2009-04-14

Subject: Pêlo de elefante revela competição

 

Pêlo de elefante revela competição

 

 

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Elephant family traversing river

A dieta e o comportamento dos elefantes evidenciados pela composição química dos seus pêlos da cauda mostra a forma como eles competem com outras espécies, dizem os investigadores.

O estudo de seis anos, publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, seguiu uma única família de elefantes do norte do Quénia e mostra a forma como os elefantes estão em desvantagem em relação ao gado que pasta nas savanas e o aumento da taxa de concepção devido à abundância cíclica dos recursos alimentares e de água em cada ano.

O estudo é parte de um programa em curso de investigação que segue a família de elefantes usando receptores de GPS em cada indivíduo e determina o seu historial dietético a partir dos seus pêlos da cauda.

Esse historial é depositado cronologicamente através de um "registo isotópico" ao longo do pêlo. Diferentes recursos hídricos e alimentares a que os elefantes têm acesso contêm diferentes razões dos isótopos de carbono, hidrogénio e azoto.

O trabalho anterior da equipa de investigadores, em 2006, mostrou o poder da máxima "somos o que comemos" pois um registo claro da dieta dos elefantes era evidente nas proteínas que compõem os seus pêlos da cauda.

"Agora temos um registo a longo prazo logo podemos realmente ver o que uma família normal faz ao longo de um período longo de tempo", diz Thure Cerling, da Universidade do Utah, que liderou a pesquisa.

No novo trabalho, a equipa também analisou o conteúdo de deutério, um isótopo de hidrogénio, nas caudas dos elefantes para determinar a fonte de água que bebem.

"Durante a estação seca, o rio a que têm acesso tem origem muito distante, logo a água tem muito tempo para evaporar e isso altera a sua composição isotópica", diz Cerling. "A seguir, durante a estação chuvosa, os rios enchem e a composição isotópica volta a alterar-se e nós somos capazes de o detectar."

Mas a descoberta surpresa veio de um estação em que os elefantes aparentemente não se alimentaram de ervas que deviam estar disponíveis em abundância. 

"Quando a estação das chuvas chega as ervas começam logo a crescer mas eles não têm acesso a ela até que atinja os 30 a 50 centímetros de altura", diz Cerling. "Tem que crescer suficientemente alta antes que os elefantes consigam arrancá-la com a tromba."

 

"Registámos este incidente em que aparentemente os elefantes perderam uma estação inteira de bons recursos herbáceos, os dados do GPS mostram que a família esteve fora do Parque Nacional Samburu, numa comunidade onde parece que tinham que competir com o gado doméstico. E perderam essa competição."

A equipa também notou que as concepções aumentaram abruptamente apenas algumas semanas após a estação chuvosa ter trazido a abundância de alimento e água. "Eles aumentam de peso durante a estação chuvosa, ficam em boa condição física logo que as condições melhoram."

Para além disso, a gestação de 22 meses dos elefantes significa que o período máximo de nascimentos é pouco antes de os recursos voltarem a ser abundantes. Isso acontece quando têm água adequada e praticamente no tempo certo para terem acesso a esse recurso rico em proteínas que é a erva."

Esta abordagem permite um olhar íntimo para o comportamento e dieta dos elefantes de uma forma que tradicionalmente não pode ser feito. Ainda que tenham um interesse académico tremendo para os ecologistas da fauna selvagem, Cerling diz que as descobertas recentes apontam para um problema eminente com interesse mais abrangente.

"Aponta para o facto de temos de nos preocupar com o conflito entre a forma como os humanos e a fauna selvagem querem usar os recursos", diz ele. "Com as alterações climáticas os recursos disponíveis vão-se alterar e com o aumento da população, e todas as populações africanas estão a crescer dramaticamente, vamos ter mais competição pelos recursos. Se estamos preocupados com a preservação da fauna selvagem, então temos que nos preocupar com esse tipo de competição." 

 

 

Saber mais:

Save the Elephants

Proceedings of the National Academy of Sciences

 

 

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