2009-03-23

Subject: Corais podem viver milhares de anos

 

Corais podem viver milhares de anos

 

 

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CoralAlgumas espécies de corais podem viver mais de 4 mil anos, muito mais do que qualquer outro animal que vive nos oceanos, revela um novo estudo agora conhecido.

A incerteza sobre a forma como datar os corais para estimar o seu tempo de vida tem sido alvo de contencioso.

Um estudo de datação por carbono publicado em 2006 por Brendan Roark, na altura da Universidade de Stanford na Califórnia, sugeria que colónias vivas de corais Gerardia podiam ter mais de 2700 anos de idade mas um estudo de Richard Grigg, da universidade do Havai, estimou que a vida de algumas espécies devia ser de cerca de 70 anos.

Muitas das discordâncias começam na origem do carbono nos corais. Roark, actualmente na Universidade Texas A&M em College Station, vem agora alegar que os seus resultados iniciais foram confirmados pela análise da forma como os corais obtêm o seu carbono.

Quando estão a desenvolver o seu esqueleto, os corais usam o carbono que se encontra dissolvido como carbono inorgânico ou o carbono orgânico das águas que os rodeiam. À medida que crescem, os corais desenvolvem-se como uma árvore, formando anéis de crescimento que Grigg contou para estimar a sua idade.

Pelo contrário, Roark usou a datação por carbono no seu estudo de 2006 para analisar a quantidade do isótopo carbono-14 nos corais. O 14C é produzido na atmosfera superior onde se oxida rapidamente em 14CO2. Todos os organismos vivos absorvem 14C em proporção à quantidade que existe onde vivem. Enquanto os isótopos 12 e 13 são estáveis, o 14C decai para azoto com uma meia-vida de 5730 anos. Seguir o decaimento pode dar aos investigadores uma ideia de há quanto tempo o isótopo se formou, permitindo datar tecidos antigos.

Mas alguns investigadores questionaram os métodos de Roark, argumentando que o carbono no alimento dos corais do fundo do oceano e incorporando no seu esqueleto pode ser mais velho que eles próprios, originando estimativas de idade indevidas.

Para determinar se esse era o caso, Roark analisou cuidadosamente os milímetros exteriores de esqueletos recentemente depositados de Gerardia e Leiopathes e comparou os valores de 14C com os da água envolvente e dos corais de águas rasas. Ele descobriu que o carbono orgânico que estes corais estão a adquirir é carbono fresco que é transportado rapidamente para as profundezas de águas superficiais.

 

O seu estudo detalhado confirma que o coral que vive mais, a Gerardia, tem 2742 anos e o Leiopathes tem 4265 anos. Isto coloca-os entre outros organismos de vida longa como o pinheiro Pinus longaeva, que vive mais de 4800 anos ou a amêijoa mogno Arctica islandica, que pode alcançar mais de 400 anos.

A análise ao carbono de Roark, no entanto, está longe de terminar uma discordância antiga no campo. "As conclusões ... são extremamente tendenciosas, para não dizer completamente erradas", comenta Grigg. Ele diz que a dimensão das amostras de três colónias de Leiopathes são inadequadas para um estudo ecológico. Para além disso, com o envelhecer os corais têm tendência a ter menos ovos, mas estas amostras são frequentemente de oócitos em desenvolvimento, diz Grigg. "Isso não é nada típico de espécies com milhares de anos de idade."

Mas nem todos concordam. "É um estudo fantástico que revela muito sobre a vida destes corais", diz o biólogo marinho Murray Roberts, da Scottish Association for Marine Science em Oban, Reino Unido.

A vida longa e crescimento lento destes animais, que tem taxas tão lentas como 5 µm por ano, coloca-os em risco pois são frequentemente colhidos para joalharia e danificados por arrasto de fundo, diz Roark. "Com um crescimento tão lento, as actividades humanas podem dizimá-los antes que tenham capacidade de resposta. Isto cria um ímpeto aumentado no desenvolvimento de uma estratégia coerente e efectiva de conservação."

Mas Grigg salienta que o Leiopathes nunca foi recolhido comercialmente e é inútil na joalharia. A Gerardia apenas foi colhida selectivamente em duas localizações no Havai, sempre com menos de 3% do total e 99% do seu habitat está protegido. "Os autores podem ter analisado alguns ramos vivos e alguns corais muito antigos e mortos mas a sua análise raia, afinal, o eco-extremismo", diz Grigg.

 

 

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