2009-03-28

Subject: Florescimento de algas devorado e as alterações climáticas?

 

Florescimento de algas devorado e as alterações climáticas?

 

 

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Pequenos crustáceos do tipo camarão devoraram 300 quilómetros quadrados de algas estimuladas a crescer artificialmente com o objectivo de combater o aquecimento global, o que levanta sérias dúvidas sobre a capacidade da fertilização dos oceanos como ferramenta de controlo do clima.

Há anos que os cientistas propuseram estimular o crescimento de algas despejando toneladas de ferro nos oceanos. O ferro é um elemento necessário à fotossíntese mas é relativamente raro nos oceanos.

As algas absorvem o dióxido de carbono (CO2), um potente gás de efeito de estufa que contribui para o aquecimento global, da atmosfera. De seguida, após a morte, as algas afundam-se no oceano, sequestrando o CO2 indefinidamente.

Cerca de uma dúzia dessas experiências de "fertilização com ferro" já foram realizadas, com resultados mistos mas os peritos têm vindo a alertar para as consequências indesejadas, como reacções imprevisíveis no ecossistema.

E foi precisamente isso que aconteceu durante uma descarga recente e em larga escala de ferro no Atlântico sul, anunciou o Instituto Alfred Wegener da Alemanha.

Com o aspecto cristalino esverdeado de um pára-brisas pulverizado, o sulfato de ferro é dado a doentes com carência de ferro e também é o preferido para o crescimento das algas.

Trabalhando a bordo do navio de investigação alemão Polarstern, cientistas alemães e indianos misturaram nas últimas semanas dez toneladas de sulfato de ferro com a água do mar. Seguidamente a equipa bombeou a água enriquecida artificialmente de volta ao Atlântico, ao largo da costa da Argentina.

Tal como se esperava, a experiência criou um crescimento gigantesco de algas devoradoras de CO2, mas eram as algas erradas: as algas eram essencialmente minúsculos haptófitos e não as maiores diatomáceas que a equipa esperava. 

A variedade de algas mais pequenas geralmente são encontradas apenas em águas costeiras, onde são o alimento favorito de pequenos crustáceos do tipo camarão, os copépodes. Assim, os copépodes devoraram as algas pouco depois de elas terem crescido e uma potencial arma contra o aquecimento global desapareceu.

"O facto de as algas estarem a ser devoradas rapidamente pelos animais marinhos não é bom para a sequestração de carbono", diz Ulrich Bathmann, chefe de biociência do Instituto Polar e Oceanográfico Alfred Wegener (AWI) de Bremerhaven, Alemanha, que não esteve envolvido na experiência.

 

Os peritos que não participaram na experiência estão divididos em relação ao significado dos resultados.

"A nova descoberta que surge aqui é que os cálculos normais do 'número de toneladas de ferro que entram é igual ao número de toneladas de carbono que saem' provavelmente não funciona", diz Gabriel M. Filippelli, geólogo da Universidade do Indiana em Indianapolis. Isto questiona a eficácia da fertilização com ferro como solução para o aquecimento global."

Os apoiantes da fertilização com ferro, no entanto, continuam esperançosos. "Estes resultados não são argumento nem a favor nem contra a fertilização com ferro como estratégia de sequestro de carbono", diz Kenneth Coale, director dos Laboratórios Marinhos de Moss Landing na Califórnia.

Os cientistas de Moss Landing criaram um florescimento semelhante, ainda que menor, em águas antárcticas em 2002.

Uma nota positiva, diz Coale, é que a experiência acrescenta mais evidências de que o ferro pode estimular crescimento de algas em larga escala. Não é claro se em todas as circunstâncias os animais irão devorar estes organismos fotossintéticos, diz ele.

Outras experiências também tiveram mais sucesso na sequestração de carbono, acrescenta Coale, e independente do sucesso ou falhanço da sequestração de carbono, pelo menos a experiência do Atlântico sul não danificou o ambiente marinho local, o que teria sido uma nódoa bem mais séria na fertilização com ferro.

O consenso, no entanto, parece cair algures ao meio, diz o ecologista Andrew Watson, da Universidade de East Anglia, Reino Unido. A experiência, diz ele, "mostra que ainda não aprendemos, nem de perto nem de longe, tudo o que há para saber acerca dos efeitos do ferro nos ecossistemas marinhos e sobre o equilíbrio de carbono nos oceanos". 

 

 

Saber mais:

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