2009-06-08

Subject: Floresta tropical vale mais de pé

 

Floresta tropical vale mais de pé

 

 

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A floresta tropical indonésia vale mais de pé do que abatida, dizem os investigadores. Uma nova análise mostrou que os pagamentos para reduzir as emissões de carbono das florestas pode gerar mais rendimento que a prodção de óleo de palma numa zona desflorestada.

Proteger as florestas pode tornar-se mais rentável de acordo com uma proposta apelidada Redução das Emissões da Desflorestação e Degradação (REDD). Na revista Conservation Letters, os investigadores dizem que o esquema vai ajudar a proteger as florestas ameaçadas.

O óleo de palma, um ingrediente dos produtos tão diferentes como alimentos e sabonetes, tornou-se também uma fonte importante de biodiesel. Esta situação criou controvérsia porque na Indonésia e na Malásia, os seus maiores produtores, as companhias abatem e queimam vastos segmentos de floresta para criar espaço para a cultura.

Estas florestas são ecologicamente muito ricas e albergam uma enorme variedade de espécies, incluindo os ameaçados orangotangos, para além de serem pântanos muito ricos em carbono.

Oscar Venter, da Universidade de Queensland, liderou o estudo que se focou em Kalimantan, na Indonésia, uma das regiões cobertas por floresta tropical onde a desflorestação tem causado enorme preocupação ambiental. O seu objectivo foi descobrir se proteger a floresta seria tão rentável como o óleo de palma.

Segundo o esquema REDD, as companhias produtoras de óleo de palma podem ser chamadas a proteger as áreas florestadas que detêm e vender "créditos de carbono" para a quantidade de carbono que a floresta contém.

"Apesar da sua rica biodiversidade, não temos sido capazes de proteger estas florestas com os fundos para a conservação", diz Venter. "Por isso fomos ver se o esquema REDD seria capaz de o fazer e o que isso significaria para a biodiversidade."

Ele analisou os relatórios financeiros das companhias produtoras de óleo de palma para ver quanto dinheiro ganhavam com essa produção, bem como com a venda da madeira das árvores abatidas.

Compararam estes ganhos com as emissões de carbono previstas para os projectos de produção de óleo de palma e calcularam se, com os créditos de carbono vendidos por $10 a tonelada, conservar a floresta seria mais lucrativo que abater a floresta para plantar palmeiras.

"Este preço é equivalente se o óleo de palma apenas puder ser plantado em zonas moderadamente adequadas ou se algumas das plantações puderem ser deslocadas para zonas já desflorestadas. Qualquer preço acima desse valor significa que o esquema REDD se torna mais lucrativo que a plantação de palmeiras", explica Venter.

 

Os mercados de carbono, ainda que flutuantes, são onde o preço do carbono é estabelecido actualmente. Por isso comparámos os nossos valores com os preços nos principais mercados globais, que na altura estavam a vender carbono por cerca de $30 por tonelada de CO2."

O REDD é um programa das Nações Unidas introduzido em 2005 para criar um sistema financeiro que proteja as florestas tropicais húmidas. Venter espera que a sua investigação fortaleça o caso de maneira a que seja incluído nos acordos sobre o clima que substituirão Quioto, a decidir em Copenhaga no final deste ano.

"Se o REDD se tornar realmente parte do próximo acordo climático internacional, terá o potencial de financiar a protecção da floresta em áreas destinadas a conversão para a produção de óleo de palma", diz Venter.

Segundo ele, as descobertas mostraram que era possível criar "incentivos financeiros que garantam que as florestas tropicais de todo o mundo continuem até ao próximo século, em vez de se tornarem uma memória do passado". 

"As florestas tropicais estão a desaparecer a um ritmo impressionante, o equivalente a 50 campos de futebol por minuto, ameaçando a biodiversidade e criando emissões monumentais de carbono que estão a degradar o clima global", diz William Laurance, investigador do Instituto de Investigação Tropical Smithsonian no panamá.

Mas Laurance considera que a produção de óleo de palma vai ser muito difícil de parar pois é tão rentável. "Ao preço actual do carbono não vamos ser capazes de impedir a destruição da floresta tropical pelas plantações de palma. "Mas podemos pressionar as piores companhias, as mais destruidoras, e lutar para proteger as áreas prioritárias."

"O esquema REDD é provavelmente a nossa melhor hipótese de investir biliões de dólares na conservação da floresta e ajudar as nações em vias de desenvolvimento a ter um lucro razoável a partir delas." 

 

 

Saber mais:

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