2009-07-19

Subject: Cervos aquáticos e baleias ancestrais

 

Cervos aquáticos e baleias ancestrais

 

 

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Moschiola spp no Sri Lanka

Se assustarmos um veado não estamos à espera que ele salte para o lago mais próximo e permaneça submerso durante alguns minutos mas é exactamente o que duas espécies de cervos-rato fazem quando confrontados com os seus predadores na Ásia, descobriram os cientistas.

Outro cervo-rato africano é conhecido por fazer a mesma coisa mas esta nova descoberta sugere que todos os ruminantes podem ter tido, em tempos, uma afinidade com a água, para além de apoiar a ideia de que as baleias evoluíram a partir de animais terrestres parecidos com pequenos veados.

Existem 10 espécies de cervo-rato, também conhecidos por trágulos e todos pertencem à antiga família de ruminantes chamada Tragulidae, que se separou há cerca de 50 milhões de anos dos outros ruminantes, que eventualmente originaram as vacas, cabras, ovelhas e antílopes.

Cada uma representa um animal pequeno, semelhante a um veado mas sem armações ou chifres. Em vez disso apresentam caninos superiores grandes, que nos machos se projectam para baixo de ambos os lados da mandíbula inferior.

A espécie maior, que não tem mais de 80 cm de altura, vive em África e é considerada a mais primitiva dos cervos-rato. Conhecido como o trágulo de água, este animal vive em meios pantanosos e quando alarmado corre para o rio mais próximo, onde submerge e nada para a segurança debaixo de água.

Todas as outras espécies de cervos-rato, que vivem no sudeste asiático, Índia e Sri Lanka, eram consideradas animais terrestre mas isso mudou quando investigadores testemunharam algo espantoso em duas ocasiões diferentes.

A primeira foi em Junho de 2008 durante um censo de biodiversidade na província do Kalimantan Central do Bornéu, Indonésia. Os estudiosos viram um cervo-rato a nadar num riacho da floresta e quando o animal os pressentiu submergiu. Na hora seguinte, observaram-no a vir à superfície quatro ou cinco vezes, quem sabe mais sem que se apercebessem, mas conseguindo permanecer submerso mais de cinco minutos de cada vez.

Eventualmente os observadores capturaram o animal, que identificaram como uma fêmea grávida, que posteriormente libertaram sem qualquer dano.

Entre os elementos da equipa do censo estava a mulher de Erik Meijaard, um ecologista que trabalha para a Nature Conservancy em Balikpapan, Indonésia. Meijaard já conhecia relatos anedóticos dos locais que descreviam cervos escondidos em ribeiros e rios quando perseguidos pelos seus cães. Quando ele viu as fotografias do cervo identificou-o como o trágulo-grande Tragulus napu.

No mesmo ano, Meijaard também ouviu relatos de um cervo-rato no Sri Lanka visto a nadar debaixo de água. Três observadores viram um cervo-rato da montanha Moschiola spp correr para um lago e começar a nadar, quando perseguido por um mangusto castanho. O cervo-rato submergiu e eventualmente o mangusto recuou. O cervo saiu da água mas voltou imediatamente ao ver o mangusto.

"Voltou a correr e mergulhou na água e nadou submerso. Fotografei tudo claramente e ficou óbvio que o nadar era parte da sua rotina de fuga estabelecida", diz Gehan de Silva Wijeyeratne, que testemunhou o incidente.

 

"Vê-lo nadar debaixo de água foi um choque. Muitos mamíferos conseguem nadar mas se não forem daqueles adaptados a uma existência aquática nadam de forma trapalhona. O cervo-rato parecia confortável, parecia adaptado."

Meijaard, Wijeyeratne e Umilaela, que viram o cervo-rato do Bornéu, descrevem ambos os incidentes na última edição da revista Mammalian Biology.

"Esta é a primeira vez que este comportamento foi descrito para as espécies de cervos-rato asiáticas", diz Meijaard. "Fiquei muito entusiasmado quando ouvi as histórias do cervo-rato porque resolviam um daqueles mistérios que os locais me tinham contado e que a ciência continuava a desconhecer."

"O comportamento é interessante porque é inesperado. É suposto os cervos andarem na terra e pastarem, não nadarem debaixo de água, mas ainda mais interessante para os zoólogos são as implicações evolutivas", diz ele.

O comportamento confirma uma das principais teorias em relação à origem das baleias.

Em 2007, cientistas liderados por Hans Thewissen, da Escola de Medicina da Universidade Northeastern Ohio, publicaram detalhes de um espantoso fóssil baptizado Indohyus. Este fóssil era de um ruminante que parecia um pequeno cervo mas também tinha características morfológicas que mostravam que poderia ser um ancestral das primeiras baleias.

Tragulus napuApesar de especulativo, este animal sugere que todos os ruminantes ancestrais podem ter tido um estilo de vida parcialmente aquático.

A descoberta de que duas espécies asiáticas de cervos-rato estão confortáveis debaixo de água mostra que pelo menos três espécies de trágulos modernos partilham um comportamento de fuga aquático.

Como estas espécies divergiram há pelo menos 35 milhões de anos, o seu ancestral também se comportaria dessa forma com certeza, mais uma vez apoiando a ideia de que um ruminante tipo cervo pode ter evoluído para produzir o grupo modernos dos cetáceos, onde se incluem as baleias e os golfinhos.

Os hipopótamos, os parentes actuais mais próximos das baleias, também fogem para a água quando ameaçados, um comportamento que pode ter sido perdido ao longo do tempo por outras espécies modernas, como as ovelhas ou os antílopes. 

 

 

Saber mais:

Aquatic escape behaviour in mouse-deer provides insight into tragulid evolution - Mammalian Biology

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