2009-03-13

Subject: Cimeira de Copenhaga apela a acção urgente contra alterações climáticas

 

Cimeira de Copenhaga apela a acção urgente contra alterações climáticas

 

 

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Peritos climáticos que se encontraram esta semana na Dinamarca alertaram para o facto de o prognóstico geral sobre as alterações climáticas ser pior do que as estimativas anteriores sugeriam.

Mais de 2 mil delegados, onde se incluíam climatólogos, sociólogos e economistas, de 80 países reuniram-se para a Conferência Científica Internacional sobre Alterações Climáticas em Copenhaga, que decorreu entre 10 e 12 de Março.

O seu objectivo era fazer uma actualização científica para a avaliação de 2007 do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) sobre o aquecimento global.

Os últimos resultados são difíceis de ouvir. Os cientistas alertaram para o facto de alguns dos impactos do aquecimento global, como a subida do nível do mar e a perda de gelo de Verão no Árctico, estarem a acontecer muito mais cedo e com maior severidade do que os cientistas tinham estimado há apenas dois anos. "O que estamos a ver agora é que alguns aspectos são piores do que se esperava", diz Stefan Rahmstorf, chefe do Earth System Analysis do Instituto Potsdam de Investigação sobre Impactos Climáticos na Alemanha e um dos oradores do congresso.

Dirigindo-se aos delegados, o economista Nicholas Stern disse que os políticos precisam de considerar as consequências de subidas de temperatura de 6°C ou mais. Stern, que fez uma análise em 2006 dos efeitos económicos das alterações climáticas para o governo inglês, não esteve sozinho na expressão de um sentimento de urgência perante os políticos.

A 10 de Março, o climatólogo Konrad Steffen, da Universidade do Colorado em Boulder, disse que os níveis do mar podiam subir até um metro até 2100, de acordo com uma nova análise das perdas de gelo da Groenlândia. A estimativa máxima do relatório do IPCC de 2007 era de uma subida de 0,59 metros até ao final do século.

A informação apresentada esta semana em Copenhaga será a base de um documento de 30 páginas a ser publicado em Junho. Apesar de o documento ainda ir se revisto por pares, não terá o rigor ou a autoridade das avaliações do IPCC. A quarta avaliação do IPCC em 2007 avaliava investigações revistas por pares publicada antes de 2006, um processo que envolveu mais de 2500 peritos e 130 países. "O processo do IPCC é lento e tenta obter uma visão consensual. O resultado desta conferência será uma visão da maioria mas não é provável que seja consensual", diz Jason Lowe, conselheiro chefe do contencioso do serviço meteorológico inglês. "O verdadeiro valor desta avaliação é a sua actualidade."

Em Dezembro deste ano, membros da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC) irão a Copenhaga para debater os detalhes de um novo tratado global sobre o clima, um potencial sucessor do Protocolo de Quioto. Ainda que o resultado da conferência desta semana não informe oficialmente o encontro da UNFCCC em Dezembro, irá ajudar "os decisores a compreender a extensão das alterações e da necessidade urgente de tomar uma decisão sobre como lhe responder", diz Katharine Richardson, oceanógrafa biológica da Universidade de Copenhaga.

 

Mas na conferência surgiu um medo crescente de que a mensagem simplesmente não esteja a passar. "Estou frustrado, como muitos dos meus colegas, porque 30 anos depois de a Academia Americana das Ciências ter emitido um forte aviso sobre o aquecimento devido ao CO2 , a urgência deste problema ainda não tenha atingido os políticos ou o público em geral", diz Rahmstorf.

Isso não é necessariamente culpa dos políticos, diz Martin Parry, antigo presidente do grupo de trabalho do IPCC sobre impactos climáticos e adaptação. "É uma pena que o IPCC não tenha sido capaz, há dois anos, de avaliar o leque de opções para evitar as alterações climáticas perigosas", diz Parry. O grupo do clima das Nações Unidas ainda não analisou como as acções políticas específicas, como as metas de redução de emissões, terão impacto na taxa de alterações climáticas. "Agora temos uma situação em que o conhecimento científico sobre a mitigação ainda está em evolução, o que não deixa tempo para a devida consideração pelos políticos."

Os delegados concordam que é necessária acção mais decisiva e urgente para evitar as 'alterações climáticas urgentes', actualmente definidas pela União Europeia como uma subida de temperatura de mais de 2°C acima dos níveis pré-industriais, mas se isso é suficiente ou se é sequer alcançável é outra questão. "Se nós olharmos para todos os impactos, provavelmente decidiremos que os dois graus é um valor de compromisso mas provavelmente o melhor que podemos esperar", diz Rahmstorf.

Num artigo publicado esta semana na revista Environmental Research Letters, Lowe e os seus colegas concluíram que se as emissões atingissem o máximo em 2015 e forem reduzidas 3% ao ano daí para a frente, há 55% de hipóteses de ultrapassarmos os 2°C de subida nas temperaturas médias globais e uma hipótese em três de o mundo aquecer ainda mais que 2°C no período de 100 anos.

Fazer com que as emissões atinjam o seu máximo em 2015 "vai ser duro" diz Parry mas pode ser alcançado se tivermos como objectivo uma redução de 80% nas emissões de CO2 até 2050, começando desde já. "Precisamos de concordar em metas difíceis em Dezembro, que afirmem quando começamos e quanto temos que fazer. Uma declaração clara de dois mil cientistas certamente irá fazer alguma diferença." 

 

 

Saber mais:

IPCC

Protocolo de Quioto

Conferência sobre alterações climáticas das Nações Unidas

Congresso de Copenhaga sobre o clima

 

 

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