2009-05-19

Subject: Evolução está a abrandar caracóis 

 

Evolução está a abrandar caracóis 

 

 

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A selecção natural está a favorecer os caracóis com taxas metabólicas reduzidas, descobriram investigadores chilenos.

É a primeira vez que que se sabe que esta característica esteja a ser seleccionada em indivíduos de qualquer espécie.

Os caracóis com metabolismos mais lentos estão em vantagem porque têm mais energia para despender noutras actividades, como o crescimento ou a reprodução, revelam os investigadores na última edição da revista Evolution.

Roberto Nespolo e Paulina Artacho, da Universidade do Sul do Chile em Valdivia, examinaram uma hipótese biológica há muito aceite conhecida como "definição energética do mais apto". "Esta hipótese prevê que os animais que gastem menos energia vão ter um excedente maior para a sobrevivência e a reprodução", explica Nespolo.

Poucos estudos tinham testado esta ideia e três realizados com roedores não tinham sido capazes de encontrar evidências de que fosse verdadeira. "O nosso é o quarto estudo e o primeiro a demonstrar uma selecção direccional significativa sobre o metabolismo", diz Nespolo.

Nespolo e Artacho mediram o tamanho de quase 100 caracóis de jardim Helix aspersa, bem como a sua taxa metabólica basal (TMB), através da quantidade de dióxido de carbono que cada animal produz em repouso. A taxa metabólica basal é a medida da quantidade mínima de energia que um animal precisa para se manter vivo.

"A taxa metabólica basal é a energia necessária para a manutenção da vida, ou seja, ter menos manutenção significa que há mais energia para outras actividades, como o crescimento e a reprodução. É por isso que a redução no metabolismo significa maior aptidão", diz Nespolo.

Depois de sete meses, os investigadores voltaram a capturar os animais, recolhendo as conchas vazias dos que tinham morrido.

Descobriram que o tamanho não era capaz de prever que animais sobreviviam mas a taxa metabólica basal sim, com os animais sobreviventes a ter uma TMB 20% inferior à dos caracóis que não tinham sobrevivido.

 

Quanto menor a taxa metabólica de cada caracol, maior a sua hipótese de sobrevivência, o que significa que a natureza está a seleccionar os caracóis que são mais eficientes do ponto de vista energético, diz Nespolo.

O estudo de Nespolo e Artacho resultou tão bem em parte devido ao tipo de animal que escolheram estudar. Investigações anteriores tinham examinado o metabolismo de ratinhos selvagens mas é impossível saber se os ratos que desaparecem de um estudo morreram ou simplesmente se deslocaram para outras zonas. Por esse motivo, é difícil medir com rigor quantos ratinhos sobrevivem de ano para ano.

Ao decidirem estudar caracóis de jardim que vivem em compartimentos construídos propositadamente, Nespolo e Artacho evitaram esse problema pois os caracóis não se deslocavam para longe e deixavam para trás as conchas vazias quando morriam. "Podíamos recuperar os mortos devido às suas conchas e porque não se deslocavam mais do que alguns metros por ano", diz Nespolo.

Os investigadores tencionam agora responder à questão principal: está o facto de se ter um metabolismo lento associado ao facto de se mover lentamente? Se existe essa relação, então os caracóis estão apenas a evoluir de forma a usarem a energia mais lentamente mas estão cada vez a deslocar-se com um passo de caracol cada vez mais lento. 

 

 

Saber mais:

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