2009-06-24

Subject: Como as ferramentas mudam o cérebro

 

Como as ferramentas mudam o cérebro

 

 

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Os investigadores descobriram provas convincentes que a utilização de uma ferramenta durante apenas alguns minutos pode ter um efeito duradouro sobre a forma como uma pessoa se apercebe do tamanho e posição do seu corpo.

Uma equipa liderada por Alessandro Farnè e Lucilla Cardinali, da Universidade Claude Bernard em Lyon, França, avaliou os efeitos da utilização de uma pinça metálica, semelhante às usadas por quem recolhe detritos sobre o esquema corporal de voluntários. O esquema corporal é a percepção do cérebro sobre onde se encontram as diferentes partes do corpo no espaço.

Cada voluntário passou 10 a 15 minutos a usar a ferramenta para pegar e substituir um bloco rectangular. Antes e depois dessas sessões de treino os voluntários pegaram ou apontaram para o bloco, usando apenas as mãos.

Os investigadores registaram o desempenho de todas essas tarefas com um sistema sensível ao movimento a três dimensões de alta resolução, para puderem comparar em detalhe os movimentos realizados em cada tarefa. 

Descobriram que que depois da utilização da pinça, os voluntários abordavam os blocos com velocidade e aceleração ligeiramente menor, apesar do seu rigor não ser afectado. "Eles comportam-se como se o seu braço fosse mais comprido", diz Farnè. "Não são trapalhões mas são mais lentos e determinados." 

Isto implica que o esquema corporal é mais plástico do que antes se pensava, diz Charles Spence, neurocientista cognitivo na Universidade de Oxford, que não esteve envolvido no trabalho. "Há mais efeitos a longo prazo da utilização de uma ferramenta ou uma implementação sobre a representação do nosso corpo do que qualquer pessoa tinha imaginado."

Numa experiência adicional, os voluntários foram vendados e tocados levemente no cotovelo, pulso e ponta do dedo médio. Quando lhes pediam para indicar onde tinham sido tocados, com frequência estimavam que os seus braços eram mais compridos após a utilização da ferramenta, indicando que a ferramenta tinha sido incorporado no esquema corporal dos voluntários.

Farnè salienta que os efeitos são subtis, uma diferença de apenas alguns milímetros na estimativa do comprimento, e não é suficiente para causar qualquer tipo de dificuldade nas actividades manuais normais do dia a dia.

 

Os investigadores têm estado a tentar quantificar de que forma as ferramentas são integradas na percepção do corpo há mais de uma década. Usando macacos, por exemplo, os investigadores mediram os neurónios individuais que disparam quando um objecto é colocado ao alcance de um indivíduo. Este 'campo receptivo' expande-se quando é permitido ao macaco usar um objecto para puxar o objecto para si.

Todas as vezes que um jogador de ténis agarra a raquete, ou que um lenhador agarra o machado, o espaço pessoal percepcionado pela pessoa expande-se mas a última experiência mostra que também existem alterações na percepção a longo prazo do próprio corpo, diz José Bermúdez, director do programa de filosofia, neurociência e fisiologia da Universidade de Washington em St Louis, Missouri. 

"Não é uma surpresa que as ferramentas sejam incorporadas no esquema corporal gerado momento a momento, enquanto estão em utilização", diz ele. "O que é interessante é que a utilização da ferramenta tem efeitos a longo prazo sobre a percepção das proporções e dimensões do corpo do sujeito."

Farnè tenciona realizar mais experiências com peritos na utilização de ferramentas: os trabalhadores sanitários do Hospital de Lyon, que utilizam pinças semelhantes para recolher detritos. 

Os investigadores também esperam estudar os efeitos da utilização de ferramentas em pessoas como uma doença conhecida por deaferenciação patológica, que resulta num esquema corporal deficiente. Essas pessoas têm que conduzir todos os movimentos do corpo apenas com a visão, sem a ajuda dessa sensação intrínseca da posição e tamanho corporais que a maioria das pessoas tem.

Spence sugere que a investigação pode ajudar a melhorar a funcionalidade dos membros prostéticos. Os investigadores da ciência desportiva já se começaram a interessar por este campo, na esperança que os resultados possam ajudar atletas profissionais a melhorar o seu desempenho. 

 

 

Saber mais:

The Body and The Self - MIT Press

Pride and a Daily Marathon - MIT Press

 

 

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