2009-03-14

Subject: Culturas geneticamente modificadas aumentam 9,4%

 

Culturas geneticamente modificadas aumentam 9,4%

 

 

Dificuldades em visualizar este email?

Consulte-o online!

Em 2008, as culturas geneticamente modificadas foram cultivadas numa Área Total de 125 milhões de hectares, o que representa um aumento de 9,4%, ou seja, mais 10,7 milhões de hectares que em 2007. Estes dados foram publicados no relatório “Brief 39 – Global Status of Commercialized Biotech/GM Crops: 2008” do ISAAA - International Service for the Acquisition of Agri-biotech Applications que o CiB – Centro de Informação de Biotecnologia agora divulga.

A produção comercial deste tipo de culturas aumentou pelo 13º consecutivo desde 1996, ano em que se iniciou a sua utilização. Desde 1996, a área cultivada aumentou 74%, sendo a tecnologia agrícola mais rapidamente adoptada de sempre.

Segundo Pedro Fevereiro, investigador e professor de biotecnologia vegetal e presidente do CiB, “a Agrobiotecnologia continua a demonstrar, como comprova este relatório, que oferece produtos de qualidade e economicamente interessantes, sobretudo para os pequenos agricultores, cumprindo assim os objectivos de maior sustentabilidade agrícola. É incrível que depois de anos de comprovada segurança, quer para a saúde, quer para o ambiente, e das garantias científicas dadas, esta tecnologia ainda não esteja disponível para todos os agricultores que a queiram utilizar.”

Para além do aumento na área de cultivo, em 2008, há ainda a destacar outros dados deste relatório.

O aumento no número de países onde foram cultivadas culturas GM - inclusive em África onde os desafios dos agricultores são maiores. Actualmente, são 25 os países produtores deste tipo de culturas, sendo que 15 são países em desenvolvimento. Os três países que iniciaram, em 2008, a produção de culturas GM foram: Bolívia (soja), a Burkina Faso (algodão) e o Egipto (milho).

Em 2008 mais 1,3 milhões de agricultores produziram culturas GM, ou seja, actualmente 13,3, milhões de agricultores beneficiam das características destas plantas, sendo que 90% são pequenos agricultores e oriundos principalmente de países em desenvolvimento. Verifica-se que as culturas geneticamente modificadas têm um papel cada vez mais importante nos benefícios económicos dos pequenos agricultores, tendo por isso influência positiva na sua qualidade de vida.

Desde o início da comercialização das culturas GM, em 1996, que a característica mais procurada pelos agricultores é a tolerância a herbicidas. Em 2008 a soja, o milho, a colza, o algodão e a luzerna com esta característica ocuparam 63% (79 milhões ha) da área global cultivada.

O número de culturas com combinação de genes introduzidos (dupla - quando houve introdução de dois genes que conferem resistência a um tipo de praga de insectos e a herbicidas - e tripla - quando houve introdução de três genes que conferem resistência a dois tipos de pragas de insectos e a herbicidas) aumentou 23% e teve 22% da área global cultivada. As culturas GM com combinação de genes satisfazem necessidades múltiplas dos agricultores e dos consumidores, sendo já utilizados em 10 países.

O ano passado foi cultivada uma nova planta geneticamente modificada nos Estados Unidos da América (EUA) e no Canadá, a beterraba Roundup Ready com tolerância a herbicidas. Do total de área cultivada com beterraba nos EUA 59% (257.975 ha num total de 437.246 ha) corresponderam à nova beterraba GM. Esta foi a maior adopção de sempre de um produto GM na agricultura.

Todos os sete países da EU que cultivaram plantas GM produziram milho geneticamente modificado para resistir à praga da broca e a área de cultivo aumentou 21% em 2008, atingindo os 107.000 ha.

No ano 2008, a área total de produção de culturas GM em Portugal foi 4.856,2 ha, o que significa um aumento de 15,6% relativamente a 2007.

Os benefícios económicos obtidos pelos agricultores, entre 1996 e 2007, foram de cerca de 44 mil milhões de dólares. Deste total, 44% resultaram de benefícios de produtividade e 56% da redução nos custos de produção (que inclui a redução de 359.000 toneladas de pesticidas).

 

O relatório do ISAAA apresenta uma revisão dos dados existentes sobre a contribuição das culturas GM para a Sustentabilidade e revela que a utilização de plantas transgénicas na agricultura contribui para:

  1. a segurança da alimentação humana e animal e das fibras;

  2. a conservação da biodiversidade;

  3. a diminuição da pobreza;

  4. a redução da pegada agrícola no ambiente;

  5. a redução das alterações climáticas e a emissão de gases com efeito de estufa;

  6. a produção mais eficaz dos custos/benefícios dos biocombustíveis;

  7. a geração de benefícios económicos sustentáveis.

As culturas GM têm o potencial para contribuírem para a Segurança Alimentar e para a produção de alimentos mais acessíveis através da produtividade por hectare e, em simultâneo, através da redução dos custos de produção (diminuição da necessidade de mobilidade dos solos, da utilização de pesticidas e consequente redução do uso de tractores e da utilização de combustíveis fósseis).

O cultivo de plantas GM permite um Aumento de Produtividade sem Necessidade de Aumentar a Utilização da Área dos Solos, o que pode potenciar a redução da destruição de habitats e a protecção dos seres vivos, principalmente nas florestas. De 1996 a 2007, a produção de cultivos GM conseguiu evitar a utilização de 43 milhões ha de solos agrícolas.

Desde 1996, conseguiu-se uma Redução do Uso de Pesticidas (menos cerca de 359.000 toneladas o que correspondeu a uma redução de 9% e a uma redução de 17,2% no impacto ambiental conforme o Quociente de Impacto Ambiental), a Redução da Utilização de Combustíveis Fósseis e a Diminuição de Emissão de Dióxido de Carbono, através de sementeira directa e de redução ou ausência da mobilidade dos solos (o que contribui para o sequestro do carbono nos solos). Em 2007, estas técnicas e a redução de pesticidas permitiram sequestrar 14,2 mil milhões de quilos de dióxido de carbono dos solos, o que corresponde à retirada de 6,3 milhões de carros em circulação.

As variedades de plantas GM têm revelado ser um mecanismo de crescimento económico rural importante e podem contribuir substancialmente para o desenvolvimento económico nacional.

Mais de metade da população mundial (55%) vive nos 25 países que cultivaram os 125 milhões ha de plantas GM em 2008, o que equivale a 8% da área total de solos aráveis do mundo.

Vinte e cinco países aprovaram já a cultura de variedades de plantas GM e outros 30 autorizaram a importação de produtos biotecnológicos para uso na alimentação humana e animal, perfazendo um total de 55 países utilizadores.

A restrição mais séria à adopção da agrobiotecnologia na maioria dos países em desenvolvimento é a falta de sistemas de regulamentação que sejam eficazes em termos de custos/tempo de avaliação e aprovação e que incluam todo o conhecimento e experiência adquiridos nos últimos 13 anos. Há por isso uma necessidade urgente de se criarem sistemas adequados para regulamentar a utilização das plantas GM que sejam responsáveis, rigorosos, comportáveis financeiramente e acessíveis para os países em desenvolvimento.

 

 

Saber mais:

Genes de trigo podem ajudar nas epidemias fúngicas

Genes modificados surgem em culturas locais de milho

Europa e OGM - tempo de decisões

Culturas transgénicas relativamente benignas para os insectos

 

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2009


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com