2009-06-19

Subject: Dedos de dinossauro mostram como as aves ganharam asas

 

Dedos de dinossauro mostram como as aves ganharam asas

 

 

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Limusaurus inextricabilisAs aves são geralmente consideradas os descendentes vivos dos dinossauros mas diferenças entre as asas das aves e os membros anteriores dos dinossauros há muito que têm dificultado deixado os paleontólogos em busca de uma explicação para a forma como as aves evoluíram dos seus ancestrais dinossauros.

Pensa-se que as asas das aves se formaram através da fusão dos segundo, terceiro e quarto dedos dos seus membros anteriores, durante o desenvolvimento embrionário. Os terópodes, o grupo de dinossauros predominantemente carnívoros que incluíam os tiranossaurídeos, como o Tyrannosaurus rex, e os dromeossaurídeos, como o Velociraptor mongoliensis, também só tinham três longos dedos.

No entanto, os paleontólogos tinham pensado que esses três dedos eram o primeiro, segundo e terceiro pois nos primeiros fósseis de terópodes, como o Dilophosaurus, esses três dedos eram alongados e com o que parecia um quarto dedo semi-vestigial e um quinto dedo praticamente ausente.

Baseados nesta espécie, tudo apontava para que os terópodes tivessem perdido o seu quinto dedo muito cedo, por altura da existência do Dilophosaurus, e já tinham começado a perder o quarto também.

Mas esta explicação evolutiva deixava os investigadores às escuras quanto à forma como as asas das aves poderiam ter-se desenvolvido a partir dos dedos 2, 3 e 4. A explicação prevalecente era que os terópodes tinham perdido os seus quarto e quinto dedos e posteriormente as aves teriam perdido o primeiro e voltado a desenvolver o quarto.

Agora, uma equipa liderada por Xing Xu, do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Palelontropologia de Pequim, e James Clark, da Universidade George Washington em Washington DC, está a propor uma resposta mais simples com base numa nova espécie de dinossauro encontrada em rochas jurássicas datadas de há 156 a 161 milhões de anos na bacia Junggar, oeste da China.

A espécie, um ceratossauro baptizado Limusaurus inextricabilis, é um terópode herbívoro com bico e duas características notáveis: um primeiro dedo reduzido e um metacarpo na base do segundo dedo que corresponde aos encontrados na base do primeiro dedo nos tiranossaurídeos e dromeossaurídeos. 

Estas duas características sugerem que o primeiro dedo dos terópodes posteriores é, de facto, o segundo dedo, relata a equipa na última edição da revista Nature. Acreditamos que os terópodes tardios "tinham os dedos 2, 3 e 4, mas que esses dedos andavam há muito a ser confundidos com os dedos 1, 2 e 3", diz Xu.

Com base nestas evidências, a equipa defende que os primeiros terópodes perderam o primeiro e quinto dedos uma única vez e assim permaneceu nos terópodes tardios, uma explicação que simplifica largamente a actual convoluta história evolutiva. "Quando se considera que as aves têm os dedos 2, 3 e 4 é muito mais simples considerar que também a maioria dos terópodes é assim", diz Clark.

Este fóssil "pode ser considerado como uma espécie de 'elo perdido' que revela uma morfologia digital intermédia entre as aves actuais e os terópodes mais primitivos", diz Paul Barrett, paleontólogo do Museu de História Natural de Londres.

 

No entanto, alguns investigadores estão preocupados com a forma como o fóssil está a ser interpretado. "Muitos argumentos dependem de as asas das aves serem formadas a partir do segundo, terceiro e quarto dedos e é bem possível que isso não seja assim", explica o geneticista evolutivo Günter Wagner, da Universidade de Yale.

Durante o desenvolvimento, os dedos são identificados pelo tecido embrionário que os forma, onde crescem e que genes moldam o seu desenvolvimento.

Se o tecido que forma o segundo dedo for bombardeado com genes que lhe indiquem que origine a forma do primeiro dedo, vai parecer o primeiro dedo mas a crescer na localização do segundo dedo. Evidências experimentais sugerem que isso acontece no interior das asas das aves modernas, diz Wagner.

pata do Limusaurus inextricabilis"O fóssil de ceratossauro pode estar a revelar uma espécie no meio de uma alteração de identidade mas se os dedos que observamos nos terópodes tardios são os verdadeiros segundo, terceiro e quarto ou os primeiro, segundo e terceiro na posição dos segundo, terceiro e quarto, alterados por bombardeamento genético para parecerem os segundo, terceiro e quarto dedos, é difícil de determinar", diz ele.

Também é possível que o ceratossauro não desempenhe um papel na história evolutiva maior e tenha desenvolvido os seus membros anteriores invulgares em resposta a um estilo vida que, devido a ser herbívoro e com bico e não carnívoro com dentes, era muito diferente do da maioria dos terópodes. 

"Penso que é muito mais provável que este novo animal tenha apenas um membro anterior estranhamente reduzido", diz Kevin Padian, paleontólogo da Universidade da Califórnia, Berkeley. "É igualmente razoável que estejamos apenas a lidar com outra possibilidade bizarra do percurso evolutivo." 

 

 

Saber mais:

Society of Vertebrate Paleontology

Institute of Vertebrate Paleontology and Paleoanthropology

 

 

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