2009-05-05

Subject: Qual a gravidade do surto de H1N1?

 

Qual a gravidade do surto de H1N1?

 

 

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A Organização Mundial de Saúde (OMS) permanece esta semana à beira de declarar a pandemia do vírus da gripe associada aos suínos H1N1. Os serviços de saúde e os cientistas fizeram progressos na compreensão do surto mas as principais questões sobre até que ponto este surto será grave permanecem em aberto.

Até à data, o vírus já se propagou a 21 países em cinco continentes, com 1124 casos confirmados e 26 mortes. A OMS permanece em alerta de pandemia de grau 5 numa escala de 6, onde chegou após se verificar a transmissão sustentada pessoa a pessoa nas Américas. "Estamos muito para além da fase de contenção", diz Ira Longini, epidemiologista da Universidade de Washington em Seattle. "Já estamos na fase de mitigação."

O principal desafio para os cientistas agora é avaliar a severidade da possível pandemia. As fases de pandemia da OMS referem-se apenas à propagação geográfica de uma nova doença mas os planos de pandemia dos governos precisam mais de uma análise da severidade do surto para guiar a sua resposta. 

A maioria dos casos detectados até agora têm sido suaves, com relativamente poucas mortes para o número total de casos mas dados fiáveis ainda não existem para o México, onde ocorreu a maioria dos casos e o número de casos noutros países permanece estatisticamente demasiado baixo para detectar níveis de mesmo 1–2% de taxa de mortalidade, menos que a pandemia de 1918 do vírus da gripe H1N1.

Os investigadores estão, no entanto, a começar a conhecer os primeiros números para algumas outras variáveis chave da propagação, incluindo a taxa reprodutiva base (R0), ou seja, o número de novos casos a que um indivíduo infectado dá origem. As estatísticas preliminares de Longini estimadas a partir dos dados de campo sugerem que a R0 actual é de cerca de 1,4. "Neste momento o vírus não parece ser tão transmissível como as estirpes pandémicas do passado." A R0 da pandemia de 1918 foi estimada em menos de 4 e a da gripe sazonal tipicamente varia entre 1,5 e 3.

Longini também sugere que o tempo de geração, o período de tempo antes de um indivíduo infectado começar a infectar outros, é provavelmente entre 3 e 5 dias mas mais próximo de 3. Quanto mais alta a R0 e menor o tempo de geração, mais rápida é a propagação e mais difícil o seu controlo.

Uma forma relacionada de olhar para o vírus é a taxa de ataque secundário, que pode ser estimada a partir de dados de campo observando a proporção de uma cohort relativamente confinada, como uma casa ou uma escola, que fica doente depois de exposta a um contacto. A actual taxa de ataque secundário é de cerca de 25–30%, segundo Anne Schuchat do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) de Atlanta, Georgia, mas também este número pode ser alterado.

Com apenas duas semanas de surto, os investigadores estão a usar os dados que vão chegando sobre a transmissibilidade e infecciosidade para criar cenários-modelo da forma como o vírus pode evoluir e para refinar as medidas de controlo e mitigação para os diversos níveis de virulência, diz o epidemiologista Marc Lipsitch, da Escola de Saúde Pública de Harvard.

 

"A minha visão pessoal é que é demasiado cedo para saber a severidade do surto", diz Lipsitch, que trabalha com o CDC como parte de uma 'equipa B' de investigadores académicos e conselheiros externos. Uma razão para a doença parecer benigna nos Estados Unidos é o facto de apenas uma morte anunciada entre 286 casos. Mas essas taxas de casos/fatalidades, relatadas uma semana após um caso ser confirmado, podem subestimar a verdadeira taxa de mortalidade pois ignoram pacientes que continuam doentes e morrem posteriormente. Essa situação foi demonstrada em 2003, quando a taxa de casos/fatalidades para o síndroma respiratório agudo (SARS) na Ásia foi inicialmente colocada em poucos por cento mas com estudos subsequentes revelou ser perto de 20%.

Os peritos também recordam para o facto de a pandemia de 1918 ter começado com uma onda de gripe benigna no início de 1918, para voltar como uma vingança no final do ano. "Estou muito preocupado com o que vai acontecer no Outono", diz Schuchat.

Estimar continuamente as taxas de mortalidade é agora a prioridade máxima dos corpos de saúde pública e dos cientistas, o que pode ser mais simples com o aumento do número de casos.

"A incerteza é um desafio importante, não somos muito bons a prever a gripe", diz Stephen Morse, epidemiologista da Universidade de Columbia em Nova Iorque. "O aumento da virulência, especialmente em adultos jovens, desencadearia uma resposta muito maior." Até à data, 62% dos casos nos Estados Unidos, por exemplo, foram entre pessoas com menos de 18 anos.

No México, as autoridades baixaram o nível de alerta e começaram a levantar algumas restrições às reuniões públicas, incluindo os restaurantes. Longini considera essas acções adequadas para evitar a propagação da nova doença. "O México fez um óptimo trabalho na implementação de das necessárias medidas de distanciamento social e métodos de contenção que ajudaram na redução da transmissão." As medidas de mitigação também têm como objectivo minimizar a perturbação social e maximizar a assistência médica, tentando evitar que todos fiquem doentes em casa sem trabalhar ou que inundem os hospitais ao mesmo tempo.

Mas ainda mais importante, essas medidas ajudam-nos a ganhar tempo para a criação de uma vacina. A OMS está a analisar a forma como uma vacina para a actual estirpe de H1N1 pode ser produzida, incluindo a possibilidade de encurtar a corrida para a produção da vacina para a próxima gripe sazonal para avançar com a produção da vacina para a nova estirpe. O prazo mínimo para a obtenção de uma vacina para o H1N1 será entre 4 e 6 meses. 

 

 

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