2009-04-03

Subject: Datação com carbono mostra que humanos constroem novas células cardíacas

 

Datação com carbono mostra que humanos constroem novas células cardíacas

 

 

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A radiação de testes com bombas nucleares durante a guerra fria acabou de revelar notícias muito encorajadoras para quem busca formas de reverter os problemas cardíacos.

Uma equipa liderada por Jonas Frisén, do Instituto Karolinska de Estocolmo, mostrou que as células cardíacas adultas humanas produzem novas células musculares, ainda que muito, muito lentamente.

As células cardíacas que conseguem gerar cardiomiócitos em cultura já tinham sido identificadas anteriormente mas que o coração se regenere naturalmente tem sido fortemente contestado, diz Kenneth Chien, do Instituto de Células Estaminais de Harvard em Cambridge. 

"Este estudo mostra pela primeira vez e de forma muito clara que há alguma renovação de cardiomiócitos durante o período de vida de um dado indivíduo" e também acaba com as alegações de que as células cardíacas se renovam rapidamente, diz Deepak Srivastava, do Instituto Gladstone de Doenças Cardiovasculares de San Francisco, Califórnia.

Para realizar o estudo, Frisén criou a sua própria versão da datação por radio-carbono. Depois da Segunda Guerra Mundial, os testes com bombas nucleares espalharam poluição de carbono-14 para a atmosfera e este isótopo foi incorporado nas plantas e nas pessoas que as consumiram.

Depois dos testes acima do solo terem sido interrompidos em 1963, os níveis do isótopo começaram a diminuir. O 14C no DNA das células corresponde à quantidade do isótopo na atmosfera no momento em que a célula se estava a dividir, fornecendo uma forma de datar o nascimento de uma dada célula. Ao contrário do que acontece em estudos arqueológicos, com a meia-vida do 14C de cerca de 5700 anos, este não afecta estes resultados.

Pessoas nascidas antes de 1955 e antes do período mais intenso de testes nucleares, tinham níveis de 14C nos seus cardiomiócitos mais altos do que os presentes na atmosfera por altura do seu nascimento, logo algumas dessas células têm que ter surgido mais tarde nas suas vidas. 

Outros trabalhos e modelos matemáticos permitiram à equipa de Frisén calcular que um coração com 50 anos ainda contém mais de metade das células que tinha ao nascer e que a regeneração abranda com a idade. Um coração com 25 anos substitui cerca de 1% dos cardiomiócitos no espaço de um ano, enquanto um com 75 anos apenas metade disso.

 

Mesmo essa velocidade pode ser suficiente para ser útil a pessoas com problemas cardíacos que precisem de novos cardiomiócitos, diz Charles Murry, que estuda medicina cardiovascular na Universidade de Washington em Seattle. "Eles regeneram-se um pouco e se conseguirmos perceber como funciona, podemos tirar partido disso."

Frisén salienta que alguns medicamentos existentes levam os órgãos a gerar novas células. A eritropoitina, por exemplo, provoca a formação de novas células sanguíneas na medula óssea. Alguns anti-depressivos provocam a formação de novos neurónios no cérebro. "Não é totalmente ficção científica imaginar fármacos a promover a produção de novos cardiomiócitos."

O próximo passo, diz Frisén, é estudar tecido cardíaco de pessoas que tiveram ataques cardíacos e ver se o coração produz mais cardiomiócitos após a lesão. Se sim, técnicas que estimulem o processo poderão reverter os danos no coração.

Mas a datação por carbono não consegue responder a uma questão crucial: que tipo de célula produz os novos cardiomiócitos? "É um grande efeito num população discreta ou um efeito pequeno numa população grande?", questiona Chien.

Isso pode fazer uma enorme diferença nas estratégias de reparação do coração. Se as células regeneradoras contribuírem apenas para zonas especializadas do coração, diz Chien, então utilizar esse potencial para reverter danos ao coração será muito mais difícil. Ele, no entanto, também vê um problema se a capacidade regeneradora for geral: "É tão pequena que pode ser clinicamente trivial."

Murry concorda que o primeiro passo será descobrir a fonte dos novos cardiomiócitos. "Seguidamente temos que saber o que os regula, o que faz o processo começar." Depois disso, os investigadores podem tentar fazer as células dividirem-se in situ ou isolá-las e tentar expandir a população certa em cultura.

Mesmo um pequeno efeito pode significar muito, diz ele. "Os dados animais mostram que mesmo uma restauração modesta do músculo cardíaco nos dá um grande benefício." 

 

 

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