2009-03-22

Subject: O legado duradouro do Exxon Valdez

 

O legado duradouro do Exxon Valdez

 

 

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Exxon ValdezQuando se pensa em grandes derrames de petróleo, pensa-se no Exxon Valdez. Há 20 anos, o petroleiro derramou a sua carga ao largo da costa do Alasca e imagens de aves cobertas de crude surgiram nas notícias precisamente no momento em que a consciência ambiental estava a crescer rapidamente nos Estados Unidos.

O acidente tornou-se um símbolo para os ambientalistas e legisladores mas também desencadeou centenas de estudos científicos sobre as implicações do desastre nas populações locais, no ecossistema, as práticas de remediação e a resposta a derrames de petróleo.

O que aconteceu naquele dia?

Pouco depois da meia-noite de 24 de Março de 1989, o Exxon Valdez embateu num baixio no estreito Prince William no golfo do Alasca. Apesar do tempo calmo nos dias seguintes, a limpeza não foi bem organizada e o surgimento de uma tempestade a 27 de Março ajudou a espalhar crude pesado ao longo de perto de 2 mil Km de costa localizada a centenas de quilómetros de distância.

Os perto de 40 milhões de litros de petróleo que foram derramados pelo Exxon Valdez podem parecer pouco comparados com outros derrames, como o do Amoco Cadiz ao largo da costa francesa em 1978 (260 milhões de litros) ou o do Prestige ao largo da costa espanhola em 2002 (76 milhões de litros) mas o tamanho não é tudo.

A combinação da localização do derrame, nas águas relativamente frias e intocadas do Alasca, e do momento, quando o ecossistema se estava a renovar para a Primavera, tornou-o particularmente devastador.

Quais foram os efeitos e como está o ecossistema agora?

Dez anos após o derrame, os ecologistas estimaram que entre 100 e 700 mil aves tinham morrido devido à exposição ao petróleo, com base numa extrapolação do número de carcaças cobertas de crude recolhidas nas praias e nas águas. Ainda que muitas espécies já tenham recuperado o efectivo de antes do derrame ou estejam em vias disso, duas não recuperaram de todo: o arenque do Pacífico e o pombo Guillemott.

A 31 de Dezembro de 2008, o Exxon Valdez Oil Spill Trustee Council submeteu um plano de recuperação para o arenque do Pacífico, um peixe economicamente importante na região mas alguns defendem que o derrame não foi a causa do desaparecimento do peixe na região. A pesca excessiva ou outras alterações no ecossistema, como aumento de doenças ou declínio de fontes de alimento disponíveis, podem ter dado o seu contributo.

O que foi feito para limpar as praias e os restos de crude?

A limpeza foi particularmente difícil devido à localização remota do derrame. A guarda costeira americana e outras forças testaram todos os dispositivos existentes para conter o petróleo, bem como agentes dispersantes. Voluntários recolheram e limparam aves, lontras e outros animais. A utilização experimental de microrganismos no estreito levou os cientistas a desenvolver métodos de biorremediação inovadores, usando estirpes da bactéria Pseudomonas aeruginosa para decompor o crude no local.

A Corporação Exxon Mobil gastou mais de $2 mil milhões para financiar alguns destes esforços e atribuiu mais $900 milhões a pessoas, ao estado do Alasca e ao Exxon Valdez Oil Spill Trustee Council para investigação sobre os impactos do derrame.

Quanto tempo levará para todo o crude desaparecer?

O crude do Exxon Valdez que veio dar a costas activas, onde a acção das ondas ou de microrganismos o podiam degradar, desapareceu relativamente rápido. Mas poças superficiais de crude ainda podem ser encontradas e bolsas de crude não degradado permanecem logo abaixo da superfície em algumas praias.

Isto tem alimentado o debate sobre se as lontras que escavam a areia da praia em busca de alimento não continuam ainda a ser expostas ao crude do Exxon Valdez. Os consultores da Exxon dizem que as lontras marinhas e outros animais já não estão em risco de exposição a níveis tóxicos e que os processos naturais irão sequestrar ou remover o que reste no subsolo.

 

Saiu alguma coisa boa deste desastre?

Um século de mineração de cobre, prospecção de petróleo e pesca intensiva já tinham tido grande impacto no estreito Prince William. Um dos desafios que os investigadores enfrentaram foi identificar a impressão digital molecular do derrame de crude, para a distinguir de outras actividades humanas das últimas décadas. Em resposta à luta legal que rodeia questões como a limpeza e a responsabilidade, os cientistas levaram a arte da identificação de hidrocarbonetos a um novo nível de rigor. 

Laboratórios analíticos contratados conseguem identificar sem margem de dúvida a origem de uma amostra de petróleo, diz Chris Reddy, da Woods Hole Oceanographic Institution, Massachusetts.

Na sequência das dificuldades em lidar com o derrame, a guarda costeira americana clarificou a cadeia de comando e retreinou as suas equipas de limpeza. O congresso americano aprovou a Acta da Poluição de Petróleo de 1990, que definiu a responsabilidade por danos e limpezas.

A maioria dos derrames surge agora de navios de casco simples, comenta Dennis Nixon, professor de lei ambiental na Universidade de Rhode Island, Kingston. 

O Exxon Valdez de casco simples, que foi reparado e vendido com o novo nome de Mediterranean, continua ao serviço no sudeste asiático. Os petroleiros de casco simples estão agora proibidos de utilizar os portos americanos, enquanto países europeus como a França e a Espanha não permitem que se aproximem a mais de 200 milhas da sua costa.

E as comunidades humanas do Alasca?

O Exxon Valdez Oil Spill Trustee Council continua a categorizar "serviços humanos", como a pesca, actividades recreativas ou utilização de subsistência, como "em recuperação" até que os recursos de que dependem regressem ao normal.

Em 2008, uma decisão do Supremo Tribunal americano reduziu de forma dramática a indemnização a ser paga aos habitantes locais devido a danos causados de $2,5 mil milhões para $507,5 milhões, considerando o valor atribuídos inicialmente como excessivo segundo a lei marítima. A Corporação Exxon Mobil já começou a pagar esses danos. 

 

 

Saber mais:

Exxon Valdez Oil Spill Trustee Council

Derrames de crude deveriam ir para as praias

Derrame do Exxon Valdez teve efeitos a longo prazo

 

 

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