2009-07-05

Subject: Tigres de Amur no limiar genético da extinção

 

Tigres de Amur no limiar genético da extinção

 

 

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Amur tiger (Panthera tigris altaica)

O maior felino do mundo, o tigre de Amur, está reduzido a uma população selvagem com um efectivo de menos de 35 indivíduos, revelou um estudo agora conhecido. 

Apesar de existirem cerca de 500 destes tigres vivos na natureza, a população efectiva é uma medida da sua diversidade genética, que, por sua vez, é um bom indicador das probabilidades de sobrevivência do tigre de Amur.

Os resultados surgem após o mais completo estudo genético de tigres de Amur, a subespécie de tigre mais rara, selvagens alguma vez feito. No início do século XX existiam nove subespécies de tigre, com uma população total a nível mundial de mais de 100 mil indivíduos.

O impacto humano causou, desde então, a extinção de três dessas subespécies, os tigres de Java, Bali e do Cáspio, o número global de tigres caiu para menos de 3 mil.

O tigre de Amur, também conhecido por tigre da Sibéria, é a maior subespécie e em tempos viveu através do norte da China, península coreana e regiões mais a sul do leste da Rússia. Pesquisas recente revelaram que o tigre de Amur deve ter derivado do tigre do Cáspio.

Durante o início do século XX o tigre de Amur foi quase conduzido à extinção com a expansão da colonização humana, perda de habitat e caça furtiva, que dizimaram o maior felino em 90% do seu antigo território. Por volta da década de 40 do século passado restavam 20 a 30 indivíduos na natureza.

Desde então, uma proibição da caça e um esforço conservacionista notável ajudaram a uma lenta recuperação do tigre de Amur. Actualmente estima-se que cerca de 500 animais sobrevivam na natureza e outros 421 são mantidos em cativeiro.

No entanto, a saúde genética do tigre não melhorou, revela uma nova análise publicada agora na última edição da revista Molecular Ecology.

Michael Russello e Philippe Henry, da Universidade da Colúmbia Britânica em Kelowna, Canadá, lideraram uma equipa de investigadores de universidades canadianas, japonesas e americanas que analisou os perfis genéticos dos tigres de Amur que restam.

Obtiveram amostras de DNA nuclear dos cerca de 95 indivíduos que se encontram nas diversas zonas do habitat da espécie, o que constitui 20% da população sobrevivente. O estudo amostrou a quantidade de variação no DNA de mais tigres do que alguma vez tinha sido feito.

"Apesar do censo da dimensão da população de tigres de Amur revelar perto de 500 indivíduos, a população está a comportar-se como se tivesse 27 a 35 animais", diz Russello. Essa é a menor diversidade genética alguma vez registada para uma população de tigres selvagens.

 

A população efectiva de qualquer grupo de animais é sempre inferior ao número real que realmente existe, devido a factores como animais que não se reproduzem ou um desequilíbrio na razão dos sexos. "No entanto, o que é espantoso no caso do tigre de Amur é quão inferior a população efectiva é em relação ao censo", diz Russello.

Outra descoberta importante a emergir deste estudo é que os tigres de Amur que restam estão segregados em duas populações que raramente se misturam. A maioria dos animais vive nas encostas das montanhas russas Sikhote-Alin e menos de 20 animais vivem separadamente no sudoeste de Primorye também na Rússia.

Os dois grupos estão separados por um corredor de desenvolvimento humano entre Vladivostok e Ussurisk, e a análise genética mostrou que apenas três tigres devem ter conseguido ultrapassar essa barreira, reduzindo a dimensão da população efectiva selvagem ainda mais.

"Há muito pouca partilha de genes através do corredor de desenvolvimento, o que sugere que estas duas populações são bastantes discretas", explica Russello. "Na realidade, parece que os tigres de Amur residem em duas populações relativamente independentes dos dois lados do corredor de desenvolvimento entre Vladivostok e Ussurisk, reduzindo ainda mais a dimensão da população efectiva de cada uma para 26 a 28 nas Sikhote-Alin e 2,8 a 11 para o sudoeste de Primorye."

Isso significa que são necessários mais trabalhos para abrir esta barreira que está a separar os tigres. Se isso não acontecer, é provável que a população do sudoeste de Primorye continue a diminuir, matando à nascença o projecto de reintroduzir tigres de Amur na China, pois esses animais são os mais próximos do antigo habitat chinês.

Mas nem tudo é negro para o tigre de Amur.

A equipa de Russello e Henry também analisou o DNA nuclear e mitocondrial de 20 tigres cativos em busca de características genéticas únicas desde então perdidas pelos tigres selvagens.

"Existem variações genéticas em cativeiro que já desapareceram na natureza", diz Russello, o que sugere que o programa de reprodução em cativeiro tem feito um bom trabalho na preservação da diversidade genética da subespécie.

"Agora que se sabe que indivíduos apresentam quais variações genéticas, os gestores do programa pode cruzá-los selectivamente de forma a ajudar a preservar essas variações únicas e raras", diz Russello. "A implicação desse facto é que estas variações podem ser reintroduzidas na população selvagem algures no futuro se a colocação de animais na natureza for considerada segura." 

 

 

Saber mais:

In situ population structure and ex situ representation of the endangered Amur tiger - Molecular Ecology

Tigre de Amur - estatuto na Lista Vermelha IUCN

Mercado negro de tigres associado a templo tailandês

Tigres mantidos em cativeiro podem salvar a espécie

Será este o fim da fábula do tigre chinês?

 

 

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