2009-04-17

Subject: Árvores moribundas podem exacerbar alterações climáticas

 

Árvores moribundas podem exacerbar alterações climáticas

 

 

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Peritos em silvicultura alertaram novamente para o facto de as alterações climáticas poderem transformar as florestas de sumidouros em fontes de carbono.

A capacidade de armazenamento de carbono das florestas globais pode ser perdida completamente se a Terra aquecer 2,5° Celsius acima dos níveis pré-industriais, revela um novo estudo agora conhecido.

A análise feita pela International Union of Forest Research Organizations (IUFRO) é a síntese da informação existente sobre a questão. "Esta é a primeira vez que foi recolhida a uma escala global", diz Alexander Buck, director-adjunto executivo da IUFRO em Viena. "É a avaliação mais exaustiva dos efeitos negativos e positivos das alterações climáticas sobre as florestas mundiais."

O relatório examina a forma como quatro tipos de florestas diferentes (boreal, temperada, tropical e subtropical) serão afectadas em quatro cenários climático: inevitável, estável, crescimento e crescimento acelerado. Os cenários de crescimento e crescimento acelerado correspondem às emissões que temos vindo a produzir, em que o crescimento acelerado a representar o padrão de altas emissões observado desde 2000. Nestes dois cenários, as florestas terão dificuldades em se adaptar às alterações climáticas.

Secas, invasões de insectos, fogos e tempestades causarão destruição generalizada das florestas. "O impacto desses fogos e infestações por pragas levará a um aumenta da libertação de carbono para a atmosfera, o que ainda vai exacerbar mais as alterações climáticas", diz Buck.

Num mundo mais quente, as florestas subtropicais e temperadas do sul, como as do oeste dos Estados Unidos, norte da China, sul da Europa, mediterrânicas e australianas, irão secas mais frequentes e mais intensas, aumentando a incidência de fogos e pragas. Esta situação irá levar a mais libertação de carbono, como já tinha sido mencionado num relatório publicado na revista Science que mostrou que uma seca em 2005 na bacia do Amazonas libertou cerca de 1,2 mil milhões de toneladas de carbono.

As florestas de coníferas do Canadá, Rússia e Suécia que formam a região boreal devem sofrer um aquecimento superior ao das florestas equatoriais. Ainda que as temperaturas superiores possam inicialmente fomentar uma expansão para norte da floresta, os efeitos positivos a curto prazo serão cancelados pelo aumento de invasões de insectos, fogos e tempestades.

A passagem de sumidouro para fonte já está em curso. O escaravelho do pinheiro de montanha tem vindo a devastar as florestas do Canadá ocidental, um surto que já cobre 14 milhões de hectares, uma área correspondente a 3,5 vezes o tamanho da Suíça, diz Allan Carroll, ecologista de insectos do Serviço Florestal Canadiano em Victoria, Colúmbia Britânica.

 

Por volta de 2020, que se estima ser o final do surto, cerca de 270 megatoneladas de carbono terão sido emitidas para a atmosfera, o que "é equivalente a cinco anos de emissões de todo sector de transportes do Canadá", diz Carroll.

O relatório salienta que as práticas de gestão sustentada precisam urgentemente de ser postas em prática por todo o globo para reduzir a vulnerabilidade das florestas às alterações climáticas. Isso pode, por exemplo, incluir alterações na gestão da floresta que permitem a queima controlada da vegetação. Até à data, as políticas de prevenção de fogo em regiões como a zona ocidental da América do Norte tiveram como objectivo a supressão total dos fogos, deixando as florestas mais susceptíveis a incêndios em larga escala e ao ataque de insectos.

"Tão poucas florestas estão a ser geridas de forma sustentável, particularmente nas regiões tropicais, e pouco está a ser feito para seguir os impactos das alterações climáticas sobre elas", diz John Innes, perito em silvicultura na Universidade da Colúmbia Britânica em Vancouver e um dos autores do relatório.

O relatório será apresentado no Fórum das Florestas das Nações Unidas, que se reúne em Nova Iorque de 20 de Abril a 1 de Maio. Buck diz que o relatório pode ter impacto nas futuras negociações sobre o clima, incluindo a conferência sobre o clima de Copenhaga em Dezembro. "A convenção sobre o clima está focada na redução das emissões devidas à desflorestação mas não considerou adequadamente o problema da adaptação.

Carroll pensa que alguns governos estão agora preparados para ouvir. "O surto de escaravelho dos pinheiros da montanha e o sinal climático associado com ele é o canário na mina relativamente às perturbações futuras. Levou a que as pessoas prestassem atenção", diz ele. 

 

 

Saber mais:

IUFRO

Florestas mundiais enfrentam tempos difíceis

Plantas não reduzem CO2 num mundo mais quente

Escaravelhos libertam mais carbono que fogos

Aquecimento global vai reduzir o crescimento vegetal nas florestas tropicais

 

 

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