2009-06-14

Subject: Animais tímidos distorcem estimativas de população

 

Animais tímidos distorcem estimativas de população

 

 

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Os ecologistas podem estar a subestimar os efectivos populacionais de espécies porque apenas os animais mais ousados são capturados nas suas armadilhas.

Num local de campo perto de Budapeste, László Garamszegi, agora a trabalhar na Estação Biológica Doñana em Sevilha, colocou fêmeas de papa-moscas de colar engaioladas em caixas para ninho desocupadas que tinham uma ave macho de guarda. Tinha 41 machos como alvo, 33 dos quais responderam à sua fêmea, tendo sido registada a actividade de cortejamento. 

Subsequentemente, pedaços brancos de papel foram colocados nas caixas de ninho para introduzir objectos novos no ambiente das aves. Alguns machos foram distraídos pela novidade e reduziram a sua corte, enquanto outros continuaram a cortejar a fêmea engaiolada sem qualquer problema.

Garamszegi e a sua equipa continuaram o estudo medindo o grau de agressividade dos mesmos machos para com um macho rival engaiolado e os riscos que corriam em presença de um observador humano, considerado o equivalente de um potencial predador. Em ambos os casos, os machos que a corte não tinha sido afectada pelo papel branco também demonstraram um comportamento de luta mais intenso contra os rivais e correram mais riscos em presença de humanos próximos.

O aspecto mais espantoso do trabalho de Garamszegi é, em última análise, a descoberta de que os papa-moscas de colar mais agressivos e corajosos tinham o dobro da probabilidade de serem capturados em armadilhas colocadas pelos investigadores depois dos testes comportamentais que as aves mais tímidas.

"Se isto é uma situação vulgar em muitas espécies e as diferentes armadilhas usadas pelos ecologistas pode indicar que as medições passadas da abundância da vida selvagem estão distorcidas", diz Garamszegi.

As aves não são as únicas a exibir características ousadas e tímidas. Os peixes também têm personalidades, diz Peter Biro, do Instituto de Gestão de Recursos Aquáticos e Ambientais de Sydney, Austrália. Num estudo publicado no ano passado, Biro e o seu colega John Post, da Universidade de Calgary, Canadá, demonstraram que as trutas mais ousadas, que têm tendência para não ter medo de objectos novos no seu ambiente, também têm maior probabilidade de ser capturadas.

Os peixes mais ousados também cresciam, em média, mais, sugerindo que a industria de pesca da truta pode estar, sem saber, a remover os animais mais corajosos e maiores das populações de peixe.

 

"Esta ideia de a personalidade estar a distorcer as estimativas já foi apresentada há anos mas tem sido esquecida ou ignorada, até que se acumularam vários estudos que sugerem que pode ser uma situação generalizada", diz Biro. "Este é um problema comum a todos os estudos que amostram animais, violando a regra base da estatística 'recolherás amostras aleatórias'."

Após ler o artigo de Garamszegi, William Bayliff, da Comissão Interamericana do Atum Tropical de La Jolla, Califórnia, ficou particularmente impressionado pelas consequências que esta situação pode ter para os ecossistemas oceânicos.

"Não há nada mais importante para os biólogos marinhos das pescas que estimar correctamente a abundância das espécies que lhes interessam, e está a haver uma amostragem não aleatória dos animais porque apenas indivíduos com um certo tipo de personalidade está a ser capturado, então isso tem que ser divulgado rapidamente", diz Bayliff.

No mar, os investigadores usam os dados de 'capturas por unidade de esforço' para determinar até que ponto uma espécie está ameaçada, ou seja, medem quanto tempo é preciso passar a pescar para que se capture um dado número de indivíduos da espécie em questão.

Os dados de capturas por unidade de esforço são usados por todos e são um dos factores por trás da crença que muitas espécies de atum estão em grave perigo, diz Bayliff. No entanto, se os atuns têm personalidades, como as trutas ou os papa-moscas, a espécie pode não estar tão ameaçada de extinção como se pensa.

Ainda assim, mesmo que as populações de peixe estejam a ser subestimadas devido a desvios causados pela personalidade dos animais, isso não significa necessariamente que os conservacionistas têm menos com que se preocupar. "Se a maior taxa de captura de peixes corajosos nos deixa com os peixes mansos, isso é mau porque estes têm tendência para crescer e reproduzir-se mais lentamente, originando uma população improdutiva", diz Biro.

 

 

Saber mais:

Peter Biro

Tuna Research and Conservation

 

 

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