2009-04-29

Subject: Reforço vitamínico do milho transgénico

 

Reforço vitamínico do milho transgénico

 

 

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Um tipo de milho geneticamente modificado (GM) fortificado com três vitaminas foi produzido por investigadores europeus.

As modificações levam a que o milho em crescimento produza grandes quantidades de beta-caroteno e precursores de vitamina C e ácido fólico.

O desenvolvimento marca a primeira vez que uma planta foi modificada para produzir mais que uma vitamina.

Os criadores defendem que esta cultura pode ajudar a melhorar as dietas dos países mais pobres mas os defensores da proibição dos GM estão cépticos.

A investigação é relatada na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), onde se revela como foi criado o milho branco sul-africano. A equipa liderada por Paul Christou, da Universidade espanhola de Lleida, transferiu genes para embriões imaturos de uma variedade conhecida por M37W.

Os embriões foram bombardeados com partículas de metal cobertas com segmentos de DNA que, se absorvidos pelo embrião, lhe alterarão os processos internos de forma a produzir vitaminas.

Análises subsequentes de amostras de plantas que cresceram a partir das sementes geneticamente modificadas mostraram que o milho tinha sido manipulado com sucesso e produzia vitaminas. As alterações induzidas no milho também persistiram ao longo de uma série de gerações.

A produção de vitaminas "excede largamente" qualquer método de produção de plantas tradicional, escreve Christou, juntamente com os seus colegas espanhóis e alemães.

Produzir uma planta que contenha três vitaminas pode ajudar as nações mais pobres a melhorar uma dieta que depende frequentemente de um único alimento, dizem os cientistas. Até agora, as plantas produzidas eram fortificadas apenas com uma vitamina, o que podia aliviar uma deficiência mas não tinha efeito sobre outras.

Pelo contrário, quem comer 100 a 200 g do milho fortificado obtêm praticamente a dose diária recomendada de vitamina A e ácido fólico e 20% do ácido ascórbico de que necessitam. Christou comenta: "A nossa investigação tem uma natureza humanitária e tem como objectivo as pessoas empobrecidas nos países em vias de desenvolvimento. Este projecto específico destina-se à África subsaariana. O nosso financiamento é exclusivamente de fontes públicas logo não estamos restringidos por qualquer interesse comercial."

 

Christou refere que o sucesso do trabalho laboratorial está a motivar a equipa para iniciar os testes de campo, que devem ter início em 2010 nos Estados Unidos. "Depois disso seremos capazes de ter dados suficientes para tentar em África. Vamos iniciar brevemente estudos em animais para a obtenção de dados sobre segurança e eficácia."

Johnathan Napier, investigador do Instituto de Investigação Rothamsted no Reino Unido, diz que o trabalho de Christou é semelhante ao que foi feito com o "arroz dourado" mas originou uma cultura com um nível muito superior de vitamina A.

Ele acrescenta que há séculos que os agricultores seleccionam as culturas de forma a serem resistentes a certas doenças, a serem mais fáceis de colher ou a produzir mais. "Com o advento de tecnologias mais avançadas podemos seleccionar características menos óbvias mas mais importantes, como a nutrição. No entanto, o processo de aprovação para produção é longo e rigoroso, é importante garantir que a tecnologia funciona, é estável e correctamente avaliada."

Clare Oxborrow, da organização Friends of the Earth, colocou uma nota de cautela acerca das culturas geneticamente modificadas. Oxborrow refere que é "virtualmente impossível" conter as culturas GM e ter a certeza que as pessoas que se alimentam delas tenham a dose correcta do que foram modificadas para produzir.

Ela acrescenta que as pessoas que não têm acesso a uma dieta equilibrada frequentemente não têm acesso a qualquer tipo de alimento, logo fortificar alguns produtos não resolve os seus problemas. Em vez de se optar por "soluções tecnológicas dispendiosas, não testadas e potencialmente perigosas, os esforços dos investigadores seriam melhor aplicados no garantir de que as pessoas possam cultivar ou ter acesso a uma diversidade de alimentos, que lhes dariam melhor saúde".

Oxborrow refere que o arroz dourado, fortificado com vitamina A, está disponível há muitos anos mas continua a não ser usado ou comercializado de forma generalizada. "Apoiar as famílias a cultivar os seus vegetais verdes garante níveis suficientes de vitamina A, para além de uma série de outros nutrientes e vitaminas que uma solução GM de banda estreita não resolve." 

 

 

Saber mais:

PNAS

Rothamsted Research

Friends of the Earth

 

 

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