2009-04-10

Subject: Chimpanzés trocam carne por sexo

 

Chimpanzés trocam carne por sexo

 

 

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Male chimp shares meat with female

Os chimpanzés fazem 'negócios' em que trocam carne por sexo, revelaram recentemente os investigadores. Os chimpanzés macho dispostos a partilhar o produto das suas expedições de caça acasalam o dobro das vezes que os seus colegas mais egoístas.

Esta troca é a longo prazo, pelo que os machos continuam a partilhar as suas capturas com as fêmeas mesmo quando elas não estão no período fértil, copulando com elas quando estão.

Cristina Gomes, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva na Alemanha, estudou chimpanzés na zona protegida da Floresta Tai na Costa do Marfim. Ela e a sua equipa observaram os animais durante as caçadas e anotaram o número de vezes em que copularam.

"Ao partilharem, os machos aumentaram o número de vezes que acasalam e as fêmeas aumentaram a ingestão de calorias", explica Gomes. "O que é espantoso é que se um macho partilha com uma fêmea em particular, duplica o número de vezes que irá copular com ela, o que provavelmente vai aumentar a probabilidade de fertilizar essa fêmea."

A carne é importante na dieta dos animais devido ao seu elevado conteúdo proteico. Dado que as fêmeas chimpanzé normalmente não caçam, "têm dificuldade em obtê-la por si próprias", explica Gomes.

A 'hipótese do sexo pela carne' já tinha sido apresentada como forma de explicar porque motivo os chimpanzés macho a partilhavam com as fêmeas mas tentativas anteriores de registar o fenómeno tinham falhado pois os investigadores procuraram trocas directas, em que um macho partilha carne com uma fêmea fértil e copula com ela imediatamente.

A equipa de Gomes tentou uma nova abordagem. Num estudo anterior, ela já tinha descoberto que a troca de tratamento do pêlo, em que os animais cuidam uns dos outros alternadamente, acontece ao longo de longos períodos. "Por isso pensámos, porque não ser a mesma coisa relativamente ao sexo e à carne?"

 

"Observámos os chimpanzés fêmea quando não estão no cio, ou seja, quando não apresentam inchaços sexuais e não estão a copular. Os machos ainda assim partilham com elas, são capazes de partilhar carne com uma fêmea num dia e apenas copular com ela dois ou três dias depois."

Gomes pensa que as suas descobertas podem mesmo fornecer pistas sobre a evolução humana.

Ela sugere que estudo pode lançar as fundações para estudos humanos que explorem a associação entre as "boas capacidades de caça e o sucesso reprodutor".

"Esta questão desperta-me muito interesse em humanos", diz ela. "Estou a pensar em trabalhar com caçadores-recolectores."

Michael Gurven, da Universidade da Califórnia, Santa Barbara, estuda o comportamento humano em comunidades de caçadores-recolectores sul-americanos.

Ele refere que a associação directa entre o sucesso como caçador e a reprodução salientada por este estudo pode "ajudar o nosso pensamento sobre os humanos". Gurven, que não esteve envolvido neste estudo, acrescenta que a natureza desta troca de carne por sexo é "como a ligação que se estabelece entre um par de humanos, pois é a longo prazo, salientando algo que ainda não tinha sido observado em chimpanzés". 

 

 

Saber mais:

PLoS one

Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva

 

 

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