2009-07-06

Subject: Não há porto seguro para o antílope mais raro

 

Não há porto seguro para o antílope mais raro

 

 

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Hirola (Beatragus hunteri)

Os fugazes avistamentos do antílope mais raro do mundo, o hirola, num novo local protegido são casos de identificação errada, revelou um novo estudo, o que esmagou as esperanças de que alguns dos últimos animais desta espécie tivessem conseguido colonizar um novo território, onde fossem menos vulneráveis às inundações e à caça.

Restam menos de 600 hirolas selvagens, confinados a uma pequena área do Quénia. É por vezes chamado fóssil vivo pois é o único sobrevivente de um grupo antes diversificado de espécies de antílope.

Antes de 1970, estima-se que 14 mil hirolas sobrevivessem na natureza mas rapidamente os antílopes ficaram sujeitos a uma série de pressões que levaram a um declínio dramático da sua população ao longo dos 30 anos seguintes.

A caça e a predação mataram muitos e o seu território ficou restringido pela perda de habitat e um aumento da colonização humana e do surgimento de quintas para a criação de gado. Estes factores deixaram poucos animais a sobreviver numa pequena zona ao longo da fronteira entre o rio Tana no Quénia e o rio Juba na Somália.

A população da Somália pensa-se que já estará extinta, enquanto no Quénia o antílope sobrevive em pequenas bolsas nos distritos de Ijara, Garissa, rio Tana e Lamu, juntamente com dois pequenos grupos de animais deslocados para o Parque Nacional de Tsavo Este e que estão em dificuldade para se estabelecerem.

No entanto, na década de 90 do século passado, duas novas ameaças surgiram. 

O colapso da Republica da Somália em 1991 precipitou um influxo massivo de refugiados para o Quénia. "A maioria dos refugiados somalis foram realojados no distrito de Garissa, parte do território natural do hirola", diz Yakub Dahiye, do Museu Nacional do Quénia em Nairobi. "A presença de grande número de refugiados aumentou as actividades de caça furtiva e a insegurança generalizada na zona."

Em 1997 inundações significativas devidas ao fenómeno meteorológico El Niño cobriram a região. Em resposta a estas duas ameaças, muitos grandes mamíferos, incluindo o hirola, migraram tanto para locais mais elevados como para locais mais calmos.

Seguidamente, os conservacionistas começaram a receber relatos entusiasmantes de presença de hirolas no norte de Garissa, uma área fora do território histórico do antílope, sugerindo que o animal estava a migrar para território mais seguro, pois antes estava confinado à zona sul do distrito.

 

Para verificar a autenticidade dos relatos, Dahiye realizou um rigoroso censo da região. Durante seis dias viajou mais de 1100 km pelo norte de Garissa, observando e registando a identidade e a localização da fauna selvagem na zona. Também mostrou fotografias de hirolas às populações locais, perguntando se tinham visto a espécie nos últimos anos.

Ninguém tinha visto e apesar de ter visto girafas, gazelas de Grant, gerenuques, kudus e oríxes, Dahiye não avistou um único hirola, relata ele na última edição da revista African Journal of Ecology. "Isso confirma que a espécie é endémica de uma pequena área entre o rio Tana no Quénia e o rio Juba na Somália. Se este pequeno habitat natural for destruído, deixaremos de ter uma população de hirolas in situ."

Ainda não há planos efectivos de gestão da espécie, acrescenta Dahiye.

Em 1974, a Reserva Nacional Arawale foi criada principalmente para preservar o hirola mas a reserva foi posteriormente abandonada.

As comunidades locais do distrito de Ijara responderam agora estabelecendo uma Área Comunitária de Conservação para ajudar a proteger os animais que aí vivem mas planos estratégicos mais vastos ainda precisam de ser implementados para conservar a espécie.

O hirola é tão especial pela sua raridade actual e por ser único do ponto de vista evolutivo. Cientificamente baptizado Beatragus hunteri, o hirola pertence à família Bovidae e à subfamília Alcelaphinae, o que o torna mais aparentado com o topi e com o gnu, mas é o único representante do género Beatragus.

Hirola (Beatragus hunteri)A International Union for the Conservation of Nature considera que é a espécie de antílope em maior risco de extinção, listando-a como criticamente ameaçada, enquanto a Zoological Society de Londres inclui o hirola no programa EDGE, que busca conservar os animais mais evolutivamente distintos e globalmente ameaçados.

Dahiye pensa que os avistamentos não confirmados de hirolas no norte de Garrisa, que tanto entusiasmo despertaram entre os conservacionistas, foram casos de identidade trocada.

Os locais chamam tanto aos hirolas como às impalas o mesmo nome em somali, pois as espécies são morfologicamente semelhantes. 

 

 

Saber mais:

Hirola - EDGE

Hirola - estatuto na Lista Vermelha IUCN

 

 

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