2009-03-30

Subject: Criadoras de cogumelos abrem caminho a novos medicamentos

 

Criadoras de cogumelos abrem caminho a novos medicamentos

 

 

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Numa simbiose mutuamente benéfica, formigas-cortadoras cultivam jardins de fungos, fornecendo lar seguro ao fungo e alimento para as formigas.

Mas esta relação com 50 milhões de anos também inclui microrganismos que um novo estudo mostra puderem ajudar a acelerar a busca pelo desenvolvimento de melhores antibióticos e biocombustíveis.

Há dez anos, Cameron Currie, ecologista microbiana na altura na Universidade de Toronto no Ontário, Canadá, descobriu que as formigas-cortadoras transportam colónias de actinomicetos no corpo. Estas bactérias fabricam um antibiótico que protege as culturas de fungos das formigas de fungos parasitas, como o Escovopsis

A 29 de Março, Currie e Jon Clardy, da Escola Médica de Harvard em Boston, relataram ter isolado e purificado um destes antifúngicos, que baptizaram dentigerumicina, e que é um químico que nunca tinha sido identificado. O antifúngico reduziu o crescimento da estirpe resistente aos medicamentos da levedura Candida albicans, causadora de infecções em humanos.

Dado que diferentes espécies de formigas cultivam diferentes culturas de fungos, que por sua vez são alvo de parasitas específicos, os investigadores esperam aprender a fazer melhores antibióticos estudando a forma como as bactérias se adaptaram a combater os parasitas nesta corrida evolutiva às armas ancestral. "Estas formigas são fábricas de antibióticos ambulantes", diz Currie, agora na Universidade do Wisconsin, Madison.

Mas essa não é a única possibilidade de aplicações.

As colónias de formigas também são reactores de biocombustíveis em miniatura, relatou Currie a 25 de Março no encontro Genética da Energia & Ambiente que decorreu no Instituto Joint Genome de Walnut Creek, Califórnia. 

Cada ano, as formigas de uma única colónia recolhem até 400 kg de folhas para alimentar os seus parceiros fúngicos mas ninguém ainda determinou como os fungos digerem as folhas, pois as amostras de fungos postos a crescer em laboratório não conseguem quebrar a celulose presente nas célula vegetais. Os investigadores estão muito interessados em formas mais eficientes de degradar a celulose pois pode permitir-lhes obter biocombustíveis de forma mais eficiente do que os resultantes de materiais glicídicos, como o milho.

 

Assim, Currie sequenciou pequenos segmentos de DNA de bactérias e outros organismos que vivem nos jardins de fungos de três colónias panamianas de formigas-cortadoras. De seguida, comparou o DNA com o presente em bases de dados para identificar que espécies estão a viver nos jardins de fungos e que genes contêm.

Esta abordagem 'metagenómica' descobriu que existem muitas espécies de bactérias nos jardins de fungos capazes de degradar a celulose. A equipa também também detectou as assinaturas genéticas de enzimas fúngicas que degradam a celulose, o que coloca a questão do porquê que os fungos não o conseguem fazer em laboratório.

Currie sugere que as bactérias e enzimas fúngicas recém-descobertas podem ser eficientes na digestão da celulose porque evoluíram durante séculos em conjunto com a simbiose entre formigas e fungos. Isso pode significar que os fungo apenas conseguem degradar a celulose no seu contexto natural, ou que as enzimas detectadas por Currie são trazidas para a colónia do exterior. "A ideia de que a longa história evolutiva das formigas nos pode ajudar na tentativa de degradar a biomassa vegetal", diz ele.

Outros investigadores apelidam as descobertas de Currie de interessantes mas gostariam de ver uma análise mais aprofundada dos dados. "É interessante que ele tenha descoberto estas enzimas fúngicas nos jardins onde não as esperava com base no que os fungos são capazes de fazer por si próprios", diz John Taylor, micologista na Universidade da Califórnia, Berkeley.

Taylor diz que o escrutínio continuado de Currie da vida das formigas fornece informação sobre as interacções necessárias para a sobrevivência de qualquer uma das espécies. "Penso que o melhor disto tudo é começarmos com um organismo e descobrir mais e mais organismos envolvidos na relação." Diz-se que é preciso uma vila inteira para criar uma criança e parece que também é preciso uma vila para degradar a celulose. 

 

 

Saber mais:

Vídeo de formigas-cortadoras

Vídeo PBS

Formigas são agressivas com infiéis

A batalha das borboletas e das formigas

 

 

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