2009-06-27

Subject: Resolvido mistério das rãs sem pernas?

 

Resolvido mistério das rãs sem pernas?

 

 

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Deformed Common toads (Bufo bufo)  each with a hind leg missing

Os cientistas pensam ter resolvido uma das questões ambientais mais controversas da última década: o estranho caso das pernas de rã desaparecidas.

Por todo o mundo as rãs são encontradas sem patas ou com patas mal formadas, uma deformidade notória que muitos investigadores acreditam ser causada por poluição química. No entanto, testes em rãs e sapos revelaram uma causa mais benigna e natural: as rãs deformadas são na realidade vítimas dos hábitos predatórios das ninfas de libelinha, que devoram as patas dos girinos.

No final da década de 80 e início da de 90, os investigadores começaram a receber relatórios de inúmeros sapos e rãs selvagens encontrados com patas extra, patas parcialmente formadas ou totalmente ausentes. A causa destas deformidades rapidamente se tornou um tópico de acesa discussão.

Alguns investigadores acreditavam que poderiam ter origem natural, através de predadores ou parasitas, enquanto outros consideravam esse cenário altamente improvável, temendo antes que a poluição química ou a radiação ultravioleta devida à redução da camada de ozono, estaria por trás das deformações.

"As rãs deformadas tornaram-se uma das questões ambientais mais contenciosas de todos os tempos, com os investigadores de parasitas de um lado e a 'companhia química' como lhes chamo, do outro", diz Stanley Sessions, especialista em anfíbios e professor de biologia no Hartwick College de Oneonta, Nova Iorque. "Houve uma verdadeira tempestade mediática, com milhões de dólares em financiamentos para a investigação em jogo."

Após um longo período de investigação, Sessions e outros estabeleceram que muitos anfíbios com patas extra estavam na realidade infectados por vermes achatados minúsculos chamados Riberoria trematodes. Estes vermes penetram nas patas traseiras dos girinos onde fisicamente rearranjam as células do lobo da pata, interferindo com o desenvolvimento embrionário da pata.

"Mas isso não é tudo", diz Sessions. "As rãs com patas extras podem ter sido as deformidades mais notórias mas são de longe as menos comuns. As mais comuns são a falta de membros ou membros truncados e ainda que se saiba que parasitas podem ocasionalmente causar a falta de patas numa rã, estas deformidades quase nunca são associadas com a espécie de tremátode que causa as patas extra."

o lado esquerdo deste girino contém tremátodes e tem a pata posterior duplicada

O mistério do que causa a falta ou a deformação dos membros nas rãs permaneceu por resolver até que Sessions se juntou com Brandon Ballengee, da universidade de Plymouth, Reino Unido. 

 

Durante uma década, Ballengee e Sessions colaboraram numa série de projectos artísticos e científicos que originam imagens do corpo dos anfíbios de forma a revelar os detalhes internos, o mais recente dos quais financiado pela Arts Catalyst de Londres.

Como parte desse trabalho, Ballengee e Richard Sunter, encarregado de registar os répteis e anfíbios do Yorkshire, passaram os Verões de 2006 a 2008 a analisar a ocorrência de deformidades em anfíbios selvagens em três lagos do condado. No total, descobriram que entre 1,2% e 9,8% dos girinos ou sapos de cada local tinham deformidades nos membros e três tinham falta de olhos.

"Ficámos muito surpreendidos quando descobrimos tantos sapos com patas anormais, o que se pensava ser um fenómeno americano", diz Ballengee. Ele também descobriu uma gama de predadores naturais suspeitos de serem a causa, incluindo peixes, salamandras, escaravelhos, escorpiões aquáticos e ninfas de libelinhas predatórias.

Assim, Ballengee e Sessions decidiram testar a forma como cada um atacava os girinos, colocando-os juntos em aquários no laboratório. Nenhum dos suspeitos atacava os girinos, excepto três espécies de ninfas de libelinha.

Ainda mais importante, raramente as ninfas devoram os girinos inteiros, geralmente agarram-no e comem uma pata traseira, por vezes arrancando-a completamente. Espantosamente, muitos girinos sobrevivem a esta tortura, conseguindo completar a metamorfose e originando um sapo com uma pata em falta ou deformada, dependendo o estado de desenvolvimento do girino. Eles testaram a situação removendo as patas de girinos em diferentes estádios de desenvolvimento e obtiveram os mesmos padrões de deformação.

Os anfíbios adultos pernetas parecem capazes de viver muito tempo, diz Sessions, explicando porque tantos sapos e rãs deformados são encontrados.

Mas porquê que as libelinhas só comem as patas posteriores?

À medida que os girinos crescem, desenvolvem glândulas de veneno na pele do dorso muito antes de as terem nas patas posteriores, o que as torna uma refeição muito mais apetitosa. As patas anteriores desenvolvem-se no interior da câmara branquial, o que as protege.

Sessions tem o cuidado de referir que não exclui completamente os químicos como causa de alguns membros ausentes mas a 'predação selectiva' pelas ninfas de libelinha é agora, de longe, a melhor explicação.

"Serão os parasitas suficientes para causar os membros extra?", pergunta ele. "Sim. Será a predação selectiva por ninfas de libelinha suficiente para causar a perda ou a redução de membros? Sim. São necessários poluentes químicos para compreender qualquer destes fenómenos? Não."

 

 

Saber mais:

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