2009-07-11

Subject: Um comprimido para vida mais longa?

 

Um comprimido para vida mais longa?

 

 

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A rapamicina, um medicamento vulgarmente usado em humanos para impedir a rejeição de órgãos transplantados, prolonga a vida dos ratinhos em 14%, mesmo quando administrada tardiamente na vida, revelou um estudo agora publicado.

Em moscas e vermes há muito que se sabe que tratamentos com medicamentos prolongam o tempo de vida mas, até agora, a única forma robusta de prolongar a vida em mamíferos era manter uma dieta fortemente restritiva.

Os investigadores alertam, no entanto, que a utilização deste medicamento para prolongar a vida em humanos pode ser problemática pois suprime o sistema imunitário, tornando as pessoas potencialmente mais susceptíveis a doenças infecciosas.

Equipas de investigadores de três instituições americanas, O Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas em San António, a Universidade do Michigan em Ann Arbor e o Laboratório Jackson em Bar Harbor, Maine, realizam em paralelo a mesma experiência, com um total de perto de dois mil ratinhos.

Os ratinhos foram criados de forma a garantir que eram suficientemente diferentes do ponto de vista genético de forma a que nenhuma linhagem fosse mais ou menos susceptível a doenças associadas à idade ou aos efeitos do medicamento. Com essa garantia forneceram aos ratinhos comida contendo rapamicina.

Problemas na formulação da ração levaram a que as equipas não conseguissem começar o tratamento até que os animais fossem bastante mais velhos do que tinham planeado, 20 meses de idade, o que é equivalente a cerca de 60 anos em termos humanos.

Mas afinal este atraso não passou de um acidente fortuito pois, quando comparados com o grupo que não tomou o medicamento, o tempo de vida dos ratinhos que tomaram rapamicina aumentou até 14%, mesmo sendo já de meia-idade quando o tratamento começou. A expectativa de vida aos 20 meses disparou 28% para os machos e 38% para as fêmeas.

"Já todos ouvimos que 'a fortuna favorece os preparados' e este é um bom exemplo disso", diz David Harrison, que liderou a equipa do Laboratório Jackson.

Uma iniciativa independente, o Programa de Testes de Intervenção supervisionado pelo Instituto Americano do Envelhecimento, escolheu a rapamicina para estes três testes devido aos seus conhecidos efeitos numa via metabólica conhecida por TOR ('target of rapamycin', ou seja, alvo da rapamicina). Esta via é conhecida de estudos em ratos, moscas e vermes onde está envolvida nos efeitos de longevidade associados a dietas com calorias restritas.

 

Esta associação pode significar que a rapamicina está a imitar os efeitos da dieta restritiva, diz Matt Kaeberlein, cuja equipa da Universidade de Washington em Seattle trabalha com o envelhecimento em ratos, leveduras e vermes. "Todas as setas apontam na direcção certa."

Harrison já não tem tanta certeza, no entanto, pois nenhum rato perdeu peso durante a experiência e a dieta restritiva geralmente funciona melhor quando começada cedo na vida, não a meio da vida como o fez a rapamicina.

Claro que a questão importante é se este medicamento pode realmente prolongar a vida humana. Tanto Harrison como Kaeberlein são cautelosos: "Eu não o fazia e não encorajaria ninguém a tentar neste momento", diz Harrison.

Outro problema é a dose correcta. Uma dose humana normal de rapamicina é de 2 a 5 miligramas por dia, muito menos que o administrado aos ratos, onde foi de 2,24 miligramas por quilograma de peso corporal por dia.

Talvez a rapamicina possa ser de alguma forma alterada de forma a reduzir os seus efeitos no sistema imunitário mantendo os seus efeitos anti-envelhecimento? "É uma questão em aberto", diz Kaeberlein. Mas no futuro é possível que se possa faze-lo ou ter como alvo outras moléculas da mesma via metabólica. O seu laboratório já está a trabalhar nesses aspectos.

Vários outros compostos estão a ser actualmente testados pelos três centros, incluindo o resveratrol, um composto presente no vinho tinto que se pensa ter efeitos benéficos no coração, e a simvastatina, um de uma família de compostos conhecida por estatinas, também utilizada nas doenças do coração.

Por agora, os investigadores não vão tentar o medicamento anti-envelhecimento em si próprios mas isso não os impediu de sonharem com isso: "Claro que já o imaginámos", brinca Harrison. "Tenho 67 anos logo está na hora de começar o meu tratamento, não é?" 

 

 

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