2009-06-16

Subject: Polvos e lulas conseguem ouvir

 

Polvos e lulas conseguem ouvir

 

 

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Sepioteuthis lessoniana

A descoberta resolve um debate com um século sobre se os cefalópodes, a classe que inclui os polvos, lulas, chocos e náutilos, conseguem ouvir sons debaixo de água.

Comparados com os peixes, os polvos e as lulas não parecem ouvir lá muito bem mas o facto de serem capazes de ouvir coloca a possibilidade destes animais inteligentes poderem usar o som para capturar as presas, comunicar entre eles ou estar atentos a predadores.

A questão de os cefalópodes puderem perceber sons tem sido controversa desde o início do século XX. Algumas experiências sugeriram que polvos cegos pareciam ser capazes de localizar sons produzidos por barcos ou pancadas no exterior do seu tanque.

No entanto, a maioria dos cefalópodes não tem um compartimento cheio de gás, como as bexigas natatórias que os peixes utilizam para ouvir. Isso sugeria que não seriam capazes de detectar a componente da pressão de água do som.

Mas o fisiólogo sensorial Hong Young Yan, da Academia Nacional de Ciência de Taiwan em Taipei, suspeitava que os polvos e as lulas podiam usar outro órgão, conhecido por estatocisto, para registar o som. O estatocisto é uma estrutura em forma de saco contendo uma massa mineralizada e cílios sensitivos.

Os peixes também o utilizam para detectar sons  e, em investigações anteriores, Yan já tinha mostrado que as gambas são capazes de usar os estatocistos para ouvir. "Por isso estendemos o nosso trabalho das gambas aos cefalópodes", diz Yan.

A equipa de Yan testou as capacidades auditivas de duas espécies, o polvo vulgar Octopus vulgaris e a lula Sepioteuthis lessoniana.

Descobriram que o polvo consegue ouvir sons entre 400Hz e 1000Hz, enquanto a lula consegue ouvir uma variedade maior de sons, entre 400Hz a 1500Hz, relatam eles na última edição da revista Comparative Biochemistry and Physiology, Part A.

"Isso indica-nos que as lulas têm uma audição melhor que os polvos", diz Yan. "No entanto, o que é interessante, ambas as espécies têm a sua capacidade auditiva máxima com uma frequência de 600Hz."

A equipa de Yan teve que ultrapassar desafios técnicos particulares para investigar a capacidade auditiva dos cefalópodes. A forma mais vulgar de provar que um organismo consegue ouvir é medir como o seu sistema nervoso reage electricamente ao som mas isso envolve ligar directamente eléctrodos a nervos expostos, um procedimento invasivo que iria danificar os delicados cefalópodes.

 

Por isso, Yan inventou um método não invasivo que implica colocar os eléctrodos no corpo de um animal para medir a actividade eléctrica do seu cérebro. Desta forma, ele conseguiu medir no espaço de poucas horas se o cérebro do polvo e da lula reage ao som.

A descoberta pode abrir uma nova forma de compreensão do comportamento dos cefalópodes.

"A questão crucial que gostaria de investigar é que tipo de sons estão eles a ouvir", diz Yan. "Talvez estejam a ouvir sons para fugirem de predadores ou a escutar os sons produzidos pelas presas ou ainda, quem sabe, a produzir sons para comunicar uns com os outros."

Por exemplo, dado que os polvos ou as lulas não têm vesículas cheias de gás no corpo, não podem amplificar os sons, o que limita a sua capacidade auditiva. Mas podem ouvir tão bem como invertebrados como as gambas, ainda que menos que muitas espécies de peixes e que as baleias com dentes que vulgarmente os devoram.

"As lulas são fortemente predadas por baleias com dentes, incluindo os golfinhos, por isso talvez a sua audição as ajude a evitar os cliques de SONAR feitos por eles", diz Yan. Ele diz que as diferentes capacidades do polvo e da lula também reflectem o ambiente em que vivem.

O polvo vulgar vive perto do fundo do mar, uma zona coberta por grandes rochas, pedregulhos, recifes de coral e outras particularidades.

Na água, sons acima dos 1000Hz têm um comprimento de onda maior que 1,5m logo essas ondas não conseguem passar objectos maiores que 1,5m de comprimento e são refractadas, o que pode explicar o motivo porque os polvos não precisam de as ouvir.

Já as lulas vivem em águas abertas, onde há menos obstáculos, logo o som progride ininterruptamente ao longo de um leque maior de frequências. 

 

 

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