2009-06-30

Subject: Habitat marinho vital sob ameaça

 

Habitat marinho vital sob ameaça

 

 

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DugongueEnquanto o mundo está focado na destruição que o Homem tem trazido aos recifes de coral, a perda monumental de um ecossistema igualmente importante tem sido largamente ignorada.

Agora, a primeira avaliação exaustiva do estado das pradarias de ervas-marinhas por todo o mundo veio revelar os danos que as actividades humanas causaram nestas áreas essenciais tanto biológica como economicamente.

Uma síntese dos dados quantitativos de 215 locais sugere que o mundo já perdeu mais de um quarto das suas pradarias submarinas nos últimos 130 anos, desde o início dos registos, e que a taxa de declínio tem vindo a aumentar de menos de 1% por ano antes de 1940 para 7% por ano desde 1990.

"A taxa de perda de ervas-marinhas é comparável à registada para os mangais, recifes de coral e florestas tropicais húmidas, colocando as pradarias de ervas-marinhas entre os ecossistemas mais ameaçados da Terra", escrevem os autores da síntese, que será publicada esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. "O nosso relatório das crescentes perdas de ervas-marinhas revela uma crise ambiental a nível global nos ecossistemas costeiros, para os quais as ervas-marinhas são sentinelas que assinalam a mudança."

Para além de sustentar formas de vida únicas, como as tartarugas verdes Chelonia mydas ou o dugongue Dugong dugon, as pradarias de ervas-marinhas são maternidades vitais para os peixes, apoiando as populações dos recifes de coral e pescadas comercialmente. Também servem para estabilizar o sedimento e fornecer protecção à costa, para além de armazenarem carbono e ajudar no transporte de nutrientes.

Para o estudo global, os investigadores compilaram uma base de dados registando todas as alterações na extensão do coberto de ervas-marinhas cobrindo um espaço de pelo menos dois anos. Incluíram estudos publicados, bases de dados online e investigações não publicadas mas devidamente verificadas.

A sua síntese mostra que desde 1980 que as ervas-marinhas têm sido destruídas à taxa de 110 quilómetros quadrados por ano: 25% dos locais aumentaram, 17% não revelaram alterações detectáveis e 58% diminuíram.

No total, a medida da área perdida entre 1879 e 2006 foi de 3370 quilómetros quadrados de um total de 11592 de que há registos adequados disponíveis, o que corresponde a uma perda de 29%. Extrapolando esta situação para uma escala global, estima-se que 51 mil quilómetros quadrados de pradarias de ervas-marinhas foram perdidas desde que os registos tiveram início.

O autor do estudo, Frederick Short, investigador da Universidade de New Hampshire, Durham, admite que "não há assim tantos dados disponíveis" sobre ervas-marinhas, pelo que a perda total é difícil de avaliar com rigor.

Ainda assim, diz ele, "em muitos locais a situação parece muito negra ... estamos mesmo a abusar dos nossos ecossistemas costeiros".

 

A grande maioria deste declínio, dizem Short e outros peritos, é atribuível às actividades humanas. A poluição por sedimentos e nutrientes resultantes das actividades humanas próximas, bem como a introdução de espécies invasoras, estão a contribuir fortemente para o seu declínio.

As ervas-marinhas são Angiospérmicas que evoluíram a partir de plantas terrestres e também devem ser afectadas pelas alterações climáticas, salientam os autores. Enquanto o mundo está focado nos fotogénicos corais, a perda de ervas-marinhas é igualmente preocupante, talvez ainda mais por estarem ainda mais distribuídas. "O ecossistema das ervas-marinhas em geral é muito pouco reconhecido", diz Short.

Giuseppe DiCarlo, gestor de alterações climáticas marinhas da Conservation International e membro do comité de gestão da World Seagrass Association, refere que ainda que as pradarias de ervas-marinhas já tenham sido em parte perdidas, ainda há oportunidade de recuperação se a protecção via Áreas de Protecção Marinhas puder ser aplicada.

"É bom finalmente ter números globais que possam ser usados para defender a protecção das ervas-marinhas", diz ele. "Se olharmos para a situação a uma escala regional, como nas Caraíbas, vamos perder o coberto de ervas-marinhas por completo."

Susanne Livingstone, funcionária do programa da International Union for Conservation of Nature (IUCN) de Avaliação Global das Espécies Marinhas, diz que os peritos não deviam ficar surpreendidos por ouvir números de perdas na ordem dos 30% mas apesar dessas perdas as ervas-marinhas raramente chegam ao público. "Provavelmente porque não são tão sexy como os corais, não são tão atraentes mas são tão importantes como eles do ponto de vista ecológico, se não mais."

Livingstone tem vindo a trabalhar na futura avaliação das ervas-marinhas para a Lista Vermelha da IUCN das espécies mais ameaçadas de extinção. Ainda que os resultados não estejam já disponíveis, ela confirma que irá ter este novo relatório em consideração. 

 

 

Saber mais:

World Seagrass Association

Oceanário - Pradaria de Ervas-Marinhas

Raros dugongues ameaçados por base americana

Tsunami devastador para os ecossistemas marinhos

Pastagens submarinas em perigo

 

 

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