2009-04-05

Subject: O lado benéfico dos priões

 

O lado benéfico dos priões

 

 

Dificuldades em visualizar este email?

Consulte-o online!

Os priões, as proteínas mal dobradas conhecidas por causarem doenças como a encefalopatia espongiforme bovina nas vacas ou a doença de Creutzfeldt–Jakob em humanos, também podem ajudar a sobrevivência das leveduras, revela um estudo publicado na revista Cell.

"Pensamos que os priões são realmente importantes", diz o co-autor do estudo Simon Alberti, do Instituto de Investigação Biomédica Whitehead de Cambridge, Massachusetts. "Quando as condições ambientais são agrestes, eles podem permitir a sobrevivência da espécie."

O estudo, liderado por Susan Lindquist, do Instituto Whitehead, apresenta a teoria de que os priões podem conferir uma vantagem evolutiva, diz Alberti. Lindquist apresentou a ideia há nove anos, depois de ter descoberto que um prião chamado PSI+ desencadeava alterações hereditárias em leveduras Saccharomyces cerevisiae, que podiam fornecer uma forma de se adaptar a ambientes em alteração.

Trabalhos mais recentes também sugerem que os priões podem desempenhar um papel na memória das lesmas do mar e do olfacto em ratos.

Neste novo estudo, uma análise do genoma de S. cerevisiae forneceu 24 proteínas potencialmente capazes de formar priões. Apenas cinco priões eram conhecidos em leveduras antes deste estudo.

A equipa focou o estudo numa proteína chamada Mot3 e descobriu que esta se consegue torcer numa forma de prião. Quando na sua forma normal, a Mot3 suprime os genes da levedura envolvidos na construção da parede celular mas quando Mot3 se transforma em prião perde essa função e os genes de construção da parede são activados. Por isso, leveduras contendo os priões Mot3 desenvolvem paredes celulares mais espessas e robustas.

Em algumas condições, como com baixa disponibilidade de oxigénio, uma parede celular mais espessa ajuda as leveduras a sobreviver, diz o co-autor Randal Halfmann, também do Instituto Whitehead.

 

Em uma em cada 10 mil células de levedura, a Mot3 torce-se espontaneamente em priões, descobriram os investigadores. Em leveduras, os priões podem ser transmitidos de geração em geração sem transmissão de material genético, por isso a maioria das células-filhas também transportam a forma prião da Mot3.

Assim, em qualquer população de leveduras, algumas colónias devem apresentar a forma prião da Mot3 e paredes celulares mais espessas. "É uma estratégia que aumenta as hipóteses de sobrevivência", diz Halfmann.

A investigação "representa um novo passo no nosso reconhecimento dos priões e da sua biologia, e pode levar a uma maior compreensão da sua função biológica, que é muito pouco clara, especialmente em animais", diz Willard Eyestone, perito em priões na Universidade Virginia Tech em Blacksburg.

O trabalho também pode ajudar os investigadores a identificar priões anteriormente desconhecidos em organismos com o genoma sequenciado. Isso acontece porque os 24 priões de levedura que a equipa identificou continham uma abundância excessiva de glutamina e aspargina. 

Halfmann diz que a equipa já está a procurar no genoma de outros organismos e espera uma parada de priões para breve: "Temos um poder preditivo muito maior agora", diz Alberti.

 

 

Saber mais:

Doença de priões revertida em ratos

Testes sanguíneos detectam priões mortíferos

Priões infecciosos necessitam de "ajudantes"

Priões aceleram evolução?

 

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

simbiotica.org  |  Arquivo Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2009


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com