2009-05-27

Subject: O último prego no caixão da selecção de grupo?

 

O último prego no caixão da selecção de grupo?

 

 

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Um modelo que examina o comportamento de parasitas a infectarem os seus hospedeiros torna o paradigma da selecção de grupo desnecessário, dizem cientistas canadianos e ingleses.

Por que motivo os organismos revelam comportamentos ou outras adaptações que não lhes são directamente benéficos é uma questão que tem intrigado os biólogos e causado conflitos entre as diferentes escolas de pensamento ao longo das gerações.

Abelhas que passam a vida a servir a sua rainha, por exemplo, ou elefantes que cuidam da descendência de outros na manada, estão a participar em actos cooperativos que podem minar as sua próprias hipóteses de reprodução.

A selecção de grupo, geralmente associada aos escritos do zoológo britânico Vero Wynne-Edwards na década de 60, forneceu uma moldura para a compreensão do equilíbrio entre as adaptações altruísticas e egoístas, propondo que adaptações ao nível da sobrevivência do grupo eram possíveis.

Veiculada mais recentemente por outros investigadores, incluindo David Sloan Wilson, biólogo evolucionista da Universidade de Nova Iorque em Binghamton, a teoria do grupo tornou-se sinónimo de selecção e adaptação a muitos níveis: características que conferem benefícios ao indivíduo, à família, ao grupo ou à sociedade.

Mas uma explicação alternativa, a selecção dos parentes, baseada na aptidão do indivíduo e os benefícios conferidos ao parente mais próximo do indivíduo, tem sido a preferida pela maioria dos biólogos evolutivos ao longo dos anos.

A selecção dos parentes, expressa pela primeira vez matematicamente pelo biólogo evolutivo inglês William Hamilton mais ou menos ao mesmo tempo que a de Wynne-Edwards, analisa a aptidão inclusiva de um organismo, que inclui o número da sua própria descendência mas também o grau de parentesco dos indivíduos que o organismo ajuda. Os seus proponentes consideram o gene como a unidade última de adaptação.

Num artigo publicado online na revista Nature, Geoff Wild, matemático da Universidade do Ontário Ocidental em Londres, Canadá, expande um modelo comum, o de parasitas a infectar uma população de hospedeiros. "A aptidão inclusiva é o que interessa, é uma forma poderosa de pensar sobre o mundo e modelá-lo."

 

Os parasitas têm tendência para aumentar a sua taxa de reprodução e virulência, que pode acabar por ser fatal para os hospedeiros e deixar os parasitas encalhados. Mas se os parasitas reduzirem a sua taxa de reprodução, limitando a sua utilização dos recursos, podem propagar-se de hospedeiro para hospedeiro e alcançar grande número.

Os autores modelaram este equilíbrio entre virulência e não virulência em três patamares: o hospedeiro individual num grupo de hospedeiros e numa ilha com muitos grupos de hospedeiros. "O que fizemos de novo foi ter uma abordagem explícita de selecção os parentes nesse modelo", diz Wild. Mais importante, diz ele, mede os diferentes tipos de sucesso reprodutivo que um dado parasita desfruta, incluindo oportunidades de propagação futura.

O artigo alega que todas as predições acerca da adaptação da população podem ser feitas sem invocar as adaptações a nível do grupo e que a aptidão individual pode ser a responsável por tudo o que se observa. De facto, ambas as molduras de selecção geram as mesmas predições mas para Wild, a selecção de grupo não é uma forma robusta de modelar o mundo real: "O cientista paranóico em mim pergunta se não devemos usar a ferramenta que vai sempre funcionar."

No entanto, Wilson diz que qualquer alegação de que a investigação torna a selecção de grupo uma teoria obsoleta é enganadora. Em vez de a eliminar, o artigo apenas a descreve de forma diferente e isso não é novo à linguagem da selecção de grupo. "Isto conta como exemplo de adaptação ao nível de grupo? A julgar pela forma como estes conceitos foram definidos ao longo da história do assunto, a resposta deve ser sim."

O modelo que os autores usam assume que cada hospedeiro individual pode ser infectado apenas por uma estirpe de parasita de cada vez. Entre outras questões que ele levanta, Wilson chama a isto uma falha devastadora. Ao impedir que diferentes parasitas compitam pela supremacia num dado hospedeiro, não tem em consideração uma medida da aptidão num aspecto crucial. 

Mas Wild diz que esse tipo de modificação não melhoraria nada o modelo. "Competição dentro do hospedeiro? Isso seria óptimo mas o que não percebo é por que isso seria necessário para passar a mensagem de adaptação que estamos a tentar passar." 

 

 

Saber mais:

As necessidades do grupo

 

 

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