2009-03-31

Subject: Proteína anti-HIV produzida em plantas

 

Proteína anti-HIV produzida em plantas

 

 

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Os investigadores usaram plantas para produzir grande quantidade de uma proteína que pode ajudar na prevenção da transmissão do HIV.

O estudo traz a perspectiva de um microbicida comercial para o HIV baseado em proteínas um passo mais perto, dizem os investigadores. Até ao momento esses microbicidas têm-se revelado demasiado dispendiosos para a produção em massa.

Usando uma forma modificada do vírus do mosaico do tabaco, os cientistas ingleses e americanos introduziram genes para a produção de uma proteína chamada grifitsina (GRFT) em plantas Nicotiana benthamiana, da família da planta do tabaco.

Estudos anteriores com células humanas cultivadas em laboratório mostraram que a GRFT é eficiente no combate ao HIV. Pensa-se que a proteína se ligue à superfície do vírus e o impeça de infectar células saudáveis.

Até à data, os testes clínicos com microbicidas não proteicos contra o HIV têm sido desapontantes. O carraguard, um químico que inactiva o HIV danificando a sua superfície proteica, foi o primeiro microbicida anti-HIV a chegar à fase III dos testes clínicos mas em final de 2007 descobriu-se que não funcionava contra o vírus. Os cientistas esperam que os microbicidas baseados em proteínas sejam melhores.

"Já foi demonstrado que as proteínas fornecem alguma da protecção mais eficiente contra o HIV e a GRFT é talvez um dos mais potentes inibidores descritos até à data", diz Kenneth Palmer, virologista na Universidade de Louisville, Kentucky, que liderou uma das equipas. Palmer também trabalha para a Intrucept Biomedicine, companhia de biotecnologia de Owensboro, Kentucky que comercializa o microbicida.

O dispendioso equipamento tradicionalmente necessário ao fabrico de proteínas recombinantes tem impedido os esforços para produzir microbicidas proteicos economicamente. "Os microbicidas têm que ser capazes de competir a nível de custos com os preservativos se se quer que estejam acessíveis às mulheres em países do terceiro mundo", diz Palmer.

Os cientistas já antes tinham tentado modificar plantas de forma a que expressassem as proteínas desejadas, numa tentativa de baixar os custos, mas até agora as plantas modificadas não produziam a quantidade necessária das proteínas.

 

"Os melhores candidatos a microbicidas são proteicos ou contêm medicamentos com moléculas pequenas. Mas recentemente o apetite por microbicidas proteicos estava a desvanecer-se porque não se vislumbrava uma forma de os produzir em quantidade e a baixo preço", diz Julian Ma, imunologista molecular no Hospital St George da Universidade de Londres.

"Este estudo é um marco porque mostra pela primeira vez que as proteínas podem ser obtidas em grande quantidade, trazendo de volta a possibilidade de produzir microbicidas proteicos", acrescenta Ma, que também investiga a produção de medicamentos proteicos em plantas.

A equipa recolheu mais de 60 gramas de GRFT de plantas de N. benthamiana numa estufa com uma área de 460 metros quadrados. Palmer diz que o grupo escolheu esta espécie porque é muito susceptível a modificação genética viral e porque pode ser cultivada em alta densidade em estufas. 

Palmer estima que esta quantidade de GRFT pode dar para produzir cerca de um milhão de doses de microbicida em forma de gel. "Este é o primeiro processo de manufactura realista que permite obter proteínas em plantas."

Actualmente não há medicamentos produzidos por plantas no mercado, apesar de um punhado estar na fase de testes clínicos, incluindo um tratamento produzido por células de cenoura para a doença de Gaucher. Palmer espera começar os testes clínicos nos próximos anos.

Uma preocupação é que a proteína de alga desencadeie uma resposta imunitária em humanos, diz Palmer, mas testes preliminares da eficácia da proteína contra o HIV, a sua segurança e toxicidade, realizados em células cervicais humanas e num modelo coelho são prometedores.

"Parece tudo muito entusiasmante mas será que funciona no modelo primata?", questiona Ian McGowan, co-chefe investigador da Microbicide Trials Network, um grupo internacional de cooperação em investigação de microbicidas anti-HIV. "Vai ser fascinante ver que concentração da proteína será necessária quando se passa de tubo de ensaio para animais e para humanos, pois muitas vezes observamos a necessidade de aumentar a concentração significativamente." 

 

 

Saber mais:

Microbicide Trials Network

HIV já infecta o Homem há um século

HIV ataca a primeira linha de defesa imunitária

 

 

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