2009-06-01

Subject: Plantas capazes de se reconhecer a si próprias

 

Plantas capazes de se reconhecer a si próprias

 

 

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Artemisia tridentataExperiências mostram que uma artemísia é capaz de reconhecer uma poda geneticamente igual a crescer nas vizinhanças.

Mais intrigante ainda, os dois clones comunicam e cooperam entre si, de forma a evitarem ser devorados pelos herbívoros.

A descoberta, publicada na última edição da revista Ecology Letters, coloca a possibilidade de as plantas, tal como os animais, preferirem frequentemente ajudar os seus parentes em vez de indivíduos sem qualquer relação com elas.

A capacidade de distinguir o 'eu' do 'outro' é vital na natureza, pois permite a muitos animais agir preferencialmente em relação a outros com quem são geneticamente relacionados. Por exemplo, uma leoa a criar as suas próprias crias ou a proteger outras crias do seu grupo com quem tem uma relação mais distante.

Mas as evidências de que as plantas são capazes de fazer o mesmo são limitadas e controversas.

Algumas experiências mostraram que se as raízes de uma planta crescerem perto de outra planta com a qual não tem relação, as duas vão tentar competir por nutrientes e água mas se a raiz crescer perto das de uma planta aparentada, as duas não competem.

No entanto, nessas experiências, quando duas podas da mesma planta são colocadas a crescer lado a lado, as suas raízes ainda assim competem pelos recursos. Daí se inferiu que duas plantas separadas não conseguem reconhecer os seus parentes genéticos.

Mas agora, um novo estudo realizado por Richard Karban, da Universidade da Califórnia, Davis, e Kaori Shiojiri, da Universidade de Quioto em Otsu, revelou que algumas plantas são capazes de o fazer.

Eles utilizaram podas de Artemisia tridentata, uma espécie que normalmente não se reproduz assexuadamente.

Colocaram cada poda ou perto de um seu parente genético, basicamente um clone, ou perto de uma artemísia não aparentada, e deixaram as plantas crescer na natureza, na Reserva Sagehen Creek da Universidade da Califórnia. Os investigadores podaram cada clone que plantaram, simulando os danos que poderiam ser causados por herbívoros naturais, como os gafanhotos.

Após um ano, descobriram que as plantas que cresciam ao lado dos seus clones danificados sofriam 42% menos danos causados por herbívoros que as que cresciam ao lado de plantas danificadas com as quais não tinham parentesco.

De alguma forma, as plantas podadas pareciam alertar os seus vizinhos geneticamente idênticos de que um ataque estava eminente e que o vizinho devia de alguma forma proteger-se. No entanto, as plantas podadas não alertavam as plantas não aparentadas.

 

Karban diz que ficou "muito surpreso" pelos resultados. "Isto implica que as plantas são capazes de um comportamento mais sofisticado do que imaginávamos."

Karban suspeita que as plantas estão a comunicar através de químicos voláteis. Quando uma planta é cortada ou é atacada por herbívoros, emite esses químicos para o ar, alertando as plantas em redor para aumentarem as defesas, seja enchendo as folhas de químicos tóxicos ou movendo fisicamente os caules e folhas de forma a tornarem-se menos atractivas.

Dado que a sua equipa ainda não sabe exactamente como as plantas estão a comunicar entre si, outros investigadores permanecem cépticos quanto à sua interpretação dos resultados, admite Karban.

"É controverso", diz ele, "mas através deste processo de comunicação a artemísia parece capaz de distinguir o 'eu' do 'outro', abrindo um mundo de outras possibilidades, nomeadamente que as plantas selvagens podem estar a cooperar preferencialmente com os seus parentes.

Não há provas concretas ainda para demonstrar que isso é verdade, refere Karban, mas ele espera que outros agora se interessem por fazer mais pesquisas para investigar a possibilidade. 

Em animais, a cooperação entre indivíduos relacionados é reconhecidamente uma força evolutiva importante, tendo até recebido a designação de selecção de parentes, ainda que esteja actualmente a ser contestada (veja O último prego no caixão da selecção de grupo?). 

 

 

Saber mais:

Self-recognition affects plant communication and defense- Ecology Letters

O último prego no caixão da selecção de grupo?

A planta que se rega a si própria

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