2009-07-09

Subject: Pragas podem ultrapassar toxinas GM do algodão

 

Pragas podem ultrapassar toxinas GM do algodão

 

 

Dificuldades em visualizar este email?

Consulte-o online!

Estudos laboratoriais sugerem que pode ser possível aos insectos ultrapassarem duas toxinas muito dispares produzidas por algodão geneticamente modificado. 

Os resultados lançam uma nota de alerta num momento em que as empresas estão empenhadas numa corrida para a criação de culturas capazes de produzir muitos e diferentes pesticidas.

Os insectos podem tornar-se resistentes a insecticidas individuais da mesma forma que as bactérias desenvolvem resistência a antibióticos. Uma forma de reduzir essa ameaça é adoptar uma abordagem em pirâmide e criar culturas que produzam múltiplas toxinas com a mesma praga como alvo.

"Esta é a tendência actual das companhias", diz Juan Ferré, geneticista da Universidade de Valência. "Estão todas a combinar mais de um gene para ter melhor controlo e retardar a resistência." Por exemplo, no próximo ano a Monsanto, a companhia americana de produtos agrícolas sediada em St Louis, Missouri, tenciona lançar uma linhagem de milho que contém oito genes diferentes que tornam a cultura resistente a herbicidas e ao ataque de insectos.

Uma das culturas mais 'piramidada' actualmente no mercado é o algodão, que produz duas toxinas Bt diferentes, toxinas essas fabricadas naturalmente pela bactéria Bacillus thuringensis. As duas proteínas tóxicas, Cry1Ac e Cry2Ab, têm sequências de aminoácidos muito diferentes e ligam-se a diferentes locais-alvo.

Devido a esses factos, mutações que conferem resistência a ambas as toxinas eram consideradas muito pouco prováveis, diz Bruce Tabashnik, entomologista da Universidade do Arizona em Tucson. "A principal forma como os insectos se tornam resistentes é alterando o local de ligação da toxina", diz ele. "Estas duas toxinas não se ligam ao mesmo local, logo se os insectos alterassem o local de ligação da Cry1Ac isso não lhes daria resistência cruzada à Cry2Ab."

Mas quando Tabashnik tentou criar selectivamente insectos que fossem resistentes à Cry2Ab, descobriu que alguns deles também eram resistentes à Cry1Ac. Os resultados foram publicados na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os investigadores estavam a estudar a lagarta rosada Pectinophora gossypiella, uma praga especialmente irritante nos campos de algodão do sul dos Estados Unidos. As culturas que expressam a Cry1Ac têm, até agora, mantido a praga à distância e não tem havido sinais de surgimento de resistência nos insectos.

 

Tabashnik quis aprender mais acerca da forma como os insectos se tornam resistentes à proteína Cry2Ab menos estudada, logo a sua equipa criou várias estirpes de lagartas rosadas em laboratório com uma dieta que continha a toxina. Para sua surpresa, geraram uma estirpe de lagarta rosada que não só era resistente a níveis 240 mais elevados de Cry2Ab que o normal mas também era resistente a concentrações 420 mais elevadas que o normal de Cry1Ac.

Apesar dos locais de ligação das duas proteínas diferirem, ambas as toxinas são activadas através da mesma via metabólica no insecto. Uma alteração na protéase responsável pela activação das toxinas pode ser um caminho aberto para a resistência cruzada, diz Tabashnik. Outras alterações na capacidade do insecto para lidar com as células danificadas também podem desempenhar um papel importante, diz Ferré, que não fez parte do estudo.

Os resultados mostram que a resistência cruzada entre as duas toxinas é possível mas "isso não é uma ameaça para o controlo deste insecto através do algodão Bt 'piramidado'", diz Tabashnik. As lagartas rosadas foram capazes de resistir a altas concentrações de ambas as toxinas na sua dieta mas não foram capazes de sobreviver às altas concentrações de Cry2Ab encontradas nas células das bolas de algodão produzidas pela cultura 'piramidada'.

Ferré apela à cautela na extrapolação de resultados laboratoriais para o campo. "Esta é uma situação especial criada em laboratório, mas o importante é descobrir se a resistência pode ser alcançada no campo."

Ainda assim, os resultados realmente salientam a ameaça contínua da resistência, acrescenta Tabashnik. "As pirâmides não são uma panaceia, os cientistas nunca conseguirão parar a evolução dos insectos." 

 

 

 

Saber mais:

Culturas geneticamente modificadas aumentam 9,4%

Europa e OGM - tempo de decisões

Geneticistas criam a nova geração de culturas transgénicas

Retirada patente OGM ao fim de 13 anos

Trigo americano ameaça México

 

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2009


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com