2009-05-30

Subject: Golfinhos estrangulados por redes de pesca

 

Golfinhos estrangulados por redes de pesca

 

 

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Os roazes-corvineiros do mar Adriático estão a ser estrangulados por redes de pesca, descobriram os veterinários locais.

As redes enrolam-se à volta da laringe dos golfinhos, impedindo-os de respirar e matando-os.

Sabe-se de pelo menos 12 golfinhos que morreram desta forma, os primeiros registos confirmados de cetáceos mortos por estrangulamento devido a equipamento de pesca.

As baleias, golfinhos e botos ficam frequentemente enredados e presos nas redes de pesca, afogando-se quando elas os impedem de nadar até à superfície para respirar.

No entanto, um estudo sobre as mortes de golfinhos realizado por veterinários e fisiologistas animais na Croácia sugere que os animais estão a aprender a alimentar-se directamente das redes de pesca, aumentando fortemente o risco de afogamento. O pior é que os animais não morrem rapidamente, frequentemente morrem muito tempo depois.

Em 1990, a veterinária Martina Gomercic, da Universidade de Zagreb na Croácia, começou a realizar autópsias aos roazes-corvineiros encontrados ao longo da costa do seu país. Ao longo de 18 anos examinaram 120 golfinhos mortos e, num pequeno número, encontraram redes de pesca penduradas nas suas bocas.

Investigação mais detalhada revelou que 12 animais, cerca de 10% dos encontrados nas praias, tinham morrido devido a estrangulamento causado pelas redes de pesca se terem enrolado em volta da laringe, que nos golfinhos faz a ligação entre a traqueia e o orifício respiratório.

Quando isso acontece, um golfinho não morre rapidamente, relata a equipa de Gomercic na última edição da revista Marine Mammal Science, pelo contrário, pois o fio das redes vai cortando progressivamente mais fundo a laringe, até que o ferimento se torna letal.

"Medimos o diâmetro da malha e examinámos o tipo de rede", diz Gomercic. "As redes são com toda a certeza de pesca privada ou comercial de pequena escala, que é o tipo mais vulgar de pesca ao longo da costa croata e opera todo o ano." Ela acredita que os golfinhos tentam alimentar-se do peixe já preso na rede e arrancam acidentalmente parte da rede, engolindo-a. 

Alguns golfinhos que deram à praia tinham redes no estômago, sugerindo que por vezes as engolem completamente. No entanto, noutras ocasiões, um pedaço de rede que pode ter até um metro de comprimento apenas é parcialmente engolida e fica pendurada da boca. À medida que o golfinho a tenta regurgitar, ou através dos movimentos normais, enrola-se cada vez mais à volta da laringe.

Ficar emaranhado em redes de pesca é um problema grave para muitos mamíferos marinhos e, para mitigar a situação, muitos países estão a tentar limitar a utilização de equipamento de pesca que capture espécies que não as espécies-alvo.

 

Essa legislação ainda é incipiente, considera Gomercic, e a pesca ilegal continua em pleno mas parte do problema para os roazes-corvineiros do Adriático pode ser o seu próprio comportamento.

Gomercic acredita que os roazes-corvineiros da zona estão cada vez mais atraídos pelas redes de pesca, considerando-as uma fonte fácil de comida. Os adultos já estão a passar este comportamento às gerações seguintes.

Durante nove anos a equipa de Gomercic não registou nenhum caso de estrangulamento. "Os primeiros casos em 1999, 2000 e 2001 foram considerados casos individuais mas depois observámos mais dois casos em 2002, dois em 2003, dois em 2005 e dois em 2007", diz ela. O décimo segundo caso ocorreu em 2006.

"Este aumento mostra que estes animais altamente sociáveis estão a transmitir o seu conhecimento sobre a forma de encontrar presas de forma mais fácil do que capturar presas livres."

Assim, não só as redes podem estar a matar cetáceos de uma forma que não tinha sido registada até à data mas também podem estar a alterar o seu método de alimentação, encorajando-os a pilhar alimento em vez de o caçar. Como os golfinhos são predadores de topo, "essa alteração no comportamento predatório pode influenciar todo o ecossistema", diz Gomercic.

 

 

Saber mais:

Marine Mammal Science

Whale and Dolphin Conservation Society

Arrastões têm duplo alcance

Lançado novo apelo à proibição das formas de pesca destrutivas

 

 

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