição prévia aos adenovírus não é tão importante como se pensou no momento em que os testes STEP foram interrompidos. Os investigadores continuam a seguir os voluntários do STEP e de um teste semelhante e a reanalisar os dados originais.

Essas análises salientaram o papel da circuncisão e das infecções com herpes genital para a susceptibilidade ao HIV nestes testes. Em particular, homens não circuncidados que receberam a vacina tinham pelo menos três vezes mais probabilidade de ser infectados que os circuncidados. À medida que o tempo passa, as diferenças na taxa de infecção por HIV entre os vacinados e os do grupo placebo estão a estreitar-se.

"O papel que a imunidade ao adenovírus 5 desempenha ficou equiparado ao da falta de circuncisão e também, de alguma forma, ao papel do herpes genital", diz Corey. "As questões estão a ficar cada vez mais complexas com o passar do tempo."

Apesar de continuar a não haver respostas para a causa do aumento da taxa de infecção por HIV nos testes STEP, Barouch diz que os novos dados são um desenvolvimento positivo para o campo, significando que outras vacinas construídas sobre esqueletos obtidos a partir de vírus podem não ser necessariamente perigosas. Muitos investigadores, incluindo Barouch, estão a desenvolver essas vacinas.

"Esperamos que estes artigos sejam mensagens positivas para o campo, que tem estado muito deprimido no último ano e meio, e forneçam uma via para o teste de futuras vacinas contra o HIV", diz Barouch.

 

 

Saber mais:

HIV Vaccine Trials Network

 

 

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