2009-06-17

Subject: Encontrado ninho com 2500 anos de idade

 

Encontrado ninho com 2500 anos de idade

 

 

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Gyrfalcon chicks in a nest

Um ninho com 2500 anos de idade foi descoberto num penhasco na Groenlândia. O local continua a ser utilizado por falcões-girifalte Falco rusticolus, a maior espécie de falcões do mundo e o ninho de ave de rapina mais antigo de que há conhecimento.

Três outros ninhos, cada um com mais de mil anos, foram também descobertos e um deles contém penas de uma ave que viveu há mais de 600 anos. No entanto, os ornitólogos temem que as alterações climáticas possam em breve afastar as aves destes seus locais de nidificação ancestrais.

Os falcões-girifalte vivem na zona circumpolar árctica e variam em cor desde praticamente brancos na Groenlândia a geralmente negros no Labrador, Canadá.

Como muitas espécies de falcões, não constroem ninhos a partir de ramos mas tipicamente colocam os ovos em depressões em forma de taça que escavam em plataformas de penhascos ou em ninhos velhos de outras espécies de aves, corvos, por exemplo. Os ninhos feitos com ramos são frequentemente danificados, o que impede a sua utilização repetida, mas com este tipo de ninho os gerifaltes visitam as mesmas plataformas e buracos ano após ano.

Para descobrir há quanto tempo realmente as aves voltam ao mesmo local, o ornitólogo Kurt Burnham, da Universidade de Oxford, decidiu datar com carbono o guano e outros resíduos que as aves deixaram em diversos locais por toda a Groenlândia.

O clima frio e seco da Groenlândia atrasa a decomposição das fezes dos falcões e alguns dos pontos de nidificação tinham camadas de guano com quase dois metros de altura.

Mas ainda assim, Burnham ficou surpreendido com a idade destes ninhos. A datação por carbono revelou que um ninho em Kangerlussuaq, Groenlândia central tem entre 2360 e 2740 anos, relata ele na última edição da revista Ibis.

Três outros ninhos na zona são mais antigos que mil anos, sendo o mais recente ocupado apenas desde há 520 a 650 anos. Estes ninhos antigos continuam a ser usados regularmente por gerifaltes.

"Ainda que eu saiba que muitas espécies de falcão reutilizam os locais dos ninhos ano após ano, nunca imaginei que estaria a falar de ninhos que têm estado em utilização mais ou menos contínua nos últimos dois mil anos", diz Burnham.

 

Nos ninhos, Burnham também encontrou pistas intrigantes para os seus habitantes passados. Nos treze ninhos amostrados, encontrou penas pertencentes aos inquilinos anteriores, as mais recentes pertencendo a uma ave que nidificou há 60 anos e as mais antigas a um falcão que usou o ninho há 670 anos.

As amostras antigas de guano também dão indicações sobre o que era a alimentação das aves em tempos há muito passados. Os gerifaltes que vivem na zona centro-oeste da Groenlândia, a zona mais longe do gelo e perto do oceano, tinham uma dieta muito mais rica em animais marinhos, enquanto os que vivem mais a norte, perto do gelo, se alimentavam de presas terrestres, como lebres e ptarmigas.

"Estas descobertas colocam nova ênfase na importância das características dos locais de nidificação para as espécies de aves de rapina, especialmente as de maior porte", diz Burnham. "Algo, pode ser a profundidade do ninho ou a extensão de rocha que protege o ninho, é tão atractivo nestes locais que os gerifaltes os estão sucessivamente a utilizar ao longo de milhares de anos."

Mas o facto de os gerifaltes permanecerem tão fiéis a certos locais para fazer o ninho sugere que podem ser especialmente vulneráveis a alterações climáticas, salienta Burnham.

"Em resultado do aquecimento e amenização do clima, outras espécies de aves, como os falcões peregrinos, estão a deslocar-se mais para norte. Se as populações de peregrinos continuarem a aumentar em densidade provavelmente vão irão usar cada vez mais estes locais de nidificação dos gerifaltes, forçando-os a encontrar outras localizações, que podem não oferecer a mesma protecção do ambiente árctico da Groenlândia."

Estudos semelhantes têm sido usados para mostrar quando colónias inteiras de aves passaram a residir em certos locais. Fazendo uma datação por carbono do conteúdo estomacal solidificado, depósitos de turfa e amostras de penas e ossos em locais de nidificação, os investigadores já demonstraram antes que colónias de petréis da neve têm retornado aos mesmos locais desde há 34 mil anos e os pinguins de Adelie há 44 mil anos. 

 

 

Saber mais:

Gyrfalcon - The Peregrine Fund

Os riscos da resposta às alterações climáticas

Observadores de aves choram Mae

 

 

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