2009-05-21

Subject: Orangotangos canibalizam os filhos

 

Orangotangos canibalizam os filhos

 

 

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Duas fêmeas de orangotango foram observadas a canibalizar os corpos dos seus filhos recém-falecidos, um comportamento que nunca tinha sido observado em espécies de grandes símios até à data.

Os dois incidentes ocorreram com apenas um mês de diferença na mesma região das florestas indonésias.

O conservacionista que testemunhou ambos os incidentes suspeita que são exemplos de um comportamento aberrante desencadeado pelas condições de vida stressantes em que vivem ambas as mães.

Para além dos humanos, os chimpanzés foram os únicos grandes símios que se sabe praticarem o canibalismo. O comportamento também já tinha sido inferido mas nunca observado em gorilas, depois de vestígios de crias terem sido encontrados nas fezes de dois adultos, mas nenhum grande símio tinha sido registado a devorar a própria descendência.

"O canibalismo tem sido documentado em chimpanzés e relatado em gorilas. Nunca antes tinha sido vista qualquer espécie de grande símio a tratar a sua própria descendência como um recurso consumível", diz David Dellatore, da Universidade de Oxford Brookes em Oxford, Reino Unido.

Isso foi até Dellatore começar a seguir os orangotangos que vivem em Bukit Lawang, uma área de floresta no interior do Parque Nacional Gunung Leuser em Sumatra, Indonésia.

Dellatore, que agora trabalha com a Sumatran Orangutan Society sediada em Medan, Sumatra, inicialmente seguia a saúde física dos orangotangos que tinham sido libertados após reabilitação em cativeiro mas rapidamente se apercebeu que os turistas da zona estavam a interagir de perto com os símios.

Apesar da proibição para o fazerem, alguns turistas alimentavam e tocavam os primatas semi-selvagens e por isso Dellatore alterou o alvo da sua investigação para o seguimento da saúde comportamental dos orangotangos, seguindo-os de manhã à noite.

Durante a sua investigação testemunhou por duas vezes orangotangos fêmea que já conhecia a comer os cadáveres dos seus bebés recém-falecidos.

"Enquanto estava a seguir Edita, cujo filho tinha acabado de morrer na floresta, por volta do oitavo dia eu e o meu assistente Tumino vimo-la começar a consumir o cadáver", explica Dellatore. "Primeiro nem queríamos acreditar mas não havia dúvida. Edita estava a cometer canibalismo filial. Cerca de um mês depois, estava a seguir Ratna sozinho e observei o mesmo, mais uma vez com um filho recém-morto."

Observar o primeiro caso tinha sido uma surpresa para Dellatore, mas o segundo incidente foi verdadeiramente chocante. "Esse tipo de comportamento nunca tinha sido observado em mais de quatro décadas de pesquisas sobre orangotangos. Com certeza não pode estar a acontecer duas vezes num mês!", lembra-se Dellatore de perguntar a si próprio.

 

Mas Dellatore conseguiu recolher mais provas do segundo incidente. "Recuperei um pedaço que caiu do esqueleto do bebé que Ratna tinha cuspido, bem como uma sequência clara de vídeo do acontecimento."

Dellatore não tem a certeza do motivo porque os orangotangos se comportaram desta forma. "Não faz sentido evolutivo nenhum que as fêmeas orangotango matem os seus filhos, nem há evidências de que isso tenha acontecido aqui."

Mas ele também salienta que não é invulgar ver orangotangos e outras mães não humanas de primatas transportarem os seus filhos mortos. "Pode ser parte do processo de luto."

De facto, Edita, uma fêmea com 23 anos, transportou e protegeu o corpo da sua cria durante sete dias, inspeccionando-o regularmente e gemendo. Só ao oitavo dia começou a consumi-lo, quando já estava fortemente decomposto. O filho de sete meses de Ratna, fêmea com 20 anos de idade, também andava adoentado antes da sua morte.

Dellatore está relutante em fazer afirmações definitivas sobre o comportamento que observou mas suspeita que a criação em situações de stress das mães pode ser a origem dos seus actos posteriores.

"Os orangotangos semi-selvagens são expostos a traumas consideráveis, como testemunhar a morte das suas próprias mães", diz ele. Para alimentar o comércio de animais de estimação, capturam-se orangotangos bebés na natureza, matando a mãe no processo pois ela nunca abandonaria o filho. Os orangotangos cativos também passam por longos períodos de isolamento social.

"Estudos mostraram que a privação social precoce pode ter efeitos prejudiciais na capacidade cognitiva posterior logo é possível que o canibalismo seja uma extensão desses efeitos."

Apesar de raros, já têm sido registados casos de mães a canibalizar as suas crias noutras espécies de macacos. Em gálagos, o comportamento já foi associado a condições de vida stressantes.

A presença dos turistas também pode estar a stressar os animais. Dellatore apoia ecoturismo adequado na zona, que pode trazer fundos importantes para a conservação dos primatas mas também considera que demasiados turistas estão na zona, a interagir com os grandes símios de forma pouco responsável tanto do ponto de vista ambiental como social. 

 

 

Saber mais:

Vídeo - Orangotango fêmea devora própria cria

Sumatran Orangutan Society

 

 

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