2009-07-08

Subject: Adapta-te e morre?

 

Adapta-te e morre?

 

 

Dificuldades em visualizar este email?

Consulte-o online!

Tribolium castaneum.A capacidade de se adaptar a um novo ambiente pode não ser sempre benéfica para o sucesso a longo prazo, pelo menos no besouro castanho da farinha.

Os besouros a quem foi oferecida e aceite uma nova classe de alimento, mesmo que o seu alimento de sempre estivesse por todo o lado à sua volta, tiveram problemas durante muitas gerações, revela um estudo apresentado no mês passado nos encontros Evolution 2009 que decorreram em Moscow, Idaho.

O estudo fornece alguns dos primeiros dados empíricos de se a plasticidade de comportamento, a capacidade de se adaptar imediatamente a ambientes em alteração, ajuda ou atrasa o sucesso evolutivo dos organismos.

"Observámos que estes besouros têm um grau imenso de plasticidade comportamental mas o seu sucesso evolutivo tem sido prejudicado pela sua adaptabilidade", diz Deepa Agashe, da Universidade de Harvard, que realizou o estudo quando ainda na Universidade do Texas, Austin.

"Quando o ambiente muda, a própria gama de respostas que antes constituíam a 'adaptabilidade' pode tornar-se um fardo evolutivo", salienta Donna Holmes, bióloga evolutiva da Universidade Estadual de Washington em Pullman, que não esteve envolvida na pesquisa.

Agashe testou Tribolium castaneum, o ubíquo besouro castanho da farinha, oferecendo aos insectos farinha de trigo (a sua dieta ancestral) e farinha de milho, uma novidade para eles. Os investigadores registaram que quantidade de cada tipo de farinha os besouros tinham consumido analisando a razão de carbono-13 para carbono-12 nas carcaças moídas de besouro, pois o trigo e o milho apresentam diferentes razões destes isótopos.

Após apenas duas semanas, descobriu Agashe, a dieta dos besouros tinha passado a incluir quase 30% de farinha de trigo. "E era uma fonte de alimento nunca vista para eles, mesmo assim estavam a comer muito dela. Foi uma alteração comportamental importante."

Os investigadores deixaram os besouros multiplicar-se ao longo de seis gerações e estudaram o número de adultos e de larvas para avaliar o sucesso, tanto imediato como a longo termo. 

 

"Houve apenas um aumento de 4% na utilização do milho ao longo de seis gerações", relata Agashe. Por outras palavras, os besouros comeram muito milho inicialmente mas depois a taxa de aumento diminuiu e parou, praticamente. Para além disso, as populações de besouro que passaram a comer milho tenderam mais rapidamente para diminuir de tamanho e de estabilidade.

Notoriamente, o nível de diversidade genética de um grupo não afectou o grau com que começou a comer milho mas nos grupos que foram alimentados apenas com farinha de milho "a diversidade genética tornou-se realmente importante", diz Agashe. Algumas populações morreram após cerca de 12 a 15 semanas de dieta exclusiva de milho, enquanto as que sobreviveram, os grupos geneticamente mais diversos, começaram a recuperar por volta da 25ª semana.

"A importância da diversidade genética para a utilização bem sucedida do milho é realmente interessante", diz Michelle Scott, ecologista comportamental da Universidade de New Hampshire em Durham. "Devem existir variações na via metabólica. Em algumas populações o gosto pelo milho vem antes da capacidade de o utilizar eficientemente."

Em intervalos de tempo maiores, diz Agashe says, uma população geneticamente diversificada que também seja adaptável deverá ter a maior probabilidade de sucesso evolutivo em face de alterações ambientais dramáticas.

"Até que ponto deve a selecção ser forte para a plasticidade ser benéfica?", pergunta ela. Na continuação do seu estudo, ela tenciona analisar a literatura publicada em busca de outros trabalhos sobre a forma como espécies nativas reagem a espécies invasoras, a longo e a curto prazo. 

 

 

 

Saber mais:

Promiscuidade feminina pode não beneficiar descendência

Genes que conduzem a especiação

O melhor é o inimigo do bom

 

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2009


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com